O VIDEIRINHO
terça-feira, setembro 11, 2007
MEDO

Foto: Tombwa, vista de satélite.
Quando criança
o xaxualhar das casuarinas
em Tombua,
era no veludo das noites a voz do Medo:
uma mistura ansiosa de mar e calema...
Era a voz dos cazumbis
pendurados nas árvores a falar
as desgraças que então o Futuro haveria de trazer.
o xaxualhar das casuarinas
em Tombua,
era no veludo das noites a voz do Medo:
uma mistura ansiosa de mar e calema...
Era a voz dos cazumbis
pendurados nas árvores a falar
as desgraças que então o Futuro haveria de trazer.
(Namibiano Ferreira- poeta Angolano)
segunda-feira, setembro 10, 2007
NECESSIDADE

Necessito olhar cada pedaço do teu corpo,
saborear todo o teu gosto,
para deixar de tanto sonhar ...
Necessito que me permitas, que explore,
cada segredo teu, cada ponto que te eleva
ao apogeu da tua felicidade.
Necessito que me invadas,
sem medos e com angústias lavadas,
para desfrutar do mais delicioso prazer.
Necessito de ti, sem fantasmas e sem pudor,
para viver uma inesquecível noite louca,
só de amor ...
(xistosa)
ESPERA-ME

Naquele ambiente escuro,
vendo a tua bela face na penumbra,
apercebendo-me do teu corpo quente,
perto do meu,
a blusa de cetim,
brincando ao escorregar
e deixando mostrar parte dos teus segredos.
A nossa fala, arfando um ar quente e íntimo,
os nossos beijos, os nossos carinhos ...
Não há outro caminho,
a inspiração leva-nos para a louca ilusão,
para cada vez mais próximo da tensão
daquela sensação saborosa de enlouquecer,
desejando estar dentro de ti ...
Sim ... aquele clima, aquela sofreguidão
a sensação de explosão eminente,
da falta de ar de tanto nos apertarmos,
teve que ser contida, afinal a situação,
não era propícia para prosseguir e tudo concluir.
Mas hoje ... não vai ser possível,
vou apanhar-te a preceito,
vamos confundir-mo-nos no leito,
iremos chegar juntos de qualquer maneira ...
Podes ir preparando-te,
rasgando a agenda e fazendo alongamentos,
alimentação reforçada e meditação,
pois vamos brincar ao alpinista,
iremos ao cume da montanha e saltar lá de cima,
gozar até ficar sem ar ...
Aterrar no chão,
com aquela sensação de prazer com gosto,
de repetição e ... subir novamente,
até adormeceres com aquela cara contente,
de quem está feliz de estar presente
e ter ganho tanta energia de presente,
para compartilhar com alguém,
tão importante como tu és para mim.
(xistosa)
domingo, setembro 09, 2007
EU e ELA
DE TARDE

Naquele «pic-nic» de burgueses,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que sem ter história nem grandeza,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via,
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo o púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas.
(Cesário Verde)
sábado, setembro 08, 2007
A COR DO LUTO NALGUNS PAÍSES


A cor que transmitimos visualmente, pois a cor interior do sentimento individual, é uma cor, não incolor, mas sem cor.
Por exemplo os mexicanos, no seu “Dia de Muertos”, começam-no, com comida.
Entre muitas iguarias que são típicas desse dia, as mais comuns e apreciadas são umas caveiras sorridentes, feitas de açúcar ou de chocolate, enfeitadas com lantejoulas e onde colocam o nome dos familiares falecidos.
A festa desse dia tem praticamente como símbolo a caveira, pois vêem-se por todo o lado, com enormes “sombreros” enfeitados de plumas ou flores.
No livro “Labirinto de Solidão”, do Nobel, Otávio Paz, afirma o escritor que em poucos locais do mundo podemos assistir a um espectáculo parecido ao que ocorre neste dia no México.
É sem dúvida a maior celebração religiosa deste povo tão alegre e festivaleiro.
Uns choram, outros riem, a lei natural da vida no seu normal esplendor.
A cor do luto varia entre os diversos países.
Alguns exemplos:
Na EUROPA, no JAPÃO e no BRASIL, usa-se o preto, que é a privação da luz. Mas no JAPÃO, também se usa o branco, assim como na EUROPA.
Em TIMOR e na CHINA, o branco, que evoca o silêncio, a leveza e a paz.
Na SÍRIA, o azul celeste, cor do Céu, para onde se deseja que os mortos vão.
No ETIÓPIA, o cinza, cor em que se convertem os cadáveres.
Na ÁFRICA DO SUL, o vermelho, que é a cor do fogo, que consome os corpos.
Na ÍNDIA, o castanho ou o branco.
No EGIPTO, o amarelo, a cor das folhas secas, que representam o fim da vida, pois essa é a cor das plantas, quando morrem.
Na TAILÂNDIA, é o roxo.
No IRÃO, o azul.
quinta-feira, setembro 06, 2007
DIVERSOS diversificados !

ORAÇÃO DO CORNO
Oxalá que nem pense nisso ...
Oxalá que eu nunca seja ...
Mas se for ...
Oxalá que eu nunca desconfie de nada ...
Mas se eu desconfiar ...
Oxalá que eu nunca tenha a certeza ...
Mas se eu tiver a certeza ...
Oxalá que eu não cometa uma loucura ...
Que é para não magoar os sentimentos da minha amada !
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OS DOIS VELHOTES
Dois velhos de oitenta e tal anos sentados num banco de jardim a dar milho aos pombos comentam um com o outro:
- Oh Zé, não consigo dormir, deito-me na cama e levo horas para adormecer.
- Olha eu durmo sempre que nem um anjo.
- E como é que fazes para dormir?
- Masturbo-me ...
- Masturbas-te? A sério? E vens-te?
- Não ... mas canso-me !
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COLOCAÇÃO de POSTES de ILUMINAÇÃO
Após um dia de trabalho na colocação de postes de iluminação, o encarregado de obras reúne com os seus operários para um balanço:
- Arnaldo e Júlio?
- Colocamos dezoito postes!
- Juventino e Amaral?
- Colocamos dezassete postes!
- Joaquim e Manuel?
- Colocamos dois postes!
- Dois? - berrou o capataz.
- Como é que vocês explicam isso? Os outros instalaram quase dez vezes mais!
- Mas o senhor reparou na parte que eles deixaram fora da terra?
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PARTIDA AO PAI
Um vendedor toca à campainha duma casa.
É o Zéquinha quem atende:
- Bom dia! Posso falar com o seu pai?
- Acho que não, responde o Zéquinha, ele está a tomar banho.
- Então posso falar com a sua mãe?
- Ela também está a tomar banho.
O sujeito insiste:
- Bom, vou esperar. Não devem demorar muito ...
- Como quiser, responde o Zéquinha, só que acho que vai demorar algumas horas.
- Sim? E porquê?
- Porque o meu pai pediu-me o tubo da vaselina e eu dei-lhe o de Super Cola 3
quarta-feira, setembro 05, 2007
DIAS de VERÃO

Hoje revivi os dias de verão da minha infância, esses em que tinha coisas para fazer e apesar de tudo preferia aborrecer-me com qualquer maluqueira desnecessária, (comparativamente ao resto).
São dias de computador, de televisão, de sofá, de cama ... dias de passividade.
Até te poderiam oferecer o plano que esperaste toda a vida, que pensarias que não é o melhor dia e preferias prosseguir invernando veraneando, quase imóvel.
Estes dias são necessários de vez enquanto, agora só falta que não se repitam com muita frequência ...
Passo a palavra ...
É CHEGADO O TEMPO ... ( ou A HISTERIA DOS VIRTUOSOS )

Atravessamos uma época em que alguém chamará um amigo íntimo e, em recato bem particular, num sussurro, confessar-lhe-à uma virtude.
Ou, depois de umas boas “goladas”, subirá a uma mesa e confessará uma virtude, em altos berros:
“QUEREM SABER, EIH! VOCÊS TODOS AÍ? EU SOU ..., EU SOU ..., VOU-VOS DIZER, HIC ..., HIC ..., EU SOU PONTUAL, PERCEBERAM? QUEREM SABER MAIS? EU RESPEITO OS MEUS PAIS, MUITO MAIS DO QUE ISSO, EU COMPREENDO-OS, EU AMO-OS! AMO-OS, OUVIRAM BEM? E NÃO SÓ, EU SOU UM SIMPLES SER VIVO, HUMILDE, OBEDIENTE E O MEU MAIOR SONHO É SER SÁBIO E BOM! NÃO QUERO SER UM SER DESPREZÍVEL, MAS UM SER ÚTIL E MUITO ...”
É o climax, nesta fase, o dono da casa, completamente histérico, pede-lhe para descer.
É puxado violentamente de cima da mesa e tirado da sala aos empurrões.
- Coitado, bebeu demais. Murmuram os ciciantes rumorejantes em segredo.
No dia seguinte, horrorizados, não falarão noutra coisa.
É o tratamento dado aos que confessarem alguma virtude ...
Os pais expulsarão os filhos de casa, os amigos deixarão de ser amigos ...
Depois dum pequeno lanche em que sozinho, impossibilitado de recusar, por vergonha do que poderiam pensar de si, comeu, 35 rissóis de camarão, 17 de carne, 40 ovos de codorniz, 32 bolinhos de bacalhau, 22 croquetes, bebeu 11 cervejas, estraçalhou 5 nacos de picanha, 4 costeletões de vitela, arroz, batatas fritas, duas pratadas de feijão preto, com farofa e couve ao alho e 2 pudins para sobremesa, completamente ignorado por todos os que se banqueteavam tanto ou mais que ele, ouviu o dono da festa mandar servir o prato príncipal.
Peru recheado, assado no forno, sendo três perus por comensal.
Chama o anfitrião, seu velho amigo e confessa-lhe encabulado:
- Eu sou MODERADOR !
É expulso do local, por quatro gorilas, seguranças, que o atiram para o meio da rua como a um saco do lixo.
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