WALL STREET

Quarta-feira, Junho 24, 2009

ESCRAVIDÃO MODERNA

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Pang Bun Ok, vendida na China por 737 euros


Camponesas que fogem da fome podem converter-se, na China, em prisioneiras sexuais.

Depois da morte do seu marido por inanição em 1997, durante a pior época de fome na Coreia do Norte, Pang Bun Ok (hoje com 55 anos) desertou para a China em 1998 com os seus três filhos em busca de uma vida melhor.

Naquele entretanto, a sua filha mais velha desapareceu.

A sua vida na China nunca chegou a ser o que havia imaginado.

Entre 210 e 842 euros, é quanto oscila o preço de uma mulher norte-coreana, segundo informação da Comissão Americana dos Direitos Humanos na Coreia do Norte, que inclui uma lista de preços reais pagos em 2005.

Pang foi vendida por 737 euros em 1999.

Encontrou comida na China, mas pouco depois de chegar foi separada dos seus filhos e vendida como noiva três vezes.

Viu-se enclausurada numa casa, amarrada a uma cama, maltratada, raptada e revendida.

Conseguiu fugir dos sucessivos maridos, mas na terceira ocasião foi capturada e devolvida para a Coreia do Norte, onde a torturaram e posteriormente a enviaram para um campo de trabalho, para ser reeducada.

“Trataram-me como se fosse um animal” disse Pang, que desertou da Coreia do Norte, pela 2ª vez, em 2003 e conseguiu chegar à Coreia do Sul, onde os seus três filhos a esperavam.

O seu caso é único: utiliza o seu nome real e pode mostrar a sua cara nos meios de comunicação, porque o seu marido faleceu e o resto da família está em Seul.

A maioria de norte-coreanos que fogem dos seus carcereiros, utilizam nomes falsos e não podem dar a cara, nem aparecerem em fotos, porque na Coreia do Norte o castigo por “atraiçoar o regime” – assim é considerada a emigração – recai amiúde sobre a família do fugitivo.


As norte-coreanas que fogem do seu país podem encontrar um destino enjauladas


Pang nega-se a guardar silencio.

As mulheres norte-coreanas são vendidas como se fosse gado, na China”, protesta.

O tráfico e o abuso de fugitivas norte-coreanas, na China, é uma história em que estão a trabalhar as repórteres americanas, Laura Ling de 32 anos e Euna Lee de 36, sentenciadas no passado dia 8 de Junho a 12 anos de trabalhos forçados na Coreia do Norte.

Sabiam que histórias como a de Pang, não são a excepção; pelo contrário, é algo absolutamente comum.


A emigração em massa da Coreia do Norte, começou em meados dos anos 90, quando centenas de milhar de cidadãos escaparam da fome que deixou um milhão de vítimas e tem continuado através dos anos.

Os norte-coreanos na China encontram-se num estado de abandono total.

Segundo “Vidas à venda”, a crónica ou informação sobre direitos humanos, da Comissão americana dos direitos humanos na Coreia do Norte, oito em cada dez, são mulheres – principalmente da classe trabalhadora ou do campo – que cruzam a fronteira por causa da fome.

No total, havia ao redor de 300.000 norte-coreanos a viver na China, a maioria de forma ilegal.

Das mulheres, calcula-se que 70 % delas, são vítimas do tráfico humano.

“A situação é terrível”, sentencia Tim Peters, activista dos direitos humanos e fundador da Helping Hands Korea, uma missão cristã que envia comida para a zona noroeste do país e ajuda os desertores na China.

“As mulheres que fogem, são especialmente vulneráveis.
Arriscam-se a ser enganadas, vendidas ou compradas várias vezes - como esposas de chineses solteiros -, na zona fronteiriça”.


Embora tenha assinado a convenção da ONU de 1951 e o protocolo de refugiados de 1967, a China ignora totalmente a sua obrigação de proteger os norte-coreanos, cujas vidas perigam no caso de serem devolvidos ao seu país de origem.

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, é acusado de não ter especial interesse no tema.

O certo é que no ano transacto havia 42 milhões de refugiados e muitos em zonas de guerra.

A secção de Pequim, radicada ali, para servir os refugiados com documentos legais, está fortificada dentro dum complexo amuralhado contra a aproximação de qualquer norte-coreano, aos quais a China não considera refugiados, mas sim, “migrantes económicos legais”.

Estes problemas agravam-se no caso das mulheres, devido ao complexo contexto nacional chinês, onde a política do filho único e a consequente popularização do aborto, se o descendente não é um varão, criaram um desequilíbrio demográfico que se traduz na escassez de mulheres.

O tráfico de norte-coreanas que carecem de protecção é uma forma de preencher esse vazio.

Assim, as mulheres como Pang escapam do regime ditatorial de Kim Jong II, para descobrir que na China as convertem em artigos de consumo.

Sem direitos, sem recursos, em contínuo perigo de graves castigos se regressarem à Coreia do Norte, submetidas a um maltrato constante, sem nenhum tipo de protecção nem estatuto de refugiado, nem direitos legais …

Apanhavam-me tão amiúde que pensava que ia morrer e não podia fazer nada”, diz Pang.


Espaireçam um pouco:

PAGANINI


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1 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Conheço muita portuguesa que se vende por menos.