Apesar de ser um amante e aficionado de qualquer queijo, este, o Casu Marzu – queijo apodrecido ou queijo podre – não sei e pensaria mais do que duas vezes antes de prová-lo.
E não será para menos, já que o mesmo originário da bela Sardenha (Itália) é derivado do Pecorino Sardo – queijo de ovelha – cujas condições de fermentação vão para além duma fermentação normal, roçando o ponto de decomposição, o que o leva a cobrir-se de larvas “Piophila casei”, provenientes da mosca do queijo.
Posso aferir disto, que estamos na presença dum queijo cheio de bichos.
Se bem que na maioria dos queijos a larva da mosca do queijo é combatida, neste caso do Casu Marzu é fomentada, sendo incluso incorporada “in situ” pelo mestre queijeiro.
Posteriormente, depois de assegurar-se da contaminação do queijo, o mesmo é colocado no exterior durante vários dias para acelerar a sua fermentação que dura aproximadamente três meses.
Estas larvas são deliberadamente introduzidas no queijo, causando um elevado nível de fermentação e decompondo as moléculas gordas do queijo.
A textura torna-se então pastosa, com algum líquido, a que os sardenhos chamam lagrima.
As larvas são brancas e semi-transparentes, com um comprimento de 8 mm.
Quando perturbadas, conseguem saltar até à altura de 15 cm.
Algumas pessoas retiram as larvas antes de consumir o queijo.
Outras não.
Com “carácter” muito forte e extremamente tradicional – deve-se comer em fatias muito finas, acompanhado dum pão muito forte sardenho (pane carasau) denominado “carta de música” e um Cannonau, um vinho tinto, encorpado, da casta Grenache - sendo popularmente considerado como altamente afrodisíaco.
Devido à natureza deste queijo, a sua venda e consumo estão proibidos na Itália continental bem como no resto da Europa.
A sua venda é multada fortemente pelas autoridades, já que as larvas possuem uma notável resistência aos ácidos estomacais.
Não obstante, o mesmo continua a ser produzido e pode ser encontrado no mercado negro.
Logicamente que a um elevado preço.
Foram reportados alguns casos de míase, ou seja, desenvolvimento nos intestinos de larvas que passaram vivas o tracto digestivo e cujos ácidos estomacais não conseguiram matar.
Já comeu o seu Casu Marzu hoje?
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6 comentários:
José Torres
O teu artigo despertou a minha atenção, os apreciadores de queijo, devem gostar desse tipo (?) dele.
Por mim, tudo bem!... Nunca comi queijo, nem bebi leite ou derivados.
Os cozinhados, com esses ingridentes marcham, desde que saibam bem e não se sinta a sabor. Encontrei uma excepção: bacalhau com natas.
Um abraço,
Daniel
Livra! Comer queijo com larvas não me fascina,Mas é uma questão cultural.Como caracois e adoro!
Nam nam. Que velha La Vache Que Ri".
Daniel Costa
Deste queijo, depois de ver como se processa tenho uma certeza ...
Agora dos outros, com ou sem bolor, moles ou rijos ... só não gosto deles salgados ... puxam muito ao tinto e eu não sei nadar.
Bacalhau com natas?
É o jantar amanhã !!!
Uma sobrinha já me cravou e tenho que fazer com fartura.
O marido é magro, mas como que se farta.
Faço uma dose a mais.
Já está marcado o lugar!
scrapie
Entre este queijo ou caracóis, só noto uma diferença ... aqui os bichos mexem e saltam ... os outros são já "cadavéres"!!!
Táxi Pluvioso
Também havia o queijo Zeca, em triângulos e com presunto ...
Diz quem provou que as larvas da mosca do queijo sabem a queijo ...
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