O VIDEIRINHO

sexta-feira, setembro 23, 2016

MORBIDEZ

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“Como é que ele me vê?”, interrogou-se. 
Levantou-se e colocou um longo espelho junto à janela. 
Pô-lo de pé, apoiando-o numa cadeira. 
Depois, olhando-o, sentou-se em frente a ele, sobre o tapete, e abriu lentamente as pernas. 
A visão era encantadora.”
Anäis Niu



Poderosas imagens pululavam a sua cabeça. 
Surpreendia-se a cada instante, perdido nelas. 
As pupilas dilatadas, os olhos sem pestanejar. 
As mãos que não tremiam, sempre suaves ao tacto. 
Os dentinhos, deliciosamente dolorosos na pele e os lábios carnosos ao redor destes. 
A saliva líquida no pequeno hematoma. 
Não deixava de pensar na calidez e no sabor daquela saliva na sua pele. 
O abraço terno, a negativa, a recordação de umas calcinhas muito molhadas e ele sonhando com o cheiro desse mel. 
O tremor de sua voz e os ofegos, gemidos que queriam dizer “não”. 
A silhueta semidesnuda ao sol. 
As ancas como ondas, a cintura estreita, as coxas de deusa. 
Um traseiro de potra e as pernas fortes de andar em saltos altos.



O cabelo nos olhos, os lábios vermelhos, o aroma a mulher. 
Toda ela era um símbolo de tortura. 
A cada palavra doíam-lhe as têmporas. 
Cada roçar sentia-o na virilha. 
Somente poderia desfazer-se do suplício se lhe tirasse a vida e assim o fez. 
Um dia, já louco de fúria, pegou-a por um braço e apertou-lho com força. 
Reteve-a com os seus braços de titã e subjugou-a até que ela não se pudesse mover. 
Assim, reduzida a nada, apertou os seus lábios contra os dela e beijou-a pela primeira e última vez, enquanto fechava os seus dedos longos em torno do pescoço de cerva. 
Ela retorceu-se com todas as forças e ele cravou os dentes nos seus lábios até fazê-los sangrar. 



Os gritos foram-se extinguido e convertendo em ofegos guturais, até que o som de ossos a quebrar e o peso dela nos seus braços, confirmaram-lhe que estava morta. 
Quando a depositou no solo é que deu conta de que tinha ejaculado e continuava muito excitado. 
Rasgou-lhe o vestido e manuseou entre as coxas dela, ainda quentes. 
Estava húmida. 
Penetrou-a com fúria até não poder mais e teve outro orgasmo. 
Deixou cair o peso do seu corpo sobre o cadáver da mulher que amava e que acabava de assassinar. 
Começou a soluçar como uma criança e por fim compreendeu que há amores que morrem e há amores que matam.


(… e com esta ideia rondando a sua fronte masturbou-se alegremente, e ao conseguir o seu terceiro orgasmo, fechou os olhos e deixou que a morte o viesse procurar para se encontrar com sua amada no além…)

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