O VIDEIRINHO

segunda-feira, setembro 12, 2011

O DUENDE

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Naquela época não tinha lugar onde viver, a minha parca economia não dava para o aluguer de um andar como toda a gente e finalmente tive que me conformar com a alocação de uma casa assombrada. 

O lugar, ainda que se encontrasse bastante afastado de meu trabalho, era cómodo e sacava-me do apuro, para além de ser bastante em conta. 

Mas desde o momento em que fui vê-la soube que o espírito que habitava a casa ia ser um problema. 


Carlos, como o baptizei, a princípio era insuportável. 

Nunca dormia, tinha um temperamento como poucas vezes vi, mas pouco a pouco foi-se acostumando à minha presença e finalmente terminámos sendo muito bons amigos. 

Com o tempo consegui um trabalho muito melhor remunerado e resolvi mudar-me. 

A fazê-lo, propus levá-lo comigo para a nova casa. 

Nunca mais nos separámos. 

Hoje cumprem-se 234 anos desde que nos conhecemos.
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domingo, setembro 11, 2011

- A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda !

SENTIMENTOS



Um caloroso dia de trabalho, a brisa que entra pela janela, essa mistura de ar que sabe a humidade e a jasmim. 

O cheiro a Verão afastando-se sem esperança. 

Ao meu redor, solidão, a solidão das paredes nuas pela solidão, a solidão dos meus pensamentos, solidão da minha mente, solidão desperta, pensando na lembrança do ser amado que não se encontra a meu lado. 

Uma pequena gota resvala pela minha fronte e vai a estatelar-se no objecto do meu trabalho, a porta, que há que restaurar. 

Com parcimónia, a porta vai-se desembaraçando da pele que há muitos anos a cobriu e abrigou. 

Parece que a queixar-se, chateada, porque vou revelar o seu segredo. 

Já a tenho quase desnuda. 

Só resta uma parte, a parte que cobre o seu segredo. 


Recordo na minha infância, esses sulcos na terra que escondiam o tesouro do pirata de serviço, os dentes de dragão que mudavam os répteis alados, o lenço da princesa que despede o seu príncipe azul. 

O rodopiar do pião que perdia a cabeça no movimento da vida.

Quantas coisas, quanta imaginação desmedida, inocência perdida da juventude que já se começa a manifestar no meu corpo. 

As primeiras decepções, a crueldade do mundo, violento abanão na realidade. 

E de repente, com este simples e para muitos, inocente achado, acabo de me transportar a um mundo que não é nem infantil nem juvenil, talvez um fragmento da adolescência. 

Vejo aparecer, debaixo dessas demãos de esquecimento, uma forma que me é familiar, essa forma que inscrevem os namorados nas árvores, um coração tatuado e polido. 


Na minha cabeça começa a aparecer um monte de sentimentos, imagino uma jovem extasiada pelo sentimento mais belo do mundo, que sem saber da minha descoberta após todos estes anos, deixa o seu amor imortalizado nesta madeira. 

Depois desta grata surpresa entristece-me outro pensamento, essa mesma jovem escondeu o seu amor e emoção debaixo de demãos de tinta; começou com uma, mas eu retirei diversas camadas, ocultou o seu amor e emoção debaixo de demãos de esquecimento e betume. 

Mas estamos já perto do Outono e apesar dela não estar, continua a desenhar corações por toda a parte.
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sábado, setembro 10, 2011

- As respostas aos problemas profundos da vida não estão no fundo de uma garrafa; quanto muito, no ecran da TV (quando a desligas)!

A LOIRA

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Nunca antes tinha visto no meu táxi uma cliente como aquela, com o cabelo pintado de loiro e as raízes, as pestanas e as sobrancelhas vermelhuscas. 

Era uma dessas loiras de catálogo ou livro; com cara leitosa e sardas por todo o lado; no entanto, aquele tinto loiro conseguia standardizar e vulgarizar o seu aspecto. 

De “avis rara” a “emplastro de barro”. 

Quando a natureza nos presenteia com certas peculiaridades exóticas e belas (aquela jovem era bonita e sê-lo-ia ainda mais sem aquela pintura), tendemos sempre melhorá-las ou mantê-las intactas. 

Mas neste caso, em lugar de explorar o seu potencial estético, a fulana preferia pertencer ao imenso rol de “loiras artificiais” correndo o risco de ser denunciada.



Talvez não quisesse sentir-se fisicamente especial senão uma mais “comum”, ou quiçá não se sentisse 'conforme' consigo mesma e necessitasse das mudanças que fez. 

Daí o complexo mundo dos complexos (ou chame-se, talvez, conformismo): as loiras querem ser morenas, as morenas loiras, as de cabelo liso frisam-no e as encaracoladas, alisam-no. 

Todos costumam mudar de aspecto aproveitando mudanças importantes na sua vida. 

Uma nova etapa, nova coloração. 

Como se o físico influísse no seu interior. 

Ou como se o corante tivesse qualidades de penetrar no couro cabeludo tingindo também a sua psique.
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sexta-feira, setembro 09, 2011

- Nunca entendi muito bem a história sobre o génio que sai da lâmpada até ler sobre Thomas Edison !

DESERTIFICAÇÃO PÚBICA (Parte II)

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…CONTINUAÇÃO 



Mas voltemos à vaca fria… que nesta zona a "vaca" até é quente. 

Então retomando o tema – se é que o há – púbis e pêlos, são duas palavras inseparáveis. 

No entanto, a moda, a satânica, como disse, pedófila e anoréxica moda quer desterrar para sempre os idiotas do seu ninho natural. 

A moda procura acaso um regresso à infância? 

O impúbere é a base da moda de moda. 

Barbear rachas pela higiene? 

É vender uma grande mentira; é precisamente o contrário: 
“Acredita-se que as funções dos pêlos púbicos incluem a disseminação de feromonas e a protecção dos órgãos sexuais. 

Também é provável que outro dos seus propósitos seja o de comunicar a um potencial companheiro sexual que a pessoa que os possua é sexualmente madura e pode reproduzir-se. 


A penugem que cresce entre a parte alta das coxas e as nádegas ajuda a lubrificar estas áreas, fazendo com que os movimentos produzidos durante o coito sejam mais suaves e confortáveis (Wikipédia). 

Dizem que que os pêlos aumentam o desejo sexual e o prazer.

A moda feminina generalizou a subestimação pelos pêlos púbicos e no geral por todo o tipo de pêlos: nas pernas, braços, nádegas e onde quer que eles tenham a gentileza de crescer. 

Os biquínis contemporâneos não se podem usar sem previamente submeter o físico a uma milimétrica depilação. 

Nem sempre foi assim, como se pode verificar em fotos a preto e branco em que os negros matagais eram exibidos com orgulho. 

E também não o é hoje em dia noutras culturas. 

Consta-me que as nórdicas exibem sem problema nenhum as suas axilas lãzudas e mantêm intacta as suas inferiores florestas virgens.


Nos pentelhos dá-se uma democracia quase perfeita. 

Conquanto algumas loiras os tenham algo claros, bem como as poucas ruivas que no mundo os têm acobreados, a maioria dos homens e mulheres luzem negras melenas na sua zona erógena central. 

Há muitos tipos de pêlos púbicos, sendo os mais emocionantes os que nos chamam mais a atenção. 

Noutras áreas da pele, que são similarmente sensíveis aos andróginos, ainda que um pouco menos, a penugem cresce um pouco mais tarde. 

Os primeiros a sair são os púbicos, seguindo-se os das axilas, depois os do seios, queixos e mais adiante, sabe-se lá quantos mais. 

Salvemos pois, ao menos os púbicos ou os vulgarmente pentelhos.

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quinta-feira, setembro 08, 2011

- O ódio é a sombra sinuosa do amor ! (Beatriz Araújo)

DESERTIFICAÇÃO PÚBICA (Parte I)

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Tirada DAQUI

Que é feito daqueles pêlos mais curtos e suaves que os da cabeça ou da barba, “cultivados” nos recônditos do amor. 

Quer queiramos quer não, os pentelhos estão a extinguir-se e o Monte de Vénus é hoje um monte calvo, árido, desertificado, um Morro do Careca. 

Cada vez mais os homens preferem as mulheres depiladas, havendo, contudo, ainda quem goste das peludas. 

Desterrá-los, expatriá-los, cortá-los, pintá-los, raspá-los, eliminá-los… 

Eu diria, que bom seria, resgatá-los, (aos pêlos), como parte importante da geografia sexual. 

Estão-se indo, eles os pêlos, por uma anti-estética estética de uma modernidade pedófila e anoréxica. 

Além disso, o lúcido e impudico pentelho púbico tem a sua própria estética: há-os mais ou menos encaracolados, mais ou menos selváticos, espetados, submissos ou mais ou menos com elementos diversos. 

 
Em alguma das suas trampolinices, Les Luthiers, (Grupo de humor - Galardoados com o prémio espanhol, Príncipe das Astúrias das Artes 2001), falam da “púbis para nós e nalgas avantajadas”. 

Com a frase anterior entrei em cheio no âmago do artigo: mamar, púbis, delícia e nalgas e território sagrado do baixo ventre, ali na zona genital, no meio das pernas, ou dito de outro modo, no topo das coxas. 

Segundo os linguareiros, a palavra púbis vem do latim tardio púbis, “baixo ventre”, “penugem viril” (viril porquê? se a tal penugem é perfeitamente andrógena?) e, desta, é a palavra derivada, pubescente (definida como: 1 – que chegou á puberdade; 2 – piloso). 

A púbis, por sua vez, segundo os sabidolas, “é a parte inferior do ventre, que na espécie humana se cobre de penugem ao chegar à puberdade”. 


Ou seja, púbis e pêlos sempre entrelaçados, como qualquer cabelo que se respeite. 

Para mais pêlos e sinais e sem pêlos na língua: púbis e pêlos são uma parelha indissolúvel. 

Idiota, do latim pectiniculus (pecten e púbis) significa: pêlo que nasce na púbis e virilhas, além de significar coloquialmente homem tonto, estúpido, cobarde e pusilânime. 

Talvez isto se deva ao facto de que os pêlos púbicos tornam-se ostensivamente públicos (povoam os sanitários públicos) porque caem com grande facilidade; na garganta são muito incomodativos e podem ser delatores se não se expulsam a tempo. 

CONTINUA…
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quarta-feira, setembro 07, 2011

- Pode ser pecado pensar mal dos outros.
Mas raramente será um engano !

UM HIATO

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Abro um olho. 

Tudo está escuro. 

Reconheço este olor. 

Melancia. 

Como o ambientador do meu táxi. 

Estou no meu táxi? 

Tento esticar as pernas, mas não posso. 
É apertado. 

Tacteio com as mãos. 

Toco no que me parece ser uma garrafa de óleo (reconheço essa garrafa) encaixada numa cavidade do espaço atapetado das rodas. 

Estou na bagageira do meu táxi. 

O que faço aqui? 

Não me dói nada. 

Não tenho ressaca, nem o hálito me cheira a álcool, nem noto sintomas de "pó", heroína ou pastilhas. 

O que é a última coisa de que recordo? 

Trabalhei até tarde.. 

O último passageiro de que me recordo foi um travesti que deixei num after-hours. 


Tão-pouco me dói o traseiro. 

Depois pensei ir para casa. 

Desliguei o taxímetro, apanhei a auto-estrada e soou o telefone do táxi. 

Desliguei-o. 

Quem era? 

Não me recordo. 

Procuro nos bolsos das calças. 

No esquerdo um maço de dinheiro: o apuro do dia. 

No direito encontro o meu porta-chaves com a chave do táxi. 

Primo o botão de abertura da mala. 

Abre-se. 

Estou na garagem de minha casa. 

Só eu tenho as chaves da garagem (dividem o porta-chaves com a chave do táxi). 

Olho para o relógio. 

Quinta-feira. 

Meio dia e meia hora. 


Passaram oito horas desde a minha ultima recordação. 

Sobre o banco traseiro há uma rosa com espinhos. 

Os tapetes estão manchados de purpurina e pêlos de casaco de peles. 

Subo até casa. 

Tudo está no seu local. 

O cofre intacto, a cama intacta, o meu pato de borracha "Made in Hong Kong "intacto, os meus livros intactos e o rascunho do romance da minha vida, intacto. 

Macacos me mordam, não compreendo nada.
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terça-feira, setembro 06, 2011


- Para conselhos, recomendações,
 dúvidas, opiniões, perguntas, desabafos,   aconselhamentos sem cartas, búzios, dados, bolas de cristal e amarrações, para tudo isto e muito mais, estou aqui.
Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém !

MEIO POR MEIO

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Além de ser alérgico, também era viciado. 

E estas duas únicas debilidades do imperador, eram as que o impediam de ser completamente feliz. 

De pequeno, o consumo levemente exagerado de tão extraordinário produto produzia,  severas convulsões que muitas vezes o tinham deixado à beira da morte, mas com o tempo aprendeu ao controlá-lo. 

Soube que para desfrutar do chocolate durante toda a vida, era imperioso, antes de tudo, manter-se vivo. 


“Metade da metade de um mordisco por dia”, prometeu a si próprio e a sua perseverança foi inconcussa durante décadas até que finalmente o seu império desabou. 

No meio do imenso desespero causado pela perda, a ingestão de uma dúzia de barras de chocolate “enquanto o diabo esfrega um olho”, teve uma única finalidade. 

Mas o imperador, sem sequer sabê-lo, durante anos tinha treinado a sua imunidade e no momento de maior tristeza, conheceu por fim a felicidade completa. 


Lee Price (Elmira-Nueva York, 1966) cria óleos de mulheres vorazes, mais vítimas que amantes de merengue, chantilly, bolos, bombons e chocolates… (pinturas que parecem fotos, de ângulos que não são muito comuns; os seus quadros de óleo sobre tela são de um realismo impressionante que nos coloca em dúvida: estamos perante uma foto ou pintura?). 

Passa muito tempo só com os seus quadros. 

Confessa tolerar bem o isolamento, “ainda que passar tanto tempo em solidão torna-a consciente da necessidade do contacto humano”, costuma dizer ela. 

As mulheres que desenha – sempre auto-retratos – nos seus quadros figurativos a óleo, nunca têm mais companhia do que bolos, gelados, chocolates e demais caprichos hipercalóricos que engolem. 

À primeira vista pode parecer que desfrutam da experiência, mas a ânsia do seu comportamento apaga a alegria de comer guloseimas. 

“Estudo como a compulsão esfuma a serenidade que encontraríamos sentando-nos, simplesmente, em silêncio”. 

“Antes não mostrava a cara. 

Agora olham olhos nos olhos”. 


Desde que começou, tem observado uma mudança nesta série de mulheres ‘glutonas’: 
“A princípio as mulheres não mostravam a cara, tinham vergonha das suas acções. 

Quanto mais avança a série, maior o contacto visual que estabelecem com o espectador. 

Já não sentem culpa por ter fome. 

Com isto não me refiro só a comida, mas ao apetite em geral”, diz ela. 

Há duas características que ressaltam facilmente à vista nos quadros de Lee Price: por um lado está a fragilidade, essa hipersensibilidade emocional que faz com que a mulher procure refúgio na sua privacidade, como se o isolamento fosse a única saída ante a hostilidade de um mundo masculinizado. 

O banho, como local de máxima intimidade, converte-se no último fortim, no único lugar onde a mulher encontra o relax da água quente, quiçá, também a sua purificação. 


E por outro lado está a dual relação feminina com a comida. 

Cozinheiras históricas, mas expulsas da masculina alta cozinha, encontram-se na paradoxal situação de amar e odiar os alimentos. 

Amá-los, no sentido de criá-los, de serem peritas na herdade arte culinária, de terem uma relação milenar com eles, muito mais intensa e rica que o homem. 

Odiá-los, no mesmo sentido da proibição da maçã de Eva. 

Escravas de um mercantil estereotipo de beleza, encontram-se alienadas ante o seu próprio produto. 

Price (cuja imagens acima são o seu curioso auto-retrato) pinta-as a meio de ataques bulímicos (ou depois deles) mostrando como nos auspícios da privacidade se pode escapar à proibição paradisíaca do Eden.
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segunda-feira, setembro 05, 2011

- Tenho pensamentos que não posso traduzir em palavras. (Clarice Lispector)

VIDAS…

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 Tirada DAQUI

O homem chegou a casa a meio da tarde, um horário pouco frequente já que normalmente trabalhava no escritório até à entrada da noite.. 

Pousou o saco e a pasta no sofá de entrada tentando fazer o menor ruído possível para fazer uma surpresa à sua mulher. 

Ao não encontrá-la no rés-do-chão, começou a subir as escadas para o andar. 

A meio da escadaria percebeu alguns gemidos que provinham do quarto. 


Quando entrou no quarto matrimonial viu a sua mulher, na cama, a ter relações sexuais com outro homem. 

O amante começou a tremer do susto enquanto o homem olhava fixamente para os dois, sem emitir palavras nem movimentos. 

A esposa pensou que o seu marido estava prestes a ter um colapso nervoso, quando na realidade, o homem sentia-se profundamente aliviado já que agora poderia esquecer-se do peso na sua consciência. 

Agora, as culpas eram mútuas.
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domingo, setembro 04, 2011

- Sexo é tudo: é a sedução, é o beijo, são os poros, é a pele, é o cheiro, as palavras mesmo roucas, enfim, a fusão impossível de dois corpos !

PENTELHOS FORA, JÁ!!! (PARTE 2)

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... CONTINUAÇÃO



Não importa. 

Chego à zona do ânus. 

Não vejo nada. 

Com um espelho de mão, da cara metade, o que utiliza para depilar as sobrancelhas e essas coisas assim. 

Deito-me na cama como uma mulher na sala de partos. 

Com o espelho de parede e a mão faço posturas até que vejo o buraco. 

Porra! tanto tempo juntos e apenas nos conhecíamos. 

Um par de minutos, uns cortezitos depois e de passar a mão pelo lombo, deixo de notar pelos. 

Cu depilado! 

Depois disto, as pernas não têm dificuldade. 

O tronco depilo-o lendo a “Caras”. 

Que se lixe o que gastaram os espanhóis com o Papa, ou o que nos papa o sacerdote Victor Melícias, digo, Victor Gaspar. 

Bem, depois de duas lâminas e, meia embalagem de espuma… não me reconheço.

Porra! até pareço um desportista. 

Que fresquinho se nota!... o ar faz cóceguinhas nas zonas que antes estavam abrigadas. 


 
Não sei se hei-de colocar uns pedacitos de papel, como faço com a barba. 

Decido que o melhor é não, não vá a minha mulher ver-me e me atire: 
“Anda! que disfarce de múmia mais bonito!”. 

Um duchezito para eliminar todos os pelos e o resto da espuma... com a máquina vou repassando algum despistado que se me escapou. 

Disto gosto, sinto-me limpo, não sei..., como que mais higiénico sem tanta penugem. 

Falta a fase do creme hidratante. 

Vamos lá. 

Procuro entre os frascos e boiões da minha cara metade. 

Há coisas esquisitíssimas. 

Por um lado duvido… não estarei a procurar entre as suas coisas de restauração de móveis? 

Leio: “lifting”, “firmeza”, “anti-idade”… este!:
“Leite desmaquilhante hidratante”. 

Justamente o que procurava. 

Espero que me dê para todo o corpo. 


 
Começo a untar-me pela mesma ordem com que me “barbeei”. 

Puxa! pois será todo o hidratante que queira, mas pica como o diabo! 

Vou-me untando com o creme enquanto todo eu vou ardendo. 

Porra, porra! 

Agora entendo quando as fulanas dizem as agruras que passam com a depilação. 

Quando termino pareço uma anchova em lata. 

Tenho que me agarrar porque escorreguei no soalho. 

Fixo mentalmente o nome do creme para se um dia a cara metade me deixar praticar sexo anal…, porra, como desliza, com isto meto-lhe a tranca e até pensa que é o dedo mindinho. 

Bem, outra vez… não, não o digo pelo tamanho mas sim pelo que o creme faz deslizar. 

Arde-me todo o corpo. 

Parece que tenho um formigueiro furibundo nos toma…, nos testículos. 

Visto-me e vou buscar o cão para dar uma volta... ver se me distraio e a coisa acalma. 


 
Aterrador. 

Qualquer um que me veja pensará que tenho uma bateria de carro ligada aos tomates. 

Vou como se soltasse descargas. 

Arde tudo... pica... que raiva. 

Algo se passa. 

Chego a casa e dispo-me. 

Ó Cristo, vem cá baixo ver isto… estou mais roxo que um maracujá! 

Uhhhhhh, o que estragou tudo, o que foiiiii…? 

Mas se eu segui á risca as instruções… 

Será que as fulanas têm a rata e o pêlo mais resistente? 

Decido voltar a duchar-me com água fria e a coisa acalma-se, mas onde me roço  “pico-me” todo.

Aguento como um campeão até que volte a cara metade. 

Conhece-me de ginjeira, como se me tivesse parido, assim, mal transpõe a porta, diz-me: 

– Alguma coisa fizeste. 

– Já vais ver, creio que estraguei tudo. 



– O que partiste. 
Quanto te custou? 
Há muito tempo que brincas com a sorte. 

– Não, não é nada disso que estás a pensar… olha. 

Desnudo-me e mostro-lhe a minha obra. 

Pareço um alemão em Albufeira no dia 1 de Agosto. 

Ou uma deliciosa gamba do Atlântico Norte. 

– Ai pu** que te pariu!... mas tu estás em carne viva. 

– Eu queria… queria fazer-te uma surpresa, queria depilar-me na zona da pila..  mas é claro, estava errado e rapando, rapando… 

– Mas  como é que fizeste isso? 
Com um machado? 

– Não, puxa! 
Ceio que foi o creme hidratante. 
Foi com ele que começou a coceira. 

– Com que creme te besuntaste? 

– Este… 

- O desmaquilhante? 
Ahhhhhhhhhhhh Ahhhhhhhhhhhh  Ahhhhhhhhhhhh  Ahhhhhhhhhhhh. 
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sábado, setembro 03, 2011

- Há quem acredite que faço sexo como ninguém... e é verdade!
Como ninguém mesmo...

PENTELHOS FORA, JÁ!!! (PARTE 1)

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Tirada DAQUI

Chego a casa nervoso e excitado. 

Hoje vou pôr em prática o meu plano para surpreender a cara metade e passar uma noite doida de sexo animal. 

Decidi depilar-me na zona púbica e testículos, para não dizer a zona da fruta ou algo pior ainda e ficar suave como um DVD virgem, para tentar animar a coisa matrimonial, que ultimamente tem andado um pouco por baixo. 

Como não tenho a mínima ideia de como fazer isto, perguntei a uma amiga de um fórum, aproveitando o facto de que vejo fotos suas em que ela também se depila.

Leio e aponto os seus conselhos: 

- Primeiro rapar com máquina de cortar o cabelo. 
– Utilizar uma espuma ou um gel. 
– Passar a máquina, nunca em contra-pelo. 
– Depois passar creme hidratante. 

Não pode ser tão difícil assim. 

Todas as fulanas das fotos com as quais me masturbo têm a zona da ‘rata’ lisa como o monitor do meu PC. 


Então chego a casa e mãos à obra. 

Primeiro a máquina de cortar o cabelo. 

Isto é super-fácil. 

Tento pensar no Fary mantendo relações homossexuais com TinkyWinky porque as cócegas que a máquina me faz na “fruta”, começa a excitar-me e como me provoca… 

Acabo o primeiro barbear com a máquina. 

Porra, como me agrada! 

Agora tenho o mesmo corte na cabeça, na barba e na pila. 

Sou capicua. 

Vamos lá com a espuma. 

Isto também tem a sua graça. 

Volto a pensar em Fary e Tinky-Winky. 

Com a espuma a minha pila parece um pai Natal... 

Faço de palhaço diante do espelho.

“Aaaaaahhhhhhh! uma pila irada, aaaahhhh!”. 

Bom, ao trabalho que se faz tarde. 

Saco duma descartável Gillete Mach3, Turbo TDI 16v. 

Isto corta mais que a faca de “Sexta-feira 13”. 

Graciosamente levanto o meu escroto para ter uma melhor visão. 

Primeira dúvida: 

- Terei de fazê-lo no sentido dos pelos. 


Porra!.. qual o sentido de um pelo num col…, testículo? 

Gaita! tenho o testículo redondo (esquisito, não é?), os pelinhos não parecem ter um “sentido" visível. 

Simplesmente cresceram… 

Bom, pois então, será indiferente. 

Vou passando a lâmina com cuidado, ainda que não evite um cortezito. 

Olho para ver se pelo corte que acabo de fazer no “ovo” assoma um pinto”. 

Não, não tive sorte. 

Não assoma nem um espermatozóide. 

Tive um momento difícil quando cheguei à área adjacente ao olho de Sauron, quase atrás, mas a coisa nem correu mal. 

Ataco o outro colh…, toma… testículo, mais do mesmo. 

Vou atacar as coxas… aí quase que não tenho pelos, excepto na zona mais próxima da bolsa escrotal. 

Sem problemas. 

Ficam tão lisas e suaves como as nádegas de uma imberbe patinadora. 
 

Toca agora à parte superior, que barbeio sem problemas. 

Bidé e água quente…, parece que noto alguma irritação nalguns pontos. 

Serão pequenos cortes. 

Olho-me ao espelho. 

Porra! que impressão!... 

Parece que voltei a ter 10 anos. 

Não, não o digo pelo tamanho da “ferramenta”, digo-o pela “calvície”. 

Mas algo está mal. 

Observo grandes deficiências. 

Vejo as pernas peludas e, chegando ás coxas, de repente uma calva. 

O mesmo vale para a barriga, descendo um pequeno canal de cabelo do umbigo e ao chegar ao dito cujo local--- zás!!! 

Parecem os montes de Chernobyl… e por detrás ainda pior… 

Como vou usar um cu peludo e que por sua vez, ao voltar-me, me parece que chegou o Outono? 

É pena. 

Calma, que não se propague o pânico. 


Ainda me restam duas horas até que chegue a minha “truca-truca”. 

Tenho tempo, espuma, lâminas descartáveis e pulso de cirurgião (ainda que com cirrose, isso sim). 

Não tenho outro remédio. 

Primeiro o cu. 

Alguém já depilou só a bunda? 

Enquanto o faço sinto que sou o primeiro a intentá-lo. 

Retorço-me até o espinhaço ranger para poder enxergar-me. 

Não chego a ver o cu e começo a rapar sem ver… 

Merda! esqueci-me de primeiramente passar a máquina!

CONTINUA…

sexta-feira, setembro 02, 2011


- Sou um homem simples.
Tudo o que anseio é sono suficiente para dois homens normais, whisky suficiente para três e mulheres suficientes para quatro !

MEU BOM E FIEL PÚBLICO OUVINTE E LENTE

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AINDA NÃO ME ENCONTRO A “TRABALHAR” A 100%.

MAS PARA LÁ CAMINHO; 26 DIAS ÚTEIS SEGUIDOS DOS SÁBADOS E DOMINGOS, FORAM FATIGANTES.

NECESSITO URGENTEMENTE DE REPOUSO DESTAS EXAUSTIVAS FÉRIAS QUE TÃO RAPIDAMENTE CHEGARAM AO FIM.

E ASSIM…

NESTE MOMENTO TÃO DIFÍCIL QUE A NAÇÃO ATRAVESSA, ENCONTRO-ME NUM IMPASSE, 

ESPERO…

SEMPRE QUERO VER O DESTINO QUE ESTA FÁBRICA DE ENCHIDOS, SOB A BATUTA DO ADMINISTRADOR-DELEGADO DA ADMINISTRAÇÃO GERAL, PAÇOS GATO, DESTINOU A D. BOKASSA I, O IMPERADOR DA “PONCHA” E OUTROS ALCOÓIS DO REINO DA LENHA E AFINS, DE ALÉM-MAR.

NÃO ACREDITO QUE TENHAMOS DE LHE APARAR OU AMPARAR OS DISDLATES, CUSPIDELAS E "GAFANHOTOS" E  FEZES QUE LHE SALTAM DA BOCARRA, BEM COMO, AMPARAR-LHE A VERBORREIA IDIOTA DE PALERMA ASININO E PAGAR-LHE AS BORRACHEIRAS DE FESTINS E ORGIAS.

 
MAS HÁ MAIS.

DEPOIS DESTA AUSÊNCIA, LAMENTO INFORMAR QUE, PARA ALÉM DO MERECIDO DESCANSO A QUE ME VOU CANDIDATAR, TENHO EXTREMA NECESSIDADE DE CONSULTAR AS ÉPICAS HOMILIAS DE D. VICTOR GASPAR, (SIM, AQUELE GURU QUE TANTO SE EMPENHA NA DEFESA DOS DESVALIDOS – OU SERÃO DESVALIJADOS? -) EMANADAS NO EXERCÍCIO DO SACERDÓCIO DAS FINANÇAS, PORQUE ME DIZEM QUE AS SUAS PRÉDICAS NA TV SÃO UMA SECA.

TAMBÉM QUERO INTEIRAR-ME COMPLETAMENTE DAS INTENÇÕES, DIGA-SE QUE DIGNAS DOS MAIORES ENCÓMIOS, DA SENHORA MERKEL EM QUERER O OURO DOS BANDIDOS, OU BANIDOS, DIGO, DOS PAÍSES DEVEDORES… COMO ME INFORMARAM INFORMALMENTE.

O NOSSO REFRANEIRO POPULAR JÁ COMPEMPLAVA  SITUAÇÕES DESTAS; SENÃO VEJAMOS: 
“VÃO-SE OS ANEIS, FICAM OS DEDOS”. 

TAL COMO EGAS MONIZ, O MELHOR MESMO É COMPRARMOS CORDA, NÃO PARA DARMOS AOS SAPATOS E EMIGRARMOS, MAS PARA JUSTIÇAR OS LARÁPIOS DA 'PÁTRIA'… DIGO, PARA NOS APRESENTARMOS A SUA ALTEZA ‘ALEMÃO’ E ENTREGAR-LHE OS ANEIS.

SEMPRE FICARÃO OS DEDOS PARA QUE POSSAMOS, POR AQUI E POR CÁ, CONTINUAR A ESGARAVATAR AS PEPITAS QUE ENRIQUECERÃO O MUNDO DAS LUZES E DAS RIBALTAS… DOS NOSSOS PROTECTORES EUROPEUS.

INTÉ!!!

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