O VIDEIRINHO

quinta-feira, janeiro 03, 2008

SOLIDÃO




Um corpo franzino
em tez tão pálida.
Um corpo quente
que num momento,
duma noite cálida,
me transtorna o farniente.

A face é fria,
nesse corpo frágil,
mas quente,
que o poente
são os costumes,
esquecidos,
vazios,
para sempre perdidos.

E a palavra bem soletrada,
quiçá pronunciada,
é expressiva,
doce,
lasciva.
Num leve arrufo,
de ti, evasiva.

A solidão,
o choro,
os soluços,
a raiva,
o medo.
A inexpressão,
são reflexos de ambos os sexos.

E se o pensamento,
que o corpo transparece,
arde em desejos,
que a mente arrefece
não em lampejos,
mas doces arpejos.

Tudo é esquecido,
o corpo perdido.
O cheiro é opaco,
a vida cansada
da obscuridade
do dia humilhada.
Mas a luz da noite
mantem-te incitada.

E sem esquecer,
o corpo franzino.
Eu relembro e alinho
os sonhos perdidos
ao anoitecer.
Agora assumo e assino
os absurdos perdidos
na utopia de te perder.

xistosa


1 comentário:

Fatyly disse...

Relembrar e assumir...que maravilha de poema. Aplaudo-te de pé:)

Um beijo sem qualquer sinal de solidão:)