O VIDEIRINHO

sábado, abril 28, 2012

DOS DELES...


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E aí, quando tratava de cruzar a Av. dos Aliados para o túnel de Ceuta, vindo de Magalhães Lemos, ao volante do meu táxi, é que me dei conta. 

Não só me deram “cabo da mona”: também se me esgazearam os olhos. 

Viste aquele “xico esperto” que se plantou diante do teu táxi e te obrigou a travar? 

Se não buzinas não passas”, gritou-te eufórico ao mesmo tempo que ondulava a bandeira da sua equipa de futebol. 

Este tipo e outros centos deles que, em conjunto, faziam alas na avenida, creditavam-se triunfadores, orgulhosos, felizes: como possuidores da verdade absoluta. 

E eram jovens, como tu. 

Ali vitoriando, olé!, olé!, encontrava-se o futuro de um país que, inexoravelmente, está a ir para a merda. 

A nossa geração perdida louvaminhando o triunfo de uma equipa composta por multimilionários sem estudos, os heróis do nosso particular circo romano. 

 

Agora pensaste, as empresas ou “os outros” manipulam os nossos sentimentos, por ordem alfabética: “Benfiquista, Portista ou Sportinguista (escolhe a teu gosto, a tua ‘religião’)”, até à medula, orgulhoso dos feitos e conquistas de Mourinho, do Ronaldo, da dupla campeã do mundo, Beatbombers (DJ Ride e Stereossauro).

Não importam as dívidas dos clubes de futebol ante um país em ruína. 

Não importa que as nossas maiores empresas por “trocadalhos do carilho” tenham deslocado a sede para a Holanda e aí paguem os impostos, chegando-se ao inédito de até as empresas públicas “fugirem”, (para dar o exemplo, calculo eu). 

Sempre ficaremos nós, os que sustentamos esta alcateia de chulos. 

Assumimos, sem tugir nem mugir, a escalada dos preços dos combustíveis enquanto a Galp distribui milhões de euros em benesses a administradores executivos. 

 

Tão-pouco parece importar as facadas na saúde e a subida das respectivas taxas,  o corte na educação, em todas as suas vertentes, o assalto aos bolsos dos contribuintes, nomeadamente os de rendimentos mais baixos, retirando-lhes as parcas regalias, mas aumentando o IVA, IRS, IRC e “familiares” destes impostos. 

A subida da luz, do gás, dos transportes… do DESEMPREGO!!!

A fuga de cérebros e da mão d’obra mais qualificada. 
 
O importante é que ganhem os nossos. 

Mas então, com jovens a gritar eufóricos “se não buzinas não passas” à volta do táxi, o teu passageiro diz-te: 

- Buzine, buzine. 

E tiveste que buzinar, e abriram-te a passagem porque pensaram que eras um dos seus, um deles. 

Mas tu não te sentiste dos seus (deles). 

Talvez até não te sintas de ninguém. 

Nunca mais.
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