Explicam os eruditos em costumes sul-africanos que de repente irromperam à nossa beira que, o som das vuvuzelas, essas trompetas pindéricas mais arrepiantes que a insuportável Lady Gaga, tratam de expressar o barrido, (ou barrito), dos elefantes daquelas paragens.
Uma vuvuzela fustigando e azucrinando pode homenagear o ventoso sopro do nobre paquiderme, mas milhares de trompetas de plástico ao mesmo tempo, presumem o rugir de uma multidão alvoroçada que até provoca enxaqueca.
Todos os grandes acontecimentos escondem algo, normalmente essa miséria que se deposita debaixo do tapete da alegria colectiva.
A transição na África do Sul não terminou ainda: finalizará no dia que desapareçam os imensos bairros de barracas que jazem com a sua sujidade ao lado das cidades dos abastados.
Os pobres continuam a viver no ambiente de miséria e marginalização, procuram o sustento diário com a delinquência e o seu futuro manifesta-se tão negro como o seu continente.
Os ricos permanecem encerrados nas suas fortalezas, enclausurados atrás de grades, de alarmes e dos chamados “botões do pânico”, um comando à distância que se enlaça com os vigilantes privados.
A polícia não é suficiente.
O tempo de reacção dos seguranças, trezentos mil em toda a África do Sul, é de cinco minutos.
Não há cor e por isso os ricos passeiam-se com o chaveiro do pânico.
Há vinte mil assassinatos por ano.
Morre mais gente no país da pistola e do circo Mundial que no Iraque, só que ali, em teoria, não há guerra.
Entretanto, (aliás), todos estes problemas que se enquistaram como um veneno que vai corroendo por dentro e para o qual não existe antídoto parece que se diluem sob o mantra vociferante das vuvuzelas vomitando a sua sinfonia de selva artificial.
Futebol é futebol, disse-o o poeta.
Ai não foi o poeta?
Então desculpem!
Fui eu!!!
Uma vuvuzela fustigando e azucrinando pode homenagear o ventoso sopro do nobre paquiderme, mas milhares de trompetas de plástico ao mesmo tempo, presumem o rugir de uma multidão alvoroçada que até provoca enxaqueca.
Todos os grandes acontecimentos escondem algo, normalmente essa miséria que se deposita debaixo do tapete da alegria colectiva.
A transição na África do Sul não terminou ainda: finalizará no dia que desapareçam os imensos bairros de barracas que jazem com a sua sujidade ao lado das cidades dos abastados.
Os pobres continuam a viver no ambiente de miséria e marginalização, procuram o sustento diário com a delinquência e o seu futuro manifesta-se tão negro como o seu continente.
Os ricos permanecem encerrados nas suas fortalezas, enclausurados atrás de grades, de alarmes e dos chamados “botões do pânico”, um comando à distância que se enlaça com os vigilantes privados.
A polícia não é suficiente.
O tempo de reacção dos seguranças, trezentos mil em toda a África do Sul, é de cinco minutos.
Não há cor e por isso os ricos passeiam-se com o chaveiro do pânico.
Há vinte mil assassinatos por ano.
Morre mais gente no país da pistola e do circo Mundial que no Iraque, só que ali, em teoria, não há guerra.
Entretanto, (aliás), todos estes problemas que se enquistaram como um veneno que vai corroendo por dentro e para o qual não existe antídoto parece que se diluem sob o mantra vociferante das vuvuzelas vomitando a sua sinfonia de selva artificial.
Futebol é futebol, disse-o o poeta.
Ai não foi o poeta?
Então desculpem!
Fui eu!!!




1 comentário:
A vuvuzela já é nossa. Deviam inclui-la no fado, que bem ficaria os berros de Amália misturados de vuvuzela.
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