O VIDEIRINHO

segunda-feira, dezembro 03, 2007

ARTISTAS PIRATEADOS - DIREITOS de AUTOR





Recebi há pouco tempo um mail acerca de comentários de artistas portugueses sobre os direitos de autor.

Talvez eu esteja mal inserido nesta realidade, mas algo não deverá ser como o pintam e até será uma situação dúbia e mal compreendida.


Por exemplo, a Mafalda Arnauth comenta:


«Por favor, façam de um disco um amigo, escutem-no onde é possível, deixem-se seduzir por ele, descubram-no e se ele merecer, comprem-no, ofereçam-no a outros ou esperem que alguém faça o mesmo por vós … porque só assim é que nós podemos garantir que vamos ter a possibilidade de continuar a fazer mais!»


MAFALDA:


Estão a enganar-te.

Convenceram-te que os músicos têm que viver das migalhas das editoras e que sem vender discos não há música.

É treta e vou tentar mostrar que ser músico não é assim tão diferente de outras profissões.


Um artista como a Mafalda tem que ter uma longa formação especializada, o que exige muito tempo e dedicação.

Um investigador também; no meu caso foram cerca de 14 anos desde que comecei a licenciatura até que terminei o pós-doutoramento.


Um artista tem que ser criativo no seu trabalho.


Um investigador também; não se publica um artigo científico a nível internacional sem inovar, sem criar algo que não existia até então.


Um artista tem que ser dedicado, pois compor e gravar um álbum dá muito trabalho.


Um investigador e professor também; as aulas não se preparam sozinhas, e atrás de cada artigo de uma dúzia de páginas podem estar meses de trabalho e criatividade.


Claro que há muitas diferenças entre a mim e a Mafalda (basta ver as nossas fotografias ... os meus alunos prefeririam de certeza que fosse a Mafalda a dar-lhes aulas).


Mas a diferença mais relevante é que eu sou pago pelo trabalho que faço, enquanto que a Mafalda recebe uma parte do lucro da editora.


E é aqui que estás a ser enganada, Mafalda.


Todo o trabalho criativo que eu faço é livre.



O software que escrevo pode ser descarregado da minha página, não cobro aos meus alunos quando usam o conhecimento que lhes transmiti, nem recebo dinheiro quando outros usam os métodos que desenvolvo ou os resultados que publico.


Mas isto é óptimo para mim, porque ninguém me pode privar do fruto do meu trabalho.


A maioria dos artistas como a Mafalda não tem tanta sorte, por causa dos direitos de autor.


Apesar do nome, raramente são do autor.


É a editora que detém os direitos sobre o que o artista cria, e é isto que torna o artista dependente dos lucros da editora.


Em vez de pagarem à Mafalda pelo trabalho que faz, privam-na dos direitos sobre o que cria em troca duma parte do dinheiro das vendas e assim sem vendas a Mafalda não se safa.


E se fosse há uns anos a Mafalda não tinha alternativa.


Não seria prático ter a sua fábrica de discos ou CDs e carrinha para os levar às lojas.


Mas agora a Mafalda pode fazer chegar a sua música a milhões de pessoas.

E numa audiência tão grande há certamente muitos dispostos a pagar à Mafalda pelo seu trabalho: por concertos, para gravar um álbum, para compor.


Assim a Mafalda pode começar a ganhar a vida como qualquer outro profissional que é pago pelo trabalho que faz.


Mafalda, compreendo que a Universal fique alarmada quando milhões de pessoas podem ouvir a tua música sem pagar.


Mas para ti é bom que não tenham que pagar à tua editora para ouvir a tua música.


É bom porque a maioria dos teus admiradores prefere pagar-te a ti pelo teu trabalho do que à Universal pelos direitos que te tiraram.


A tecnologia no século XX tornou artistas como tu dependentes de uma infraestrutura dispendiosa que tinha que ser subsidiada.

Mas essa dependência acabou.


A bem dos músicos e da música, tentem compreender isso.

Segue-se a lista dos "benfeitores" dos nossos artistas.
Os que dão o milho aos "pardais" !:

AFP, APEV, GDA, GEDIPE, FEVIP e SPA

(Lamentavelmente não sei quem foi o autor deste bonito conto de artistas e ladrões!
As minhas desculpas!)

2 comentários:

Anónimo disse...

O problema é que há artistas confeccionados em estudio e que se derem concertos tem que recorrer a play back senão dão barraca.O ultimo recurso é a venda de CDs

Anónimo disse...

Giro.

Um dos escritores que gosto, (neste momento faz mais teatro) o Miguel Castro Caldas, é completamente a favor desta ideia.

porque os escritores pouco conhecidos, só recebem 10% do valor de capa do livro.