O VIDEIRINHO

quarta-feira, junho 04, 2014

DE CHOFRE!!!

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Foi ele que deitou a mão ao fecho e abriu a porta do meu táxi. 

Mas só ela entrou. 

- Não entras? Perguntou-lhe. 

- Não. Não posso. 

- Porquê? Retorquiu ela. 

- Marta... já não te amo. 

- Como? 

- Tenho estado a pensar e… é isso. 
Que já não te amo. 

Não houve mais palavras. 

Talvez ele procurasse alguma reacção nela, mas ao não a encontrar fechou a porta e foi-se... caminhando rua abaixo. 

Ela e eu permanecemos em silêncio. 

Ainda não me tinha indicado o destino previsto quando entrou no meu táxi, justamente antes daquele “já não te amo”. 

Optei por não dizer nem fazer nada. 

Não iniciei a marcha nem accionei o taxímetro. 

É melhor não tocar nos sonâmbulos. 

Entendi perfeitamente o seu bloqueio. 
 
 
 
Não conheço frase mais inesperada: “já não te amo”. 

Ninguém espera escutá-la nunca, nem muito menos mastigá-la, assumi-la. 

Soa como uma guilhotina a cair: “já não te amo” sssstchh. 

E a alma mutilada rodando, sem sangue. 

Não há sangue porque te deixa seco. 

Tão-pouco existe um plano B. 

Não é um desvio brusco do guião, senão outro filme.

Quem achas ser o protagonista, nunca morre na cena do táxi, mas no final, pouco antes do preto do final e os títulos dos créditos do filme. 

Necessitamos de diálogos que expliquem as roturas, não um título e um bater estrondoso de portas. 


Necessitamos mastigar a tragédia para não nos engasgarmo-nos com ela. 

É insuportável a incerteza do já não te quero. 

Já?, agora?, a partir deste preciso momento em adiante? 

Existe esse preciso momento? 

Onde está a linha da fronteira? 

No puxador da porta do táxi? 

Nota: 
O que aconteceu depois, quando finalmente conseguiu sair do seu bloqueio, guardo-o para uma próxima oportunidade. 
É demasiado denso, intenso e... até a paisagem se incendiou.
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1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

Agora com o carro sem motorista da Google, estas cenas desaparecerão e toda a gente quererá toda a gente.