O VIDEIRINHO

sábado, maio 02, 2015

DESMORONAR

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“E se sentes que o mundo se desmorona 
não tentes abraçar-te 
a outro que está a cair ao mesmo tempo que tu, 
como eu fiz contigo”.

 

E se voltas a “cair” comigo, a gravidade não é tão grave como dizem, amor. 

Apenas 9,8 metros por segundo ao quadrado no teu quarto, na tua cozinha (e doze vezes menos em Plutão). 

Queimei o meu relógio calculadora, voltei a rapar a cabeça e agora os bares cheiram-me a derrota. 

E todas as outras mulheres, são operadoras de caixa do Continente. 

E todos os outros gajos não me chegam nem às rodas do táxi: não saberiam tocar-te e sensualizar-te como eu o faço, não poderiam olhar-te com o meu mesmo fogo. 

Já só gosto da cerveja se a bebo no teu copo, esse que diz "o nosso é de outro planeta", e de aperitivo os teus beijos e música de fundo num rádio foleiro sem Dolby Surround nem memórias de mim. 

 

Não me importoque gostes de Tony Carreira. 

Não me importo que chores com “Não Desisto de Ti”. 

Não conheço melhor forma de definir o amor. 

E seria capaz de fazer-te bebés porque são o teu ventre. 

Odiar o meu táxi se me afasta de ti. 

Escrever só nas tuas costas sem que ninguém mais me leia. 

Não conheço melhor forma de definir o amor. 

Por isso, se algum dia sentires que o mundo se desmorona, cai sem medo. 

E abraça-te a mim. 

Cairei contigo na décima segunda parte desses 9,8 metros por segundo ao quadrado. 

O choque, qualquer golpe, será de brincadeira. 

Simplesmente isso. 
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