O VIDEIRINHO

sábado, abril 11, 2015

BEIJADORES

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Rubens Gerchman - Série Banco de trás

Ontem à noite travou-se uma feroz batalha no assento traseiro do meu táxi. 

Viajava Boavista abaixo com um casal de passageiros sossegaditos e em silêncio quando, de repente, mediante um rápido e inesperado movimento, ala aproximou-se do seu adversário, encurralou-o segurando-lhe a cara com ambas as mãos, beijou-o na boca. 

Ele, por seu lado, empregou a típica estratégia bélica de deixar-se beijar: fez-se de vítima fechando os olhos e levantando as mãos em sinal de derrota. 

Três cruzamentos depois, a atacante começou a dar mostras de confiança afastando lentamente as suas mãos da cara dele. 

Mas então viu-se surpreendida pelo contra-ataque do beijado: inclinando-se para ela, meigo mas decidido, converteu a beijadora em sua refém. 

 

Empate a um. 

Ela, recém surpreendida, simulou a mesma estratégia de vitimada até que voltou a tomar a iniciativa. 

E nessa luta continuaram até ao fim do trajecto. 

Parecia, finalmente, que os dois tinham mais do que assumida a sua dupla condição de verdugo e preso: não sabiam beijar-se de igual para igual, assumindo forças, nivelando desejos, compartilhando os seus lábios a um mesmo nível. 

E talvez aquele método lhes funcionasse na perfeição. 

Talvez fosse este, precisamente, o segredo do seu êxito como casal. 

Assumir que são diferentes e, sem qualquer dúvida, complementares.
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sexta-feira, abril 10, 2015

- Lavo os dentes, a cara, os braços, o pescoço, as orelhas. 
Todos os dias vejo o correio. 
Todos os dias me masturbo. 
Dedico grande parte da manhã a preparar a comida para o resto do dia. 
Passo as horas mortas sentado folheando jornais e revistas. 
Intento, em diversas ocasiões, ao tomar café, convencer-me de que estou enamorado, mas a falta de dulçura indica-me o contrário !

BRINCAR ...


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A felicidade é património da infância e as crianças brincam. 

Por isso nunca devemos parar de brincar. 

A mim agora deu-me para brincar, no meu táxi, aos espiões. 

Simulo ser um espião disfarçado de taxista e observo minuciosamente os utentes do meu táxi. 

Durante o trajecto pergunto-lhes pelas suas vidas e anoto no meu caderno de espião onde e a que horas apanharam o meu táxi, como vão vestidos, qual será o destino em questão, com quem ficaram, ou melhor ainda, transcrevo as suas conversas telefónicas. 

Por vezes, quando saem do carro em direcção a um restaurante, uma loja ou um hotel que despertam as minhas suspeitas, espero-os escondido o tempo que for necessário (comendo amendoins e bebendo café em chávena de cartão) para depois os seguir a prudente distância. 

 

Mas depois, quando chego a casa e com os dados que compilei redijo o relatório final de acompanhamento, tudo se desmorona: não sei a quem enviá-lo. 

Não sei para quem trabalho. 

E este é, enfim, o drama que nos separa por e para sempre da infância, a rotura definitiva e irreconciliável. 

E é que nós, os adultos, necessitamos saber a todo o momento, para quem trabalhamos, quanto nos pagarão e se esse dinheiro nos dá para cobrir as despesas e obter algum lucro após os impostos. 

As crianças, no entanto, só brincam. 

Sem matizes. 

Sem consequências. 

E portanto, felizes.
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quinta-feira, abril 09, 2015

- Somos meninos disfarçados até ao dia em que esquecemos para sempre que levamos um disfarce !

PESADELO

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As transformações duravam uma só noite e cada vez que voltava a si, encontrava-se com uma faca na mão e uma garganta degolada. 

Despertava sempre no instante seguinte de ter degolado a sua vítima, quando a auréola de sangue começa a expandir-se por debaixo do corpo. 

Mas daquela vez foi diferente. 

Em vez de escapar e ocultar-se em sua casa, decidiu afastar-se do povoado e viver no bosque. 

A única forma de não assassinar pessoas, era não poder encontrá-las. 

Fiel ao seu plano, afastou-se o suficiente, como que, para no decurso de uma noite — tempo que duravam as suas transformações — não pudesse chegar até uma zona povoada. 



Assim fez e conseguiu o seu objectivo, até que certa noite, enquanto sofria uma das suas transformações, acordou com a garganta degolada. 

Afogando-se com o seu próprio sangue soube, que a besta que vivia nele tinha encontrado uma nova vítima.
06NOV2012
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quarta-feira, abril 08, 2015

– Evidentemente que o tamanho importa; mas nem sempre um tamanho grande é suficiente para estar à altura !

DIFERENTE ESCREVE-SE SEMPRE IGUAL

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Tu acreditas que és diferente. 

Mas não, és tão humano como os demais. 

Possuis medos e dúvidas e sujidade debaixo das unhas se te descuidas. 

E barba de três dias quando amanhece a segunda-feira e erecções involuntárias ou não, na fila do supermercado quando à “caixa” lhe faltam botões à altura do decote. 

Seres muito atrevido se o propões e pouca vergonha ainda que o não faças. 

E desculpas para todos os gostos e mentiras para cada ocasião e arrependimento que escondes debaixo do colchão para as noites e poderes dormir tranquilamente. 

E possivelmente um trabalho que mandarias à merda se não fosse o empréstimo (hipoteca) e uns filhos que não suportas, ainda que os queiras e uma mulher que não queres mas a suportas. 

 

E cada vez menos cabelo e mais rugas e um bom carro d'alguma marca de prestigio para depositar a tua atenção e o tempo que te resta. 

Também pode ser que tenhas alguma mulher, que não é a tua, que te coloca as mamas em volta da nuca de vez enquanto. 

O que pensas, que és melhor que esse monte de merda que somos a humanidade? 

Desperta, porque a única diferença que existe entre as boas e as más pessoas é que, as segundas, cansaram-se de fingir.
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terça-feira, abril 07, 2015

- Maldita crise; até os cães da minha rua, estão cada vez mais magros !

OS ALI-BABÁS


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A pandilha ou farroupilha que nos chula, conseguiu um feito: a dívida soberana portuguesa ascende a mais de duzentos e seis mil milhões de euros, sim, duzentos e seis mil milhões, não duzentos e seis mil. 

Como me parece que ainda me recordo do que é dividir (tenho a calculadora na mão) resulta que nos toca ±20.000 de “pastel” per capita, incluindo as crianças de peito, ou seja, uma família de 4 membros (viris ou não) deve, para os ignominiosos do "grande poder", a intimorata quantia de mais de 20.000 euros de nada. 

 

E eu interrogo-me, como podemos comer e calar?  

Como podemos degustar tanta merda e ainda por cima agradecer-lhes por nos deixarem comer? 

Eu não devo um euro a ninguém; durante os lustros do cavaquismo continuei a viver na minha pequena casa e a pagar indignado, (cada vez mais indignado) mas a pronto, os meus gastos. 

Ou seja, declaro-me em rebeldia fiscal e ética contra estes estripadores que nos esquartejam vivos. 

Que confisquem as contas paradisíacas a banqueiros, políticos e empresários que ordenharam a vaca até a deixarem exaurida e ainda sobrará dinheiro para colocar na Saúde, na Justiça e na Educação, em lugar que lhes corresponde, num país que se autoproclama desenvolvido. 


NÃO HÁ CORNOS PARA TANTO CABRÃO, NEM TETAS PARA TANTO MAMÃO!!!
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domingo, março 29, 2015


- Se ainda não encontraste a pessoa certa não desesperes e vai comendo a pessoa errada, porque o que realmente interessa é andar alimentado !

VERDADEIRAMENTE VERDADEIRO


Porque não existe um único modelo ou ideal de mulher. 
Todas, por sorte, são diferentes.
Porque a beleza verdadeira tem mil faces.
Porque não importa que vistam 38, ou 40 ou 44… 
O que é importante é que tenham a medida certa!
Porque se as pregas são belas na roupa, por que não na pele?
Porque não valorizá-las pelo que são e pelo que fazem? 
E fazem muitíssimo, como donas de casa, médicas, estudantes, empresárias ou ministras.
Porque gostam da moda e do que está a ser realizado sobre a mesma e o que mais anseiam é serem elas próprias.
Querem disfrutar  e serem felizes como são.


 
ÉSTE
El mío, el importante, el que me dura;
perfecto como el jueves o el verano.
Éste que nunca pierdo, casi hermano,
lo menos frío, la mayor dulzura.

El comparable a un soplo en la cintura,
y la inocente mano de mi mano;
el acostado a sollozar temprano,
el que tiene también de mi locura.

Éste que se sonríe de ser hombre,
éste de absurdo mal, de fruta en nombre:
mi propio enorme corazón enorme.

El necesario celestial testigo
de mi absoluta palidez de trigo,
que me besa por dentro cuando duermo.
Oliver Labra, Carilda
 

A Mulher Verdadeira não se envergonha das suas carnes, não esconde as suas estrias nem a sua celulite. 
A Mulher Verdadeira está feliz consigo mesma porque o Homem Verdadeiro encontra-a irresistível sem muitos retoques, tal e qual como ela é. 
A Mulher Verdadeira tem os mesmos mamilos sensíveis e as mesmas costas que as demais. 
O Homem Verdadeiro entesoa-se com o seu cheiro a mangas maduras e o seu sabor a sal. 
Ele mete os seus dedos entre o matagal emaranhado de cabelos sem pentear e degusta as costas curvadas da Mulher Verdadeira. 
Ela empina o cu sem pudor, como toda a Mulher Verdadeira, puta e provocativa. 
A Mulher Verdadeira diz palavras sujas e morde os lábios, degustando o sabor da ousadia. 

 
 
Ao Homem Verdadeiro dá-lhe uma aguilhoada de desejo cada vez que ela o olha com olhos de pantera e se estira e revolve entre lençóis, porque sabe que a Mulher Verdadeira está à disposição e chama-o. 
A Mulher Verdadeira conhece os reveses do amor e despe-se de preconceitos e dos “ai não” antes de apresentar-se ante o Homem Verdadeiro; seu dono e senhor, seu servente e vassalo. 
O Homem Verdadeiro sempre a possui, agradecido e devolve-lhe o favor com suspiros que a ela lhe saem de entre as pernas em forma de borboletas molhadas. 
A Mulher Verdadeira não teme nada. 
A Mulher Verdadeira experimenta tudo. 
A Mulher Verdadeira aguenta tudo porque o Homem Verdadeiro adora-a.
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sexta-feira, março 06, 2015


- Depois de sairmos de um hospital (SNS) e de observarmos as pessoas sofrendo nos corredores porque, alguns deles, simplesmente não podem morrer num quarto é que se percebe o valos das coisas… e da vida !

A “DESMÁSCARA”

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Começo a ver os frutos da deterioração no sistema educativo deste país e agora entendo que não é uma deterioração casual, mas sim cruelmente premeditada. 

Por detrás esconde-se a estratégia de nos tornar imbecis, submissos, para aniquilar qualquer lampejo de pensamento crítico. 

Educam-nos para escolher uma única opção e agarrarmo-nos a ela. 

Educam-nos no branco ou no negro, no comigo ou contra mim. 

Educam-nos para não duvidar, nem comparar, nem pensar antes de falar. 

Nem depois de falar. 

Educam-nos para opinar sem ter reflectido antes o que dizemos: do acto reflexo da boca sem passar pelo cérebro. 

 

Procuramos argumentos que justifiquem os nossos actos e não o contrário. 

Primeiro actuamos e depois construímos as desculpas necessárias. 

Além disso blindamo-nos contra as demais opções. 

Não escutamos nem analisamos argumentos contrários aos nossos. 

Só defendemos o próprio e acreditamos reforçá-lo atacando o contrário. 

Clara demonstração disso são os distintos meios de comunicação deste país, ou pelo menos a maioria deles. 

Já não informam: adoutrinam. 

Só servem para reforçar uma postura na base de menosprezar a contrária. 

Acabou a autocrítica, morreu a dúvida. 

 

Somos fieis a um tal diário, fieis a uma linha editorial. 

Agora os colunistas, os directores, ou as estrelas da rádio são gurus que te dizem o que tens de pensar e, deste modo, evitas o esforço de pensar por ti mesmo. 

Sucede-me amiúde no meu local onde tomo café, no meu meio. 

Escuta, por exemplo, qualquer discussão de bar. 

Não opinam: repetem o que já disseram outros. 

E quanto mais pobres os seus argumentos, mais gritam. 
26DEZ2013
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quinta-feira, março 05, 2015


- O beijo é um truque da natureza, para calar as palavras quando se tornam desnecessárias !

SEXO E RAÇAS…

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Não é muito natural fazer amor com uma fêmea de outra raça; nem falar se caiu do céu. 

São outras as suas zonas erógenas e percorrer o mapa do seu corpo torna-se difícil quando não estamos treinados. 

Nada está no lugar esperado, nada resulta como se previa, vamos perdendo o interesse se não surgem as respostas adequadas aos nossos devaneios sexuais. 

Leva tempo. 

Sofre-se. 

Provoca-nos confusão. 

Aterroriza-nos. 

Sem dúvida que ao cabo de um certo tempo e se conseguirmos superar as adversidades, o prémio far-nos-á ver que valeu bem o esforço. 

Então para a frente! 

Não há nada mais estimulante que abrirmo-nos a novas experiências. 

Ainda que após tudo, as fêmeas, mesmo as mais próximas, sempre nos parecerão extraterrestres.

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quinta-feira, fevereiro 26, 2015


- Não sou das pessoas que dizem: 
“Acabarás na minha cama de qualquer maneira”; prefiro dizer : 
“Acabar na minha cama, em qualquer posição” !

TRUCA-TRUCA

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Ela só queria que alguém lhe escrevesse duas letras nas suas costas desnudas com o dedo indicador como pena e, como tinta, a humidade do seu baixo ventre. 
Só queria que umas mãos experimentadas em desapertar sutiãs lhe roubassem o seu, passassem e repassassem com ternura  a língua nas “bolinhas-botão” que o mesmo esconde por debaixo. 
Não queria, nem heróis nem príncipes azuis, só um homem vulgar que fosse capaz de pontar-lhe um mundo do seu agrado. 
Não queria poetas que a descrevessem em mil versos, queria que a desejassem tanto, que não fossem capazes da descrever nem com todas as palavras do mundo. 

 

Em pequena quis ser princesa e veterinária e quando cresceu quis aprender a acreditar nas mentiras do homem antes de um orgasmo. 
Tão-pouco desejou, quer músicos quer trovadores, preferia os tipos narigudos que lhe tocassem violino nos seus lábios escondidos. 
Queria inventar um licor que matasse todas as penas subitamente e que não provocasse ressacas. 
Que os espelhos lhe mentissem e que o vizinho do quinto não estivesse tão calvo, nem tão casado. 
Ela só queria que alguém lhe fod***** (“lixasse”) a alma e se suicidassem todos os seus complexos.
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