O VIDEIRINHO

quinta-feira, novembro 01, 2012

DEMASIADO TENTADOR

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Três demãos de pintura depois, as paredes da minha casa continuam a cheirar a ti e não quero, nem posso suportar mais. 

Prefiro mudar-me a morrer emparedado na hediondez da tua recordação. 

Outros móveis, outra cama, outra janela com outras vistas. 

Outras vizinhas sem sal. 

A decisão está tomada mas, para onde? 

Gosto das ruas buliçosas, com gente, mas já o tenho cada dia no meu táxi e em cada momento na minha cabeça (até oiço vozes). 

Tão-pouco quero um bairro deprimido, mais do que aquilo que estou, nem viver junto de um parque com crianças que gritam como esquizofrénicos e cães que ladram ainda que não mordam.


TIRADA  DAQUI
Nem por cima de um bar (demasiado tentador), nem por cima de um bordel (demasiado tentador), nem por cima de um restaurante (demasiado tentador), nem por cima de uma incineradora (pelos fumos). 

Como saber se os vizinhos são ruidosos ou psicopatas? 

Também não quero gastar mais do que valha; aluguer ou compra? 

Ainda que, isto sim, com garagem. 

Que o meu táxi durma sempre como um rei. 

Escolher o número de quartos equivale a pensar no presente ou no futuro imperfeito (com uma suposta mulher, tantos filhos como queira ela, etc.). 

Melhor será com dois quartos e uma sala.

Um quarto, um escritório sem distracções onde possa escrever longas jornadas e o salão para as visitas, ver filmes, orgias de copos e sexo e leituras sossegadas. 

Uma cozinha funcional. 

Um quarto de banho, que tem de possuir banheira para o meu pato.


E sempre elevador. 

Em que piso? 

Rés-do-chão ou entrepiso ou galeria, nunca. 

Primeiro, segundo terceiro, décimo quinto? 

Décimo quinto, não. 

É demasiado tentador. 

Assim com tudo isto, continuo completamente perdido. 

Acredito que se me escapa qualquer coisa, faltam-me dados, perguntas. 

É uma decisão importante. 

Iluminai-me, por favor. 

Que critérios é que seguiram ou segues tu para escolher a tua actual ou futura morada? 

16ABR2011

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