O VIDEIRINHO

terça-feira, junho 03, 2014

VIAJANTES APÓLIDAS

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Caminhas só pelas ruas de uma cidade que não conheces, que não é a tua e no entanto não encontras nenhuma diferença: sentes os mesmos edifícios, as mesmas luzes, os mesmos táxis. 

Os transeuntes também têm unhas, cotovelos e joelhos e até ossos por dentro. 

E movem-se. 

Respiram. 

Alguns beijam-se. 

Ou bebem água, ou cerveja, ou café nas esplanadas. 

Ou falam ainda que tu não entendas patavina do que dizem. 

Continuas a caminhar rua abaixo, como a água e os teus passos levam-te até uma praça com um monumento de aspecto antigo. 

Aproximas-te e olha-lo só porque os demais também o olham.

 
 
Todos tiram fotos menos tu.  

Todos querem recordar menos tu. 

Todos confiam no bem que envelhecerá o seu presente. 

Valentes ou ingénuos todos. 

Menos tu.  

Diversos guias turísticos explicam aos seus respectivos grupos os porquês do monumento.

Um deles leva um distintivo do teu mesmo país. 

Acercas-te e saúdas, mas ninguém te parece conhecer.

Nem sequer a guia. 

Para que servem então as bandeiras? 

E ainda que falem no teu mesmo idioma não entendes nada. 

Fazem parte do teu país, mas não são o teu mundo. 

Então aí te dás conta do lugar que ocupas. 

Turista sem pátria.
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3 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Portugal também tem um parque sexual, o parque Eduardo VII.

Táxi Pluvioso disse...

... só que as estátuas estão vivas.

xistosa, josé torres disse...

Táxi Pluvioso

Muito mais excitante.
Foi aí ou ali que o Portas se notabilizou...