Cada vez que me visto pela manhã, sinto que estou a
disfarçar-me de uma pessoa que não sou.
Visto o mesmo par de calças e a mesma camisa de todos
os dias, coloco no meu rosto uma máscara que me faz ver como alguém que não
quero ser, tomo o café com leite (para encher a “caneta”), meto uma
"bucha" no papo e abalo para o trabalho.
Subo ao autocarro carregando com o peso de um disfarce
que me custa desfilar.
Saio, caminho uns quarteirões, aperto o nó da gravata
para que não se notem os defeitos, pulo escada acima até à minha “toca” de
trabalho, ligo o computador.
Volto a desligá-lo oito horas mais tarde.
Volto a desligá-lo oito horas mais tarde.
Regresso a minha casa esgotado.
São sete e pico da tarde, enquanto descalço os
sapatos, saco o disfarce e espero que me passem as dores de costas.
É verdadeiramente incrível o que pesa o “uniforme” de
trabalho.
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1 comentário:
Não será problema na Europa, há cada vez menos emprego.
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