O VIDEIRINHO

segunda-feira, outubro 20, 2008

SONHAR COM PRAZERES CARNAIS


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Belém Fabra, durante a apresentação do filme "Diário de uma Ninfómana"

Que uma mulher lhe apeteça ter relações com uberdade não se pode considerar uma patologia.

É a palavra ninfomaníaca tão escandalosa como indignosa?

A maioria dos sexólogos esclarecem os limites entre apetência e compulsão.


A estreia da película, "Diário de uma ninfómana", actualizou o sempre polémico tema da ninfomania, tanto que em Madrid, foi colocado um travão ao cartaz de publicidade, segundo denunciou o director filme, Christian Molina.

Torna-se surpreendente que a palavra ninfómana cause tal ataque de moral.


Qual é o problema?

Parece-me que é socialmente aceite o facto de que uma mulher pode dar rédea solta aos seus desejos sexuais com a mesma liberdade que historicamente o homem sempre desfrutou.

Já não estamos no séc. XIX, quando o puritanismo reinante gerava tratados como o "Psicopathia sexualis", em que o psiquiatra alemão, Krafft-Ebing, coetâneo de Freud e catedrático de Psiquiatria em Viena, "demonizava" a sexualidade não criativa.

Assim, não duvidava qualificar a ninfomania como uma enfermidade de degeneração psíquica, que podia desembocar num colapso mortal.

Durante anos foi considerada uma enfermidade e difundiu-se uma visão negativa do desejo, como algo perverso e nocivo para a saúde, tanto física como mental.

Os homens inundam os seus sonhos eróticos de mulheres insaciáveis que sempre pedem e querem mais.

Mas na hora de enfrentar-se com uma destas femininas personagens, aquelas para as quais o sexo as satisfaz mais que comer com os dedos, manifestam-se esses temores herdados.




A sexualidade feminina sempre esteve fechada a sete chaves.

Abrir a fechadura e deixar que esse desejo circule livremente, custou séculos de luta pela igualdade e, (para mim, muito mais importante), pelo respeito pessoal.

Sem dúvida que a ninfomania ainda suscita receios.

Do ponto de vista clínico, a ninfomania não é tratada em si, mas sim a compulsão e a obsessão relacionada neste caso com o sexo, cuja terapia é similar à que se aplica a um adicto da comida, das compras, ou das emoções limite, por exemplo.

O mesmo é dizer que a voracidade sexual não é um problema.

O conflito explica a existência de um transtorno obsessivo-compulsivo.

Um amigo, a quem recorri, disse-me que em 20 anos, nunca tratou uma só ninfómana.

Se uma pessoa deseja manter relações sexuais consentidas, nada nem ninguém deve etiquetar quando é muito ou pouco.

Para alguns, três vezes por semana será muito e para outros, seis, é sinal de escassez.

Serão 15 encontros sexuais demasiado?


E quem é que não gostaria experimentar um frenético ritmo sexual durante uma temporada?

Na realidade, a ninfomania é um conceito mais literário que clínico, o termo provém das ninfas gregas e também se associa com os lábios menores que também se denominam ninfas.



Belém Fabra em actuação no referido filme.

A definição masculina, para o mesmo apetite desmedido por sexo seria satiríase, mas ambas as expressões, mesmo a nível médico não são empregues, ou utilizam-se muito pouco.

Façam como eu costumo dizer:

A LIBERDADE DE VIVER A SEXUALIDADE AO GOSTO DE CADA UM É O PRIMEIRO MANDAMENTO !!!



6 comentários:

claras manhãs disse...

Estou de acordo.
Viver ao ritmo que nos satisfaça e fazer o que se queira, desde que consentido, é tudo normal.
Num dos cursos que tive, tive uma cadeira de psicologia que era dada por um psiquiatra.
Falou-se de sexo anal, que eles considerava uma tara.
Eu tinha 25 anos e deu uma discussão do caraças quando lhe disse que estava errado.
O homem perguntou-me o que eram para mim relações sexuais NORMAIS e a resposta foi parecida com a tua.
TUDO QUANTO DOIS SERES, DE QUALQUER SEXO QUEIRAM FAZER E LHES DÊ PRAZER.
O resto é conversa.

inespimentel disse...

Estou tb de acordo e diria ainda que mais uma vez a qualidade é uma referência importante... a quantidade nem tanto...

Carlos Rebola disse...

Parece que a chamada abstinência sexual ou castidade é que causa muitos problemas ao contrário duma sexualidade ao ritmo de cada um a dois.
Estou de acordo que a compulsão e a obsessão pela comida ou pelo sexo careça de alguma terapia, tanto no género feminino como no masculino, mas o comer e o fazer sexo são necessários para se ter uma vida saudável e de qualidade. O corpo e o espírito agradecem.

Um abraço
Carlos Rebola

xistosa, josé torres disse...

Claras Manhãs

Estou com uma dor de cabeça que nem consigo concentrar-me no que quero dizer ou escrever.
Li algures que o homem habituou-se a comer a carne de 5 ou 6 animais e desprezou os outros que nos podem fornecer as mesmas proteínas.
Na Ausrália, vão começar a comercializar carne de canguru ... os chineses comem cães e gatos, que são animais mais limpos que o porco.
Talvez as nossas raízes não nos permitam pensar de outra maneira, porque são séculos sobre séculos.
Eu concordo, apesar de já ter comido gato selvagem sem saber ... o que era, (em Angola) e gostei!
No amor e no sexo, se temos um parceiro(a) certo(a), temos que fazer como nas carnes que comemos dos mesmos animais ... gralhadas, fritas assadas, cozidas ... escolhem-se as maneiras de fazê-las.
No sexo, escolhemos a maneira de fazê-lo, (que dê prazer ao casal ou parceiros).

xistosa, josé torres disse...

Inespimentel

Tenho médicos na família, mas foi aos estranhos que fui recolher muita informação e o que li na Net.
Depois, posso ter dado um toque mais pessoal e talvez vá de encontro à parte científica, se é que existe.

Por vezes nem é a qualidade e a quantidade, é a obrigação de quando nos deitamos ... pimba ... aí vai disto!
Pode até não apetecer aos dois, o que sucede muitas vezes, mas marcámos o dia e temos que assinar o ponto.

Por isso é que gosto da vida que levo ... a minha mulher até tem acanhamento, ao fim de 35 anos ... e por vezes diz-me que sou maluco ...
Mas depois, quando estamos a fazer uma refeição ou a conversar, dá-me razão.
Somos animais como os outros ... no sexo não existe racionalidade.
Mal de nós que tivéssemos de consultar o "alfarrábio".

A vida é para ser gozada de maneira que dê prazer aos dois.
Não vou dizer quantas vezes me apetece e faço ... mas se for 1 vez por semana, ou 5, é igual ... há períodos mais entusiasmantes, quer para a mulher quer para o homem ...
Na minha idade aproveito o que posso, há hora que posso e quando nos conseguimos entender os dois.

É a vida a dois na sua plenitude e de acordo com as regras feitas por nós, o que ainda é melhor e mais entusiasmante ...

xistosa, josé torres disse...

Carlos Rebola

Talvez se possa viver sem sexo e pode-se ...
Sem a alimentação é que é impossível ... pelo menos ao fim de algum tempo.

A sexualidade tem que ser feliz e agradável para o casal, ou parelha.

Fui sempre rebelde e isso tornou-me no que sou hoje ... para algumas coisas não tenho horas nem locais ...
Mas a vida em tudo é metódica, até de mais, porque por vezes as discussões surgem por coisas banais de "lana caprina", mas agora já não mudo.