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Quando viajo de automóvel, escolho sempre
os assentos traseiros.
As nucas em silhueta dos meus acompanhantes, são, de longe, mais apaixonantes que os desfiles de árvores alienados, alinhados na sua monotonia de passeios ou bordas das estradas.
Além disso, desde o meu observatório posso avaliar os comentários e os silêncios dos demais, sem que me confunda a impostura dos seus gestos.
Não sei, viajar nos lugares de trás produz-me uma sensação de oculto poderio, algo assim como assistir a uma repercussão de almas alheias através do seu próprio pescoço.
O mais curioso deste costume é que os outros jamais se apercebem desta sua nudez.
Desde a soberba dos seus assentos dianteiros, olham permanentemente para o futuro.
Uma e outra vez a estrada, essa ficção do porvir que parece desdobrar-se ante os seus olhos.
Para eles, alguém como eu, só existe no espelho retrovisor interior, esse que ninguém lhe liga “puto”.
Pobres coitados, ignorantes em viagem para lugar nenhum, não há passado nas suas vidas.
As nucas em silhueta dos meus acompanhantes, são, de longe, mais apaixonantes que os desfiles de árvores alienados, alinhados na sua monotonia de passeios ou bordas das estradas.
Além disso, desde o meu observatório posso avaliar os comentários e os silêncios dos demais, sem que me confunda a impostura dos seus gestos.
Não sei, viajar nos lugares de trás produz-me uma sensação de oculto poderio, algo assim como assistir a uma repercussão de almas alheias através do seu próprio pescoço.
O mais curioso deste costume é que os outros jamais se apercebem desta sua nudez.
Desde a soberba dos seus assentos dianteiros, olham permanentemente para o futuro.
Uma e outra vez a estrada, essa ficção do porvir que parece desdobrar-se ante os seus olhos.
Para eles, alguém como eu, só existe no espelho retrovisor interior, esse que ninguém lhe liga “puto”.
Pobres coitados, ignorantes em viagem para lugar nenhum, não há passado nas suas vidas.
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