O VIDEIRINHO

segunda-feira, outubro 20, 2014

“TEMPUS FUGIT”

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Vou brincar contigo e dizer-te que quero parar o tempo. 
Melhor dizendo: Eu quero que se passem coisas sem que o tempo passe. 
Mas sei que quando assomar à janela dentro de duas horas o céu já não queimará nem será azul transparente, senão laranja ou rosa gelo. 
E dentro de três horas voltarei a assomar-me e tudo será negro, sem lua, sem estrelas,  mas com tudo a desfilar aos meus olhos (palavras, esboços, palavras, tratados de Física, palavras, receitas de cozinha, palavras, histórias de amor, palavras, a dor de meu passado amanhã, palavras, sangue, ouro, fissuras, rios, palavras) com o tempo a galope, rindo-se da minha cara de palhaço desatinado, das minhas mãos que agarram o ar como se pudessem estrangulá-lo, como se fosse um deus corrupto brincando com o mundo como eu brinco contigo. 

 

Mas vou brincar contigo como o tempo brinca comigo e dizer-te que quero que pintes a velocidade com a tua melhor paleta de cores e talento, para eu a escaqueirar e enganar-me no momento que dura o meu fôlego e estas palavras que despacho de soslaio, a galope. 
Porque tu também, leitor, és como o tempo.
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