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Estão
tão nublados os meus olhos que apenas vejo o que escrevo.
Tão adoidada a minha cabeça que apenas brota dela uma frase com sujeito, verbo, predicado e sentido.
Nada novo, dir-me-ás, se me falas.
Nada novo, dir-te-ei, se me escutas.
E o que é novo?
Sabe-lo tão bem como eu, mas não revelo o segredo ás novas gerações; que o descubram nos “nenhures” e nas pizarias.
E nós com o nosso, vociferando a olhar a lua ou a insultar o mar.
A murcharmos com as mãos entrelaçadas, sabendo que quem, de verdade, se perderá e apodrecerá serei eu e que tu serás uma Primavera atrás de outra.
A mudança climática chegou com o teu aparecimento, mas Al Gore não sabia que tu existias (não sei se continua inflando-se a ser profeta).
Tão adoidada a minha cabeça que apenas brota dela uma frase com sujeito, verbo, predicado e sentido.
Nada novo, dir-me-ás, se me falas.
Nada novo, dir-te-ei, se me escutas.
E o que é novo?
Sabe-lo tão bem como eu, mas não revelo o segredo ás novas gerações; que o descubram nos “nenhures” e nas pizarias.
E nós com o nosso, vociferando a olhar a lua ou a insultar o mar.
A murcharmos com as mãos entrelaçadas, sabendo que quem, de verdade, se perderá e apodrecerá serei eu e que tu serás uma Primavera atrás de outra.
A mudança climática chegou com o teu aparecimento, mas Al Gore não sabia que tu existias (não sei se continua inflando-se a ser profeta).
Não sabe que os meus olhos estão tão nublados que apenas vêm o que escrevo.
Melhor assim, que continuem nublados os meus olhos.
Se vissem o que escrevo, pararia de escrever.
Se o vissem optaria por morder os dedos até ficar sem eles, como aquele hamster que tive.
E tratariam o meu caso nas manhãs duma qualquer televisão.
E chamá-lo-iam fome, ansiedade, síndrome de nome impronunciável.
Eu chamar-lhe-ia vergonha sangrenta, mas em latim que enche mais o olho.
Mas tranquilo, não terás que me recolher entre suores.
Não terás que limpar o sangue dos dedos que te acariciavam as sestas.
Não terás que beijar-me ao chegares, porque jamais te foste (e porque não vejo um cara$#%, já te disse mais do que uma vez).
Porque a minha cabeça mal dá para parir uma frase coerente, mas algumas coisas tem-nas bem nítidas e consigo escrevê-las ás escuras: o preço de uma embalagem de amendoins com mel, as letras de um disco de Jorge Palma ou da Mariza, a lembrança da tua mão dizendo olá e adeus ao mesmo tempo.
Alguma vez a minha cabeça me disse que isso, só isso, é a vida.
Mas pensei que a minha cabeça tinha voltado a beber e sorri.
Nada novo, diremos os dois quando coloque o ponto final.
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