O VIDEIRINHO

sexta-feira, abril 10, 2015

BRINCAR ...


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A felicidade é património da infância e as crianças brincam. 

Por isso nunca devemos parar de brincar. 

A mim agora deu-me para brincar, no meu táxi, aos espiões. 

Simulo ser um espião disfarçado de taxista e observo minuciosamente os utentes do meu táxi. 

Durante o trajecto pergunto-lhes pelas suas vidas e anoto no meu caderno de espião onde e a que horas apanharam o meu táxi, como vão vestidos, qual será o destino em questão, com quem ficaram, ou melhor ainda, transcrevo as suas conversas telefónicas. 

Por vezes, quando saem do carro em direcção a um restaurante, uma loja ou um hotel que despertam as minhas suspeitas, espero-os escondido o tempo que for necessário (comendo amendoins e bebendo café em chávena de cartão) para depois os seguir a prudente distância. 

 

Mas depois, quando chego a casa e com os dados que compilei redijo o relatório final de acompanhamento, tudo se desmorona: não sei a quem enviá-lo. 

Não sei para quem trabalho. 

E este é, enfim, o drama que nos separa por e para sempre da infância, a rotura definitiva e irreconciliável. 

E é que nós, os adultos, necessitamos saber a todo o momento, para quem trabalhamos, quanto nos pagarão e se esse dinheiro nos dá para cobrir as despesas e obter algum lucro após os impostos. 

As crianças, no entanto, só brincam. 

Sem matizes. 

Sem consequências. 

E portanto, felizes.
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1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

O governo também brinca e também é feliz.