O VIDEIRINHO

sexta-feira, dezembro 11, 2009

NATAL

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O que ocorre por estas festas natalícias?

Depois de pensar muito e profundamente, cheguei à conclusão de que as principais coisas que ocorrem é que mandamos ás malvas todas as dietas e também os nossos cartões de crédito, os nossos corpos engordam e a nossa carteira fica anoréxica.

As nossas casas convertem-se numa espécie de “castelo de chocolate”, grinaldas por tudo o que é sítio, luzitas
intermitentes, até no tapete da entrada, o presépio rouba-nos metade do salão a árvore de natal a outra metade, portanto, vivemos todos, uns dias muito comprimidos, entre a decoração, os parentes e as amizades que vêm felicitar-nos e comer à borla as passas.

É quase um mês que não podes mover-te com liberdade mas podes mandar o pobre S. José, os pastores, o menino e até algum rei com ou sem camelo, apanhar caracóis no monte, pentear macacos ou “cardar a melo” (em português vernáculo, mandar á merda).

Nestas festas sofremos uma metamorfose aguda.





Não sei qual a razão que nos ataca para colocar tudo com neve.

Aos vidros enchemo-los de adesivos e engorduramo-los com o spray, efeito neve, que mais tarde não há forma de o retirar.

Mas se em Belém nunca neva, que mania é esta que temos de colocar neve por todos os lados?

Não paramos de repetir que o menino Jesus está gelado, que tem frio e fome e eu que o diga.

Mas se S. José era empres
ário autónomo, tinha a sua oficina própria de carpinteiro.

E veja-se o que ganham os carpinteiros por qualquer coisita que façam.

Não nos esqueçamos dos efeitos sonoros.

Entres onde entrares, está o chim-pum,
chim-pum ou trim-trim das campainhas.

Oiçam como bebem aqueles peixes no rio e as tuas visitas.

E como bebe esse primo que te vem visitar.

Agarra-se á garrafosa de algo em casco de carvalho, ou fora dele , ou ao que pertence à malta ou é de malte e depois, qual macaco, pretende trepar pelo casco da árvore de Natal.



A miudagem corre por toda a casa pondo-a em pantanas, fechos untuosos, portas besuntadas e a carpete cheia de migalhas espezinhadas, porque século após século, temos que os atafulhar de bolos e bolachas.

Tudo se enche de algo, seja do que for.

Necessário é comprar … comprar …

O chão de serrim do nascimento e de espetos secos de abeto, a caixa de correio e de felicitações, cheia com propaganda que tens de responder sem tão-pouco te lembrares de quem são as amabilidades.


Os pedidos de dinheiro chovem; do homem do butano (mas como, se não uso butano?), do picheleiro (canalizador, encanador), (mas como, se nunca chego
u a vir?), do varredor da rua, (mas se a rua está miseravelmente suja?), o arrumador de serviço à tua porta (aquele ser esquizofrénico que te revolta o dia quando o encaras), os lixeiros que deixam a rua enfeitada quando da sua passagem … enfim … aparecem como moscas, por vezes até o ladrãozeco da tua rua quer algum dinheirito.



Tudo e todos nos confundem com a Segurança Social ….

É só pedir ... pedir ... e mendigar, das rádios ás televisões, do supermercado à esquina da rua da tua mercearia, das avalanches de solicitações na caixa do correio, ao teu vizinho que te vem pedir para aquela organização que só ele e os amigalhaços gerem e cuidam.

A miudagem portuguesa, que tem nos genes a malícia ibérica, agarram-se a todas as tradições vindas do estrangeiro, esperando pelas ofertas tradicionais e outras mais m
odernas, que são as mais esperadas.

Os adultos passam o dia 24 fazendo: Jo!, Jo!, Jo!, Jo!, Jo!

E dando murros na porta de entrada porque não têm chaminé.

Falemos do menu, pois que dar e andar ... cansa!

Todos a comerem peru até ao gasganete!
(Oiçam! A mim apetece-me uma sopa de agriões).

Comer peru e bacalhau!


Tudo bem atafulhado de gostosos e gordurosos acompanhamentos, até chegar com o dedo.

Não esquecendo uma boa pinga para empurrar.

Não te queixes porque és taxado de não teres espírito natalício.

Para rematar a faena (nunca foi tão bem equiparada) preparamo-nos para despedirmo-nos do ano, não sem antes sermos assaltados na nossa economia.



Tens que comprar um fato de cartola, com algo brilhante que apesar de ser miserável, custa-te uma pipa de massa.

Sapatos a condizer e o mais caricato é que tens a certeza de teres poucas oportunidades para voltar a vestir o cenário.

O teu parente fica de mau humor porque a casaca está apertada e não a consegue abotoar (pudera! A comer e a beber á tua custa, foi um “vê se te avias”), já que a dieta da toranja, esvaiu-se quando entrou em tua casa e nunca o conduziu a um bom final.

E os botões de punho da camisa não aparecem em lado nenhum (marcharam com a gravata).

O menu do jantar de fim de ano custa-te mais ou menos como a entrada -
como sinal - daquele andar, no condomínio fechado dos teus sonhos.

E quando te servem o primeiro prato,
medalhão de peito de ave afrodisíaca da Ilhas da Páscoa, com molho e setas (ou cogumelos) fumadas com lenha dos bosques franceses”,
a primeira coisa que te vem à cabeça é que será o ventre dalguma pomba com diarreia das que voam e cagam toda a gente, nas imediações da Avenida dos Aliados e não só.




“Mamã, mamã, Se Deus nos dá o que comemos, a cegonha traz os bebés e o Pai Natal os presentes no Natal. Posso saber para que serve o papá ?"



Menos mal que chega Janeiro e voltamos á normalidade, ás dietas e a tentar cumprir os bons velhos propósitos que sempre fazemos ao entrar num novo ano.

E agora, saindo do comboio do humor, quero deixar claro qu
e apesar de ter parodiado esta “maldita” época do ano de festas e comezainas, fico encantado com tudo isto e vivo intensamente junto aos meus, o desejo de rapidamente chegar o dia 2 de Janeiro.

Uf! Que alívio!

Bem, para quem não é maculado moralmente como eu, deixo o desejo a todos os meus leitores que sejam muito felizes, passem umas festas inolvidáveis e que para o ano se cumpram todos os vossos sonhos e projectos.

Ah!

Não se esqueçam de
NÃO comer peito de ave afrodisíaca da Ilha da Páscoa.

Festas Felizes para todos e não cuspam para o ar - ou mesmo para o chão - as grainhas das uvas
passas.

BOM NATAL!!!


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3 comentários:

Anónimo disse...

Bom Natal, para ti Xistosa!
Cá por mim ri a bom rir, achando que tens muita razão, mas sabendo que fico com o olhar comovido com o sorriso estapafurdiamente feliz do neto mais novo que ainda acredita no pai natal

beijinho

xistosa, josé torres disse...

marta

Talvez até faça bem acreditar no Pai Natal.
Abstraímo-nos de tudo quanto nos rodeia e que é altamente maligno.
E não é a gripe ...

Um bom Natal.

Fá menor disse...

Infelizmente, a esta festa, e não só a esta, se tem cada vez mais tendência para dar relevo ao lado mais material.
Natal é nascer, [re]nascer em cada novo ano; e o que é que nos renasce???...
pois...
que cada um fale por si.

Abraços