O VIDEIRINHO

quarta-feira, outubro 15, 2008

VIAGEM À LUA

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Um dia fui visitar um amigo que morava num 10º. andar.

Entrei no elevador, carreguei no botão respectivo, deixei-me levar, mas ao chegar ao 4º andar, assaltou-me o pensamento do elevador não parar nunca e continuar sempre a subir, rebentando mesmo o telhado do edifício e sempre a subir, me colocasse na Lua.



Sou mesmo lunático !



Como gosto de números, comecei a calcular, do 6º ao 7º piso, o elevador demorou exactamente 3 segundos.



Portanto, 1 metro por segundo de velocidade, pois são 3 metros.



Fiz a minha visita, voltei para casa e não parava de pensar no elevador, a subir 1 metro por segundo.



Qual a distância à Lua ?



Essa Lua que eu tinha imaginado quando estava no elevador e que tinha visto de relance, antes de entrar em minha casa !



Segundo os cientistas, essa distância varia, entre 56 e 64 raios terrestres, sendo em números redondos, 384.000 Km.

Segundo a medição da Apolo XII, serão 380..000 Km.



Calculo que a aparelhagem a bordo da nave, seja mais fiável que os cálculos dos cientistas.



Todos os poetas, deveriam conhecer estes números, porque de algum modo estão interligados ao misterioso, ao profundo e ao gelado cosmos.



Mas os poetas querem “letras”, os números, são algo de inumano, monstruoso e feio, não lhes servem para nada.



A precisa e cientificamente 380.000 Km, medida pelos americanos, está a Lua.



Um corpo rochoso, que segundo os mais “idosos”, tem 3.900 milhões de anos, (como somos pequenos).



Não há registos fidedignos e concretos !



Teremos de aceitar estes valores .




À mesma distância, está a Lua poética de Dante, a tal Lua, que a Julieta, (de Romeu), não queria que a comparassem.


Está a mesma Lua de todos os enamorados.


De todos os distraídos.


De todos os que têm pensamentos impossíveis.


Em suma, de todos nós.


Contente, pelo elevador ter parado, por ter visto a Lua e ter chegado a casa, deu-me para pegar numa calculadora.


Dividi, multipliquei, ... e eis que surge, milagrosamente, um número de dois algarismos, 12.


Uma dúzia !


Uma enormidade, duma dúzia de anos, seria o tempo que aquele elevador levaria a colocar-me na Lua.


Vim cá fora ao jardim e procurei novamente a Lua, ás vezes é difícil de encontrar, esconde-se.


Quando a vi, emocionei-me e comecei a fazer ridículos prognósticos sobre uma possível viagem de elevador à Lua.


Não é difícil de imaginar tal ascensão, olhando-nos ao espelho, para ageitar qualquer melena fora do sítio, a fim de impressionarmos favoravelmente, à chegada, algum alienígena.


Tenho 55 anos, (agora 61, isto foi escrito há 6 anos!).


Se partisse agora, chegaria à Lua com 73 anos.


Velho, mas todavia, com a garra dum jovem e uma indomável vontade de viver, porque me conheço bem e sei que nunca perco o optimismo sempre latente, mesmo nos elevadores.


A viagem, poderá ser bastante aborrecida, sobretudo se tiver o azar de ficar encarcerado, com vizinhos altivos; doze anos num elevador, sem poder sair, evitando timidamente, os olhares dos companheiros de viagem, doze anos, abanando o molho de chaves da porta, na mão, escolhendo demoradamente a que “abrirá algo”, no fim da viagem, quando chegar à Lua, ou doze anos, assobiando baixinho, canções que nunca existiram, para simular uma certa e absurda normalidade social.


Também poderá ser uma viagem magnífica, a melhor subida do mundo, num

elevador, um cruzeiro cósmico, digno de ser contado por um Isaac Asimov enamorado, (bioquímico americano de origem russa, autor de "FUNDAÇÃO" um dos clássicos da ciência-ficção), se esse mesmo azar se portar bem comigo, poder-me-à lançar um cabo que introduza no elevador uma preciosa pérola duma “jovem” mulher, (agora, passados 6 anos, uma mulher, jovem como eu, com a pele lisa e umas imperceptíveis rugas, debaixo dos seus óculos escuros, para me acompanhar na miragem, digo, na viagem!







6 comentários:

Visite www.arteautismo.com disse...

José Torres.
Um texto muito bem escrito, com teu humor de sempre.
A escrita foi muito boa porque voce virou um lunático ao descreva-la. Viajou na maionese legal....
Quando digo que tens que escrever um livro ,,,,, estou com razão viu?
Abraços do Brasil.
Ray

xistosa, josé torres disse...

Ray Mélo

Isto foi um maluco que escreveu, há uns anos.
Nessa altura não era tão amluco, ou será que era pior ???

O diabo que escolha ...

Daniel disse...

José Torres

Talvez te falte reparar, mas desde que os amiricanos envaram os razes à lua, nãu há tantos poemas inspirados no astro.
Lembro é daquela canção que dizia; "eu no quarto andar / com todo alvaroço / e o rapaz lá rua / a olhar para a lua / com todo o pescoço" .
Ainda nem tinha ouvido falar no homem pisar a lua. Foi ontem!...
Abraço,
Daniel

xistosa, josé torres disse...

Daniel

Por isso falei eu ... modéstia à parte.
Agora mais a sério, os grandes adoradores da Lua também morreram há muito e não nasceram outros

Carlos Rebola disse...

Amigo José Torres

Este excelente texto além de merecer a atenção das tais editoras para pequenos génios é uma prova de que a matemática pode ser tão inspiradora como a própria lua, o cálculo também "conta" sonhos bonitos.

Um abraço
Carlos Rebola

xistosa, josé torres disse...

Carlos Rebola

Não tenho aparecido.
Chego à noite e fico com dores de cabeça levadas do diabo.
Já fui aos curandeiros, incluíndo o cardiologista e para já dizem que está tudo bem ...
Eu é que sei!

A matemática destes cálculos é muito simples e inspiradora e até nos leva para fora deste inferno ...