O VIDEIRINHO

quarta-feira, junho 16, 2010

REMINISCÊNCIAS

.



Restavam-lhe poucos dias e já tinha vivido muitos anos, talvez excessivos.

Tinha tanto que contar e tão pouco tempo para recordar.

Uma manhã, quando apenas tinha amanhecido, decidido, sentou-se no seu rincão favorito e, com mão trémula, começou a escrever fragmentos da sua vida.

As recordações afloravam mais vivas do que nunca e as palavras fluíam como fileiras de letras articuladas que contavam momentos passados mas jamais esquecidos.




Os minutos e as horas passavam mas, incansável, continuava plasmando as suas memórias naquelas folhas, únicos testemunhos do incansável perpassar de uma vida que não tinha sido perfeita, mas sim emocionante.

Entre lágrimas e sorrisos revivia momentos intensos, alguns tristes e outros felizes.

A noite acercava-se e ele prosseguia escrevendo, temeroso de não poder completar a sua obra.

Restava-lhe tão pouco e tinha vivido tanto.



Tinha tanto para expressar e tão pouco tempo para fazê-lo.

Na manhã seguinte, quando apenas tinha amanhecido, sentado no seu rincão favorito, terminou adormecido para sempre, tentando com a sua mão trémula, terminar de escrever os últimos retalhos da sua vida.

.

1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

E a mim, isto, já está a suceder.