O VIDEIRINHO

domingo, abril 12, 2015

“SUSPENSÓRIOS”

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Abri a mala do carro para sacar o portátil e escrever este post, mas nisto encontrei uma pasta azul de borracha que não era minha. 

Deve tê-la deixado algum cliente, pensei, talvez aquele tipo desta manhã que tirou a mala e saiu disparado para não perder o comboio. 

Era um tipo dos seus cinquenta anos, cabelo grisalho e aspecto um tanto ou quanto descuidado, com quem troquei algumas frases. 

A verdade é que abri a pasta porque poderia conter algo de valor ou algum dado que me remetesse ao seu dono. 

E assim foi. 

No seu interior encontrei um bloco de receitas com o seu nome e endereço, assim como informações e notas dos seus pacientes, escritas à mão; deduzi pelo que li, que era psiquiatra. 

Sei que faço mal em reproduzir aqui uma dessas notas, mas necessito que me ajudeis em algo. 


Copio e colo e depois conto-vos:  

(continuação da pág. 201) (…) e neste ponto deduzi a relação entre os seus episódios de ansiedade e a palavra “suspensórios”, ou qualquer afinidade com o dito acessório. 
Acrescento sintomatologia: Quando Helena escuta a palavra “suspensórios” apresenta variações (quadro de stress vinculado a contracções pré-conscientes nos olhos = ep. traumático associado à vista e ouvido). 
Investigar leva-me cinco sessões (y + 3mg Lorazepam p/d). Result. em 10/09/2012: Entre os 13 e os 15 anos o padrasto de Helena abusou sexualmente da sua mãe biológica. 
Lena chegou a surpreendê-los numa ocasião, ele de costas e com os suspensórios das calças baixados. 
O resto das agressões intuí-as a partir do seu quarto, pelo som dos suspensórios das calças contra o chão de madeira. 
Daí a sua fobia auditiva para com a dita palavra. (…). 
Ontem, em pleno colapso, descruzou as pernas e não foi consciente do botão desapertado do seu decote. 
Sutiã sem enchumaços, alças azul marinho. 
Intuí mamilos erectos, mas talvez fosse efeito visual das rugas da blusa. 
Preocupado estudei os passos para acercar-me de Helena dada a sua actual instabilidade emocional. 
Talvez aumentar Lorazepam a +3 p/d e mudar o divã por sofás estrategicamente juntos, frente a frente. 


 
 
Chamai-me paranóico, mas creio que o dito cujo psiquiatra pretende aproveitar a “instabilidade emocional” de Helena para tentar cantar-lhe a “canção do bandido” (ou saltar-lhe logo para cima). 

Agora vem a pergunta, que gostava que me ajudassem a responder: 

Devolvo a pasta como se não tivesse lido nada, ou tomo outro tipo de medida? 

Será que me poderia meter em sarilhos se o denuncio? 
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sábado, abril 11, 2015


- O amor tem a virtude de desnudar, não os dois amantes um frente ao outro, mas sim cada um diante de si próprio !

BEIJADORES

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Rubens Gerchman - Série Banco de trás

Ontem à noite travou-se uma feroz batalha no assento traseiro do meu táxi. 

Viajava Boavista abaixo com um casal de passageiros sossegaditos e em silêncio quando, de repente, mediante um rápido e inesperado movimento, ala aproximou-se do seu adversário, encurralou-o segurando-lhe a cara com ambas as mãos, beijou-o na boca. 

Ele, por seu lado, empregou a típica estratégia bélica de deixar-se beijar: fez-se de vítima fechando os olhos e levantando as mãos em sinal de derrota. 

Três cruzamentos depois, a atacante começou a dar mostras de confiança afastando lentamente as suas mãos da cara dele. 

Mas então viu-se surpreendida pelo contra-ataque do beijado: inclinando-se para ela, meigo mas decidido, converteu a beijadora em sua refém. 

 

Empate a um. 

Ela, recém surpreendida, simulou a mesma estratégia de vitimada até que voltou a tomar a iniciativa. 

E nessa luta continuaram até ao fim do trajecto. 

Parecia, finalmente, que os dois tinham mais do que assumida a sua dupla condição de verdugo e preso: não sabiam beijar-se de igual para igual, assumindo forças, nivelando desejos, compartilhando os seus lábios a um mesmo nível. 

E talvez aquele método lhes funcionasse na perfeição. 

Talvez fosse este, precisamente, o segredo do seu êxito como casal. 

Assumir que são diferentes e, sem qualquer dúvida, complementares.
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sexta-feira, abril 10, 2015

- Lavo os dentes, a cara, os braços, o pescoço, as orelhas. 
Todos os dias vejo o correio. 
Todos os dias me masturbo. 
Dedico grande parte da manhã a preparar a comida para o resto do dia. 
Passo as horas mortas sentado folheando jornais e revistas. 
Intento, em diversas ocasiões, ao tomar café, convencer-me de que estou enamorado, mas a falta de dulçura indica-me o contrário !

BRINCAR ...


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A felicidade é património da infância e as crianças brincam. 

Por isso nunca devemos parar de brincar. 

A mim agora deu-me para brincar, no meu táxi, aos espiões. 

Simulo ser um espião disfarçado de taxista e observo minuciosamente os utentes do meu táxi. 

Durante o trajecto pergunto-lhes pelas suas vidas e anoto no meu caderno de espião onde e a que horas apanharam o meu táxi, como vão vestidos, qual será o destino em questão, com quem ficaram, ou melhor ainda, transcrevo as suas conversas telefónicas. 

Por vezes, quando saem do carro em direcção a um restaurante, uma loja ou um hotel que despertam as minhas suspeitas, espero-os escondido o tempo que for necessário (comendo amendoins e bebendo café em chávena de cartão) para depois os seguir a prudente distância. 

 

Mas depois, quando chego a casa e com os dados que compilei redijo o relatório final de acompanhamento, tudo se desmorona: não sei a quem enviá-lo. 

Não sei para quem trabalho. 

E este é, enfim, o drama que nos separa por e para sempre da infância, a rotura definitiva e irreconciliável. 

E é que nós, os adultos, necessitamos saber a todo o momento, para quem trabalhamos, quanto nos pagarão e se esse dinheiro nos dá para cobrir as despesas e obter algum lucro após os impostos. 

As crianças, no entanto, só brincam. 

Sem matizes. 

Sem consequências. 

E portanto, felizes.
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quinta-feira, abril 09, 2015

- Somos meninos disfarçados até ao dia em que esquecemos para sempre que levamos um disfarce !

PESADELO

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As transformações duravam uma só noite e cada vez que voltava a si, encontrava-se com uma faca na mão e uma garganta degolada. 

Despertava sempre no instante seguinte de ter degolado a sua vítima, quando a auréola de sangue começa a expandir-se por debaixo do corpo. 

Mas daquela vez foi diferente. 

Em vez de escapar e ocultar-se em sua casa, decidiu afastar-se do povoado e viver no bosque. 

A única forma de não assassinar pessoas, era não poder encontrá-las. 

Fiel ao seu plano, afastou-se o suficiente, como que, para no decurso de uma noite — tempo que duravam as suas transformações — não pudesse chegar até uma zona povoada. 



Assim fez e conseguiu o seu objectivo, até que certa noite, enquanto sofria uma das suas transformações, acordou com a garganta degolada. 

Afogando-se com o seu próprio sangue soube, que a besta que vivia nele tinha encontrado uma nova vítima.
06NOV2012
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quarta-feira, abril 08, 2015

– Evidentemente que o tamanho importa; mas nem sempre um tamanho grande é suficiente para estar à altura !

DIFERENTE ESCREVE-SE SEMPRE IGUAL

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Tu acreditas que és diferente. 

Mas não, és tão humano como os demais. 

Possuis medos e dúvidas e sujidade debaixo das unhas se te descuidas. 

E barba de três dias quando amanhece a segunda-feira e erecções involuntárias ou não, na fila do supermercado quando à “caixa” lhe faltam botões à altura do decote. 

Seres muito atrevido se o propões e pouca vergonha ainda que o não faças. 

E desculpas para todos os gostos e mentiras para cada ocasião e arrependimento que escondes debaixo do colchão para as noites e poderes dormir tranquilamente. 

E possivelmente um trabalho que mandarias à merda se não fosse o empréstimo (hipoteca) e uns filhos que não suportas, ainda que os queiras e uma mulher que não queres mas a suportas. 

 

E cada vez menos cabelo e mais rugas e um bom carro d'alguma marca de prestigio para depositar a tua atenção e o tempo que te resta. 

Também pode ser que tenhas alguma mulher, que não é a tua, que te coloca as mamas em volta da nuca de vez enquanto. 

O que pensas, que és melhor que esse monte de merda que somos a humanidade? 

Desperta, porque a única diferença que existe entre as boas e as más pessoas é que, as segundas, cansaram-se de fingir.
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terça-feira, abril 07, 2015

- Maldita crise; até os cães da minha rua, estão cada vez mais magros !

OS ALI-BABÁS


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A pandilha ou farroupilha que nos chula, conseguiu um feito: a dívida soberana portuguesa ascende a mais de duzentos e seis mil milhões de euros, sim, duzentos e seis mil milhões, não duzentos e seis mil. 

Como me parece que ainda me recordo do que é dividir (tenho a calculadora na mão) resulta que nos toca ±20.000 de “pastel” per capita, incluindo as crianças de peito, ou seja, uma família de 4 membros (viris ou não) deve, para os ignominiosos do "grande poder", a intimorata quantia de mais de 20.000 euros de nada. 

 

E eu interrogo-me, como podemos comer e calar?  

Como podemos degustar tanta merda e ainda por cima agradecer-lhes por nos deixarem comer? 

Eu não devo um euro a ninguém; durante os lustros do cavaquismo continuei a viver na minha pequena casa e a pagar indignado, (cada vez mais indignado) mas a pronto, os meus gastos. 

Ou seja, declaro-me em rebeldia fiscal e ética contra estes estripadores que nos esquartejam vivos. 

Que confisquem as contas paradisíacas a banqueiros, políticos e empresários que ordenharam a vaca até a deixarem exaurida e ainda sobrará dinheiro para colocar na Saúde, na Justiça e na Educação, em lugar que lhes corresponde, num país que se autoproclama desenvolvido. 


NÃO HÁ CORNOS PARA TANTO CABRÃO, NEM TETAS PARA TANTO MAMÃO!!!
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