O VIDEIRINHO

terça-feira, setembro 06, 2016

CARNE DE BARRO

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- “Puta”!, disse-lhe ao ouvido e meteu-lhe a língua. 
Ela franziu o rosto um pouco. 
“Não gostas que te chame “puta”?” 
Ela sorriu e continuou roçando os quadris contra as coxas dele.
Sempre as colocava de quatro e a todas chamava “puta” enquanto as penetrava profundamente. 
As respostas eram muito díspares e matizadas. 
Tudo dependia da mulher em questão. 
Algumas ofendiam-se e revelavam-no, então tinha que amordaçá-las, amarrá-las e dizer-lhes, “és puta e vê lá se te meneias!”. 
Outras riam maliciosamente. 
Algumas ficavam loucas com a palavra e ele desfrutava. 
O que ninguém sabia era que “puta” era o nome da mulher que a mente devorava, cada noite, na pele daquelas que recebiam as quatro letras idiotas, pronunciadas com sanha e rancor. 

 

“Puta” era a que não podia possuir e tornou-se um ritual o possuí-la na carne de todas as outras. 
“Puta”  era a que lhe revirava o mundo ao contrário com palavras cínicas e humilhantes, mas lúcidas. 
“Puta” era a que lhe provocava erecções inesperadas e incontroláveis com o seu aroma a frutas. 
“Puta” era a que adivinhava tudo o que estava a pensar e lho esfregava na cara, que era dona da sua mente e que não podia removê-lo mesmo que quisesse. 
Enquanto ele segurava uns cabelos loiros e sussurrava o “puta” de sempre, ela sorvia um café e lia um livro na tranquilidade de seu quarto, mal suspeitando que um homem, nalgum lugar do mundo, a tornava eterna com uma palavra.
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