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| O beijo de Gustav Klimt |
A partir daquele beijo, o pintor nunca mais voltou a pintar outra coisa senão o rosto da mulher que conseguiu enamorá-lo.
Não voltou a desenhar outra paisagem mais que o tranquilo rio no qual a beijou, o entardecer em que, sob o efeito de um olhar hipnótico, fechou os olhos, inclinou o corpo e roçou os seus lábios.
Ela e ele, sobre uma rocha, frente a frente, sentados com as pernas cruzadas, esticando os seus troncos para a frente, unindo-se para sempre, repetidas vezes, constantemente sobre as suas telas.
De mil e uma maneiras, a mesma e única cena era revivida pelo pintor que, enamorado daquela perfeita recordação - por nada sobrestimada – a representava sem descanso.
Mesmo assim, o doce beijo, sempre presente a cada instante, no coração apaixonado do pincel, com o qual garatujava constantemente os mesmos e idênticos traços, foi único e irrepetível.
O pintor sabia-o, mas foi impossível aceitá-lo.
31MAR2011
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