O VIDEIRINHO

quinta-feira, junho 05, 2014

SABICHOSOS (Parte I)

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Quantos foram ou são os sábios? 

Depende do que cada um entenda por sábio. 

Se tomamos a palavra no significado original dos gregos, nenhum, já que os homens não podem chegar a ser sábios, senão somente “amantes da sabedoria”. 

Sócrates (não o ‘sábio contemporâneo’ que todos conhecemos, rsss,rsss, mas o do séc. V a.C.), dizia que só é sábio o que sabe que não sabe nada: “Só sei que nada sei”. 

Segundo o poeta, escritor e humanista espanhol, Fray Luís de León, tem havido poucos, conforme diz num conhecido verso: 
“os poucos sábios que no mundo o terão sido” (ODA I - Vida retirada). 


Para os primitivos japoneses, muito anteriores, sábios eram os homens que tinham aprendido os ensinamentos dos três místicos “macacos”, não ouvir, não ver e não falar. 

Vendo-os juntos, um tapando a vista, outro os ouvidos e o terceiro a boca, compreende-se de imediato que já, nesses vetustos tempos, se regiam pelo princípio incrédulo de que a sabedoria era perigosa e que era muito mais segura a ignorância. 

Um certo miúdo meu conhecido, tão-pouco sabe quantos há no mundo, mas de uma coisa tem a certeza, o seu pai é um deles. 

E expressa-o desta maneira: 
“O meu ‘velho’ sim, é um sábio, vive os dias bêbado e não se preocupa com nada”. 


Para Enrique Santos Discépolo (conhecido como Discepolín) o filósofo dos tangos argentinos, é impossível sabê-lo, porque nada nem ninguém é melhor, tudo é igual “até mesmo um burro / que um grande professor “ e vivemos espezinhados, todos no mesmo lodo. 
(Cambalache). 

Um antigo provérbio israelita afirma que, sábio é quem “escuta uma palavra e entende duas”. 

Há ‘milhentas’ opiniões sobre sábios em todas as culturas, mas de nenhuma delas se pode inferir quem o foi ou é, nem quantos houve ou há no mundo. 

 
Ninguém se daria ao trabalho de rastreá-los nem de verificá-los. 


Shakespeare disse que são uns quantos mais do que os parasitas; Montaigne opina que sábio é aquele homem que vê mais do que deveria ver, mas menos do que pode; o francês Philippe Quinault sustém com prudência que sábio é quem não é mais do que o necessário. 

CONTINUA…
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