O VIDEIRINHO

quinta-feira, novembro 08, 2007

PARTIDA





Quem me dera ser poeta,

ter esse poder superior

que só o poeta que é poeta,
sabe expressar como fingidor.

Quem me dera ser um fingidor,

sim, como qualquer bom actor,

para que na hora da despedida,
poder conter aquela lágrima sofrida,
ou fazê-la deslizar pela face sem cor,
desluzida, traída por ser reprimida,
corroendo-me com a dor.


Quem me dera ser poeta,

ter o poder de suster lágrimas,
que só o poeta que é poeta
as refreia como páginas.


Quem me dera ser um fingidor,

para poder soltar as oprimidas,

aquelas que nunca foram água,

mas que, como em qualquer dor,

transcursam-se em mágoa,

cachoeira, sem esplendor,
num rio duma só frágua.

xistosa


1 comentário:

vieira calado disse...

Olá! Boa noite.
O seu comentário acerca da nossa superioridade (leia-se, dos nossos governantes), sobre os dos povos subdesenvolvidos da Europa, esteve bem patente no discurso do 1º deste país.
Nos anos 60 zarpei para a tal Europa de idiotas e hoje apetece-me fazer o mesmo.
Quanto ao livro, andei por aqui a ver se tinha o seu endereço, mas não sei dele.
Será muito pedir, que volte a enviar-mo?
Já viu a nova imagem do Holmes que coloquei?
Se calhar foi tirada com lentes Zeissss...
Um abraço