.
… CONTINUAÇÃO
Neste negócio de fariscar pelos livros, para os autênticos sábios, é curiosa a persistente relação que os autores encontraram entre a sabedoria e a mulher.
São ostensivamente misóginos, inimigos do género feminino.
Zombam das mulheres e descarregam os seus fracassos amorosos; não há sábio a quem uma mulher não engane; se uma mulher é sábia, não a deixes entrar em tua casa; a mulher que sabe é tão estúpida como o homem que maquilha a cara; uma mulher literata é um erro da natureza; o ouro prova-se com o fogo, a mulher com a sua ignorância.
Até aqui nada se avançou; não é possível saber quantos sábios podem existir, mas a mulher não pode ser.
Entre os antigos gregos, circulava pela boca do povo o nome de sete sábios, cada um baseado numa cidade diferente, conhecidos por criar uma série de aforismos ou frases memoráveis que foram consideradas um verdadeiro guia para a vida.
De Sólon, mencionava-se:
“nada com excesso, tudo com medida” e os outros tinham os seus próprios ditos ou sentenças.
Analisadas as suas biografias, seis deles foram políticos e só este Sólon, filósofo e matemático (Sólon de Atenas).
Hoje em dia, pelo contrário, não se conhece nenhum político sábio nem letrado ou erudito.
Afirmam terem lido, mas não podemos acreditar.
É curioso, mas a qualificação de sábio não se aplica a nenhum poeta, músico, historiador, dramaturgo, teólogo, mas circulam rumores que existe uma tendência favorável para aplicá-lo aos jogadores de futebol (sábios do pé) e aos corredores automobilísticos (sábios da roda).
Se eu tivesse autoridade para fazê-lo, proporia uma nova denominação a um tal Helbert Hubbard, (ou Elbert Hubbard), pela sua frase:
“Todo o homem está condenado a ser louco cinco minutos ao dia; a sabedoria consiste em não exceder esse limite”.
E por que não a minha própria candidatura... eu que criei a frase:
“Sábio é o que se conforma com não sê-lo”.
Só conheço um; mas esse, como prima pela humildade, só sei dele quando me olho ao espelho.
.



Sem comentários:
Enviar um comentário