O VIDEIRINHO

segunda-feira, março 02, 2009

QUEIJO PESTILENTO (?)

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Apesar de ser um amante e aficionado de qualquer queijo, este, o Casu Marzu – queijo apodrecido ou queijo podre – não sei e pensaria mais do que duas vezes antes de prová-lo.

E não será para menos, já que o mesmo originário da bela Sardenha (Itália) é derivado do Pecorino Sardo – queijo de ovelha – cujas condições de fermentação vão para além duma fermentação normal, roçando o ponto de decomposição, o que o leva a cobrir-se de larvas “Piophila casei”, provenientes da mosca do queijo.

Posso aferir disto, que estamos na presença dum queijo cheio de bichos.

Se bem que na maioria dos queijos a larva da mosca do queijo é combatida, neste caso do Casu Marzu é fomentada, sendo incluso incorporada “in situ” pelo mestre queijeiro.

Posteriormente, depois de assegurar-se da contaminação do queijo, o mesmo é colocado no exterior durante vários dias para acelerar a sua fermentação que dura aproximadamente três meses.

Estas larvas são deliberadamente introduzidas no queijo, causando um elevado nível de fermentação e decompondo as moléculas gordas do queijo.




A textura torna-se então pastosa, com algum líquido, a que os sardenhos chamam lagrima.


As larvas são brancas e semi-transparentes, com um comprimento de 8 mm.


Quando perturbadas, conseguem saltar até à altura de 15 cm.


Algumas pessoas retiram as larvas antes de consumir o queijo.


Outras não.


Com “carácter” muito forte e extremamente tradicional – deve-se comer em fatias muito finas, acompanhado dum pão muito forte sardenho (pane carasau) denominado “carta de música” e um Cannonau, um vinho tinto, encorpado, da casta Grenache - sendo popularmente considerado como altamente afrodisíaco.


Devido à natureza deste queijo, a sua venda e consumo estão proibidos na Itália continental bem como no resto da Europa.


A sua venda é multada fortemente pelas autoridades, já que as larvas possuem uma notável resistência aos ácidos estomacais.


Não obstante, o mesmo continua a ser produzido e pode ser encontrado no mercado negro.


Logicamente que a um elevado preço.


Foram reportados alguns casos de míase, ou seja, desenvolvimento nos intestinos de larvas que passaram vivas o tracto digestivo e cujos ácidos estomacais não conseguiram matar.


Casu Marzu




Já comeu o seu Casu Marzu hoje?


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domingo, março 01, 2009

- A verdadeira maneira de não saber nada é aprender tudo duma só vez !

AREIAS do DESESPERO

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A areia, que apesar do que se diz não é incalculável nem infinita, padece de Alzheimer.

Não tem memória no Inverno, nem da criança que se empenha arduamente em meter todo o mar no seu balde de plástico, nem da cor dos toldos ou das barracas dos banhistas.

Até que cheguem as ruidosas e ávidas gaivotas, será um fragmento ou retalho dum mapa do deserto.

Tenho muitos (imensos anos) perto do mar.

Nasci por aqui e decidi passar aqui, frente a ele, a maior parte do tempo que me resta, ou que eu penso que lhe resta a ele, com medo do Inverno, que é sempre o mesmo.

Quando não há dinheiro suficiente para aguentar os invernos da velhice, a solução é só uma: ir para uma cidade onde não haja inverno.

Se fosse o caso da minha, melhor seria, ou seja, seria menos mal.

O que vejo e sinto é que a crise está a afectar inclusive a paisagem.

Vê-se menos gente pelas ruas e muito menos em restaurantes e até bares.

Por fortuna, a "moeda do sol", que se suspeita ser a única para muitos, continua por aí.




Desfrutámos duma época de insensato bem-estar, muito mal repartido, mas agora até nos estão a tirar a música para dançar.

Já não se vêem gruas e esses “Diplodocus longus” de ferro que constituíam a fauna da nossa economia emergente.

Só se vê letreiros a dizer: “Vende-se”.

São, digo eu, a melhor campanha contra o analfabetismo, já que todo o mundo é obrigado a lê-los.

Se pudesse, compraria uns quantos andares, porque apesar dos actuais sentimentos de abatimento, acredito e confio na minha terra e no meu mar.

A que é que estamos a chamar penúria?

A viver menos?

Desde logo a algo muito diferente disso que esses emigrantes, quer do leste, quer subsarianos, que chegam ás costas sul de Portugal, mas principalmente da Espanha, em cascas de noz e, portanto, muito mais a sul da minha areia e do meu mar.

Os que não vão ao fundo, chegam ás areias da costa, homens, mulheres e crianças.

Crianças idênticas ás que vejo no Verão, vindas de algum outro local, intentando meter todo o mar nos seus baldes de plástico …



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