O VIDEIRINHO

terça-feira, junho 22, 2010

VUVUZELAS

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Explicam os eruditos em costumes sul-africanos que de repente irromperam à nossa beira que, o som das vuvuzelas, essas trompetas pindéricas mais arrepiantes que a insuportável Lady Gaga, tratam de expressar o barrido, (ou barrito), dos elefantes daquelas paragens.

Uma vuvuzela fustigando e azucrinando pode homenagear o ventoso sopro do nobre paquiderme, mas milhares de trompetas de plástico ao mesmo tempo, presumem o rugir de uma multidão alvoroçada que até provoca enxaqueca.

Adepta alemã


Todos os grandes acontecimentos escondem algo, normalmente essa miséria que se deposita debaixo do tapete da alegria colectiva.

A transição na África do Sul não terminou ainda: finalizará no dia que desapareçam os imensos bairros de barracas que jazem com a sua sujidade ao lado das cidades dos abastados.

Os pobres continuam a viver no ambiente de miséria e marginalização, procuram o sustento diário com a delinquência e o seu futuro manifesta-se tão negro como o seu continente.


SOWETO


Os ricos permanecem encerrados nas suas fortalezas, enclausurados atrás de grades, de alarmes e dos chamados “botões do pânico”, um comando à distância que se enlaça com os vigilantes privados.

A polícia não é suficiente.

O tempo de reacção dos seguranças, trezentos mil em toda a África do Sul, é de cinco minutos.

Não há cor e por isso os ricos passeiam-se com o chaveiro do pânico.

Há vinte mil assassinatos por ano.

NEM TUDO É MAU na ÁFRICA DO SUL (Clica na imagem ou aqui)


Morre mais gente no país da pistola e do circo Mundial que no Iraque, só que ali, em teoria, não há guerra.

Entretanto, (aliás), todos estes problemas que se enquistaram como um veneno que vai corroendo por dentro e para o qual não existe antídoto parece que se diluem sob o mantra vociferante das vuvuzelas vomitando a sua sinfonia de selva artificial.

Futebol é futebol, disse-o o poeta.

Ai não foi o poeta?

Então desculpem!


Fui eu!!!


Nem todas as vuvuzelas têm som estridente

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1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

A vuvuzela já é nossa. Deviam inclui-la no fado, que bem ficaria os berros de Amália misturados de vuvuzela.