O VIDEIRINHO

quinta-feira, abril 12, 2012

SUCESSOS

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Sempre me foi muito complicado opinar sobre o mundo da arte. 

Por um lado creio que há muito artista impostor, que o único de arte que lhe reconheço é precisamente viver dela e, por outro, muito público talibã e néscio que espezinharia uma obra e lapidaria o autor pelo mero facto de não entendê-la. 

Nos concursos de misses não é a mais bonita do universo quem ganha o certame, é simplesmente quem é eleita pelo júri, entre as que se apresentam. 

Creio que nas diferentes disciplinas artísticas ocorre o mesmo... não é o melhor pintor quem é representado por uma importante galeria, é o mais cotado, mas não o melhor. 

Conheci péssimos artistas com mais lábia que discurso e magníficos criadores carentes de veia comercial.




O divórcio existente entre público e arte, parte muitas ocasiões do criador, a figura do artista excêntrico que levita lançando-nos a sua obra para ser interpretada enquanto se retira, voltando-nos as costas, é ridícula. 

A arte é comunicação, assim, quem pretender reduzi-la a uma expressão, onde só uns poucos privilegiados, dotados de um dom divino são eleitos para saboreá-la, estão sujeitos ao fracasso. 

Como seria uma feira internacional de arte se ocultassem o nome dos artistas e das galerias?

Quem abriria os cordões à bolsa? 

Não estou a tentar desacreditar nada, nem ninguém, pelo contrário. 

Creio cegamente em todo o tipo de corrente ou expressão artística, indo ao ponto de acreditar nas que não gosto. 

O que penso é que se devia estabelecer mais pontes entre a arte e o público. 

 

Acho que é paradoxal assistir a inaugurações onde os participantes estão mais dependentes de se deixarem ver e olhar por quem os observa, do que observar o que tinham ido ver. 

Não gosto da arte quando se converte em negócio e não gosto dos simplistas que atacam qualquer iniciativa artística “diferente”, gosto das mentes criativas que empregam a arte como dique de contenção alternativo ante outras formas superficiais de desfrutar e entender a vida. 

Gosto dos pais que levam os seus filhos a exposições e museus, gosto de todos os criadores que criam por necessidade de criar. 

Gosto dos artistas que gostam de outros criadores. 

Não gosto de contadores de histórias.
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