O sol, a Lua e a Chuva

Partiste
Tudo ficou em névoa,
monotonia magenta,
cinzenta,
ingénua.
O que sobrou?
E desse amor,
ficou a minha voz,
letra já morta
dum grande fervor,
da mão que desata nós.
Empalideceram sentidos,
e todas as cores e expectativas,
já não são iguais,
porque pereceram,
olfacto, tacto, audição e papilas gustativas.
E nessa tarde,
de veludo, seda e lã,
a chuva continuou a cair,
talvez mais sórdida,
que a dessa manhã.
Sei que não vens,
que a vida já contém
a solidão,
e a que aportou receosa,
vinda do além. Mas para quem?
Quando partiste,
o Sol se escondeu.
Ficou a noite.
A Lua que viste
já não existe. Desapareceu!
xistosa

RUBOR
Rosa vermelha,
rubra.
Rosa, minha telha,
com uma ruga que a encubra.
Rosa na minha cama,
ama.
Rosa arcana
numa amálgama.
Rubra e com chama,
no leito revolto,
pétalas pela cama
do amor desenvolto.
rubra.
Rosa, minha telha,
com uma ruga que a encubra.
Rosa na minha cama,
ama.
Rosa arcana
numa amálgama.
Rubra e com chama,
no leito revolto,
pétalas pela cama
do amor desenvolto.
xistosa
2 comentários:
Olá Querido Amigo, belíssima postagem!!!
Está maravilhosa
em todas as suas vertentes.
Uma frase ficou na minha memória, com a qual concordo 100%.
Não está como vou escrever mas é o que eu penso.
" Para amarmos outrem, temos que ser livres ".
Beijinhos de ternura.
Fernandinha
Um momento poético que enche a alma de quem o lê. Parabéns!
Aquele abraço
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