.
Imagina-te com vinte anos e uma filha de dois a teu cargo e
desempregada.
Imagina que vais a passear pela rua fora e de repente acerca-se um
tipo que te oferece uma boa maquia para gravares uma cena porno num hotel das
redondezas.
Imagina que nesses momentos pensas mais em pagar o aluguer e
sustentar a tua filha que em tudo o resto.
Imagine que acabas por aceder: gravas
a cena com ele, paga-te e marchas.
Foi isto exactamente que acorreu com a
Cristina, cliente habitual do meu táxi; só que dias depois daquele primeiro
trabalho o produtor voltou à carga e chama-a para gravar outra cena e depois
outra e assim, sem quase se dar conta, há seis meses que se dedica a isto.
Segundo me conta, ganha imenso dinheiro, muito mais do que em qualquer outro
trabalho e é um trabalho legal.
Por cada cena firma um contrato com as suas
cláusulas e os seus impostos (colectou-se como profissão liberal e passa recibos
verdes) e nunca ninguém a obrigou a fazer o que quer que fosse contra a sua
vontade.
Mas em certos momentos, Cristina não consegue evitar sentir-se incapaz de
raciocinar com clareza, impotente.
Vítima de um sistema mercenário.
.


Sem comentários:
Enviar um comentário