O VIDEIRINHO

sexta-feira, novembro 04, 2011

- Não penso, não existo; não assisto; não desisto; só insisto e resisto mesmo malquisto !

EUTANÁSIA (Parte II)

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… Continuação



A Organização Mundial de Saúde e os grupos católicos e cristãos, consideram-na contrária á ética e aos seus respectivos credos. 

O cerne da questão estriba em que nenhum mortal pode ser privado da sua vida sem o seu consentimento pessoal. 

Esta doutrina suscita problemas de diversa índole como sucede quando o paciente não está em condições de pensar por si mesmo. 

Quem, então, decide pelo moribundo? 

Certamente que ao médico não se pode atribuir essa faculdade. 

No mundo católico o actual papa (quando era cardeal), numa carta ao arcebispo de Washington clarificava (sob o seu ponto de vista) o tema: 

 

“... Pode ser uma legítima diversidade de opinião, mesmo entre os católicos de ir ou não para a guerra ou para aplicar a pena de morte, mas nunca em relação ao aborto e eutanásia". 

Mediante isto, o que dizer desta atitude castradora do pensamento individual? 

Os argumentos apresentados pelos defensores da morte digna é que se deve evitar o “encarniçamento terapêutico ou a inclemência terapêutica”, e o dos seus opositores é que ninguém está habilitado para antecipar a morte, porque ninguém é dono da vida alheia e ninguém sabe o que pode ocorrer no caminho. 


O que fazer então? 

Tão-pouco mo perguntem porque não posso raciocinar por cada um de vós e cada um tem a sua própria consciência.

O que sim, posso lhe afirmar, é que não desejaria estar na pele de nenhum dos actores nem dos familiares e sinto compaixão por todos eles. 

Eu, que, peremptoriamente, sou um defensor acérrimo e intransigente da eutanásia e (ou) do suicido assistido (mesmo que só seja aplicada ao meu moribundo canastro e... os outros moribundos, que respondam por eles)! 

 

E ainda mais. 

Para completar o meu fracasso nestas especulações, nos últimos tempos surgiu-me outra incógnita. 

Supondo que o corpo humano não é mortal, como é que viveríamos neste planeta, a eternidade? 

Que faríamos? 

Pensem bem.
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quinta-feira, novembro 03, 2011

- O direito de morrer baseia-se no princípio de autonomia. 
Toda a pessoa tem o direito de tomar decisões acerca da sua própria vida !

EUTANÁSIA (Parte I)

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Até agora, morrer tem sido, não mover-se mais, não ter batidas do coração, nem respiração nos pulmões, ter a pupilas imóveis, o corpo esfriado e os músculos hirtos. 

Os nossos avós comprovavam estas manifestações levantando do corpo um braço que sempre caía, colocando o ouvido sobre o coração que não batia, aproximando uma vela acesa das narinas que não se apagava, levantando as pálpebras até se encontrarem com uns olhos que não olhavam. 

O frio e a rigidez ratificavam estes dados pouco depois. 

Hoje em dia, no entanto, pode manter-se a actividade cardíaca e respiratória, mediante aparelhos apropriados, enquanto outros órgãos deixaram de funcionar. 


Ainda quando o moribundo conserve algumas funções e saiba que o processo é irreversível, os especialistas em ciências neurológicas consideram uma pessoa defunta quando tenha cessado a actividade cerebral. 

A morte então seria um processo progressivo e não necessariamente um evento instantâneo. 

Mas, em todo o caso, esta seria unicamente a morte física, corporal, a morte do corpo e não a morte total. 

Os meios de difusão deram conta, nos últimos tempos, de alguns casos de morte encefálica (cerebral) assistida com recurso técnicos na sua actividade cardíaca, respiratória e nutricional. 
 

Nalguns deles, os familiares tiveram de recorrer finalmente à justiça para que autorizasse a retirada dessa assistência médica. 

Uma nova disciplina chamada bioética tem em discussão este tema tão crucial, posto que, se o corpo continua vivo com esses recursos, não está ainda morto e por consequência, a interrupção dos aparelhos empregues, pode ser considerada um homicídio, ainda que alguns prefiram chamar-lhe ‘eutanásia’, ou ‘morte digna’. 

Nalgumas publicações diz-se que o conceito de morte digna é diferente no mundo saxão e no mundo ‘lusofalante’.  

 

Em linhas muito gerais, (em ambas as áreas, há opiniões pessoais, filosóficas, religiosas diferentes), no mundo saxão a dita eutanásia pode cumprir-se por acção (retirar a assistência, por exemplo), ou por omissão (não alimentar o moribundo, digamos). 

Esta simplificação é errada e injusta dado que se todos os seres humanos são seres humanos neste planeta, não se vê razão nenhuma para que a morte digna seja diferente entre um inglês e um chinês. 

Se a há, há-a para todos por igual. 

Continua…
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quarta-feira, novembro 02, 2011

- Perdoem-me o “trocadalho”, mas a vida é feita de altos e baixos; e porque não de altas e baixas, ou loiras, morenas, apetecíveis, sensuais, curvilíneas...
Enfim, mortas ou vivas ? (josé torres)

TEMORES

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Quando temo cair, amparo-me nos edifícios. 

Se eles não caem, que foram construídos pelo homem, eu sou homem e também não caio. 

Raios me partam! 

Ainda que tenha que apoiar as minhas costas neles (nos edifícios, não nos homens, nada de confusões). 

Ainda que tenha de meter um pau pelo dito cujo acima. 

Ainda que tenha que sacar o líquido sinovial dos joelhos. 

Não cairei!

Isto é um hino à vida. 

Não o esqueçais. 

Quando temo chorar, choro. 

Gosto de chorar na banca de cozinha, enquanto lavo os pratos. 

E nas salas de embarque dos aeroportos.

E no corredor dos produtos lácteos dos supermercados. 

Nunca em bares ou discotecas. 

Nos bares só choram os amadores. 

Os abichanados. 

Os advogados. 

Quando temo cair, olho-te o traseiro. 

Tenho especial predilecção pelas donas de casa. 

Seduzi-las. 

Acrescentar-lhe um asterisco em código para a sua lista de compras. 

Encher de flores os seus suspiros. 

Gerar segredos. 

As vidas cristalinas são lupas para o sol e provocam incêndios. 

Temos que ser opacos, ser o outro, sempre o outro. 

O mar na dieta sem sal das sereias. 


Quando não quero, escondo-me no meu táxi. 

Levo um bigode postiço no porta-luvas. 

Ponho outras vozes que não são a minha voz. 

Baixo a cabeça condignamente. 

Encho de bafo o espelho e desenho corações e estetoscópios. 

Invento canções. 

Desafino mas não me escuto porque gosto de mim. 

Isto é um canto à vida. 

Não o esqueças. 
28ABR2011
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terça-feira, novembro 01, 2011

- Estava toda molhadinha; pudera, 75% do seu corpo é água !

UMA MULHER CHAMADA VALQUÍRIA

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A passageira "caçou-me" ajustando o espelho retrovisor à altura do seu decote. 

– Gosta das minhas mamas? Disse-me. 

– Refere-se ao seu decote? Disse, tratando de dissimular o meu enrubescimento. 

– Refiro-me ás minhas mamas. 
Estava a olhar para elas. 

Disse-me com um certo ar divertido. 

– O decote. 

– As mamas, retrucou ela, sorrindo. 

– O de-co-te. 
Não é a mesma coisa… insisti. 

– Ah, não. 
Explique. 

– O decote apenas oferece os dados necessários para conhecer como seriam essas mesmas mamas ao natural (desnudas). 

Através do decote apenas podemos fazer uma ideia aproximada, nunca real, do tamanho das mesmas, ou da sua textura. 


Ou a distância de separação entre elas (o comumente chamado “rego”), ou a curva côncava, recta ou convexa que descreve a sua zona frontal superior (para que todos percebam, assim como que um toldo mais ou menos tenso), ou da flacidez da sua base (poderiam sustentar uma esferográfica em posição horizontal, sem cair). 

O resto é pura engenharia: sutiãs que realçam, sutiãs que moldam, sutiãs que agrandam, sutiãs que comprimem… 

Um decote tão-pouco diz nada, por exemplo, a morfologia dos mamilos: se a auréola é grande ou pequena, ou a sua diferença cromática ou inclusive táctil no que respeita ao resto do conjunto mamário (se a auréola é mais ou menos escura que a da pele, se granulada ou acetinada). 


O volume ou 'corpulência' do mamilo propriamente dito (incluso há-os retrácteis), ou a sua maior ou menor capacidade para erguer-se (intumescer-se erecto) segundo as circunstâncias, disse. 

– E como acredita que são as minhas? 

– Silicone? 
Aventurei-me a dizer. 

– Sim. 
Ficam-me bem? 

– À primeira vista, como eu disse antes, sim. 

– E o que me diz do resto do meu corpo? 

– A que se refere? 

– Acha que tenho um corpo bonito?

– Sim. 

– Sensual? 

– Sim. 

– Sexualmente apetecível? 

– Sim. 

– E se eu lhe disser que sou transexual? 

– Não acreditava. 

TRANSEXUAL - Ariadna Thalia Arantes 

A passageira saca da bolsa, uma carteira e estendeu-me um Cartão de cidadão. 

Por cima da sua foto (com efeito era ela), um apelido e mais acima o nome: Victor… e no lado esquerdo, ao centro, um sexo: a sigla “M” de masculino. 

– O meu nome era Victor. mas agora chamo-me Valquíria. 
Continua a achar-me “sexualmente apetecível? 

– Não sei.  

– À primeira vista, eu ainda sou a mesma, não é? 

– Não sei… 

- Pense bem.

(vou duchar-me com água fresquinha… e dormir.

BOA NOITE!!!)
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segunda-feira, outubro 31, 2011

- Uma caixa de preservativos, por favor.
- Aqui estão, quer um saco?
- Não, desta vez não é tão feia!

COMPLEXOS

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União real do prazer

Pela primeira vez encontro-me na cama de Noémia, a mesma Noémia de outras tantas noites de pulsar cardíaco: a primeira, no meu táxi. 

A segunda, com os whiskys e cocktails como desculpa primeira e, as seguintes, os beijos e uma excitação calma mas crescente. 

Quero acreditar que há bem mais, que o fim último não é só uma queca, essa específica queca na sua cama. 

Necessito acreditar que o sexo com Noémia não é mais que um suculento e excitante meio para atingir outros tantos fins ainda que por concretizar. 

Não conheço o suficiente de Noémia, mas o pouco que pressinto basta-me, para querer achar que no fundo há algo. 

Agora, na sua cama, como digo, a ânsia urge, sobra-nos roupa e faltam-nos beijos e audácia. 

Em cada comissura que exploramos os gemidos convertem-se em licores: 
“bar aberto” para duas línguas com sede. 


Cegos de mãos, começam a falar as unhas. 

A ponto como estamos de implodir, desafiando a humidade relativa, Noémia diz-me de chofre: 

- Coloca um preservativo. 

Mas mesmo antes de ir ao bolso das minhas calças sacar um, Noémia adianta-se: abre a primeira gaveta da mesinha de cabeceira, saca de uma caixa com 12 já descintada, procura no seu interior e estende-me um. 

Aí não pude evitar olhar e pensar, no detalhe, de uma caixa que já não é virgem, nos preservativos ou nos orgasmos que faltam (impressos na memória desta mesma cama), no prazo de validade da caixa, no último preservativo bastardo anterior ao meu (quem foi?, quando foi?). 

Mas não posso nem devo dizer nada. 


Se apenas sou um intruso no seu próprio presente, como querer imiscuir-me no passado? 

Sempre terá uma vida anterior implícita e lógica (eu também a tive) ainda que irracional e inevitável neste mesmo instante. 

Nenhum dos dois nasceu naquele primeiro dia, no meu táxi. 

Pensando sem querer pensar nisto, começo a notar que meu corpo segue a senda da minha mente e obedece à lezeira do pensamento. 

Tremendo e duro mas macio num instante!

- Não te preocupes, diz-me Noémia. 

– Não entendo, estava tão excitado e de repente… 

- Tranquiliza-te, são coisas que passam… 

Noémia dá meia volta. 

Não posso deixar de olhar a caixa. 

O complexo é tudo.
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domingo, outubro 30, 2011

- Um copo de vinho faz vacilar as pernas à mulher; um bom perfume possui alcoolemia suficiente para fazer o mesmo efeito ! (josé torres)

PRINCESAS PUTAS

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Fascina-me a arte de certas mulheres feitas por si mesmas, feministas segundo direi eu, que se deixam convidar nos táxis, nos bares e restaurantes, bajuladas pelo cavalheirismo do otário parvo. 

Para demonstrar a sua aparente capacidade ou independência financeira, costumam fazer uso de uma estudada intenção de pagar (abrindo o fecho da carteira ou bolsa), mas apenas insistem quando ele se adianta e paga (fechando imediatamente o dito cujo fecho). 

Consideram tal detalhe (vejo-o nos seus olhos de princesa e no seu terno sorriso) um gesto de protecção varonil digno do mais azul (ou cor-de-rosa, escolham) conto de fadas. 


Acaba a noite e ele faz contas: 

Dois táxis, um jantar com velas e seis cocktails: 190€. 

No final houve sexo, mas também o teve com a falsa Carla do “Pérola Negra” por 40 € menos. 

Carla, inclusivamente, mostrou-se mais atenciosa. 

O otário conta-me isto, confiadamente, enquanto o transporto no meu táxi, da cama da princesa até à sua humilde morada. 

O otário mostra-se contrariado. 

Feliz pela sua descarga genital; desgostado pelo seu esquelético VISA. 

Por sorte, o otário não poderá permitir-se voltar a marcar com ela e, portanto, ser susceptível de apaixonar-se. 

Apenas é mileurista: teria muito que aforrar para um novo encontro. 

– São todas putas, sentencia antes de pagar-me o último táxi. 

Supostamente, nem todas são putas. 

Nem mais ou menos. 

Mas não percamos de vista as putas encobertas. 

As outras, ao menos, são honestas.
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sábado, outubro 29, 2011

- Como é que doentes mentais, violadores, políticos, pedófilos e outros que tais, se podem tratar desses desequilíbrios mentais de que sofrem, se o tratamento para taras perdidas é o depósito num vidrão ?

PERDIDOS OU ACHADOS

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Não há dia que não leve algum volume, embrulho, carteira ou maleta no meu táxi. 

Pertences de passageiros (curiosa palavra: pertences) que transportam consigo, a seu lado, ou que auxilio a colocar na bagageira ainda que sem conhecer o seu conteúdo, por muito que o imagine e me frustre e me comova imaginá-lo. 

Em tais casos não posso evitar fechar sempre com apreensão a tampa da mala, como afogasse o que quer que seja que está dentro. 

Em função do tamanho da maleta, ou da caixa, ou do baú, não posso evitar pensar em diversas categorias de seres vivos (não conheço o passageiro, tudo é possível) ou mesmo em fragmentos ou de extremidades de vários, formando um Tetris com meias, sutiãs, pasta dentífrica, camisas ou exemplares atrasados da National Geographic. 


Ou em aparelhos cilíndricos que vibram, ou em fotos de Condoleezza Rice, ou cadernos de sudokus, ou laca para o cabelo, mesmo o passageiro sendo calvo (todos somos absurdos e complexos às vezes). 

Nunca o saberei e isso angustia-me. Mas mais me angustia ainda, pensar nas lembranças ou objectos de valor sentimental que pudessem levar dentro. 

Que este passageiro em concreto, transporte na sua maleta cartas sem selo de um amor truncado, ou o cordão daquele pião da sua infância, ou um estetoscópio que usa como um látego no seu arrependimento pelo médico que nunca chegou a ser. 

 
Angustia-me, porque esses fetiches merecem respirar tanto ou mais que qualquer ser vivo. 

E agora todos esses seres, ou pertences, ou achados, estarão a afogar-se não só no meu táxi, como nos milhões de táxis que circulam dia e noite por todo mundo. 

Milhões de taxistas angustiados por não saber realmente o que levam consigo. 

Milhões de recordações oprimidas. 

Nota: 
Se chegássemos a conhecer o conteúdo íntimo do resto dos homens, este mundo estilhar-se-ia em mil pedaços.
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quinta-feira, outubro 27, 2011

- E se este mundo for o inferno de outro planeta ? (Aldous Huxley)

FANTASIAR

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Quando uma voz da rádio sequestra os nossos tímpanos, não podemos evitar fazer uma careta. 

Não podemos ir mais além do que imaginar como será o olhar, o nariz ou os lábios do locutor frente a esse micro tão real na distância, através dos alto-falantes cegos do táxi. 

Circulamos pelas ruas enquanto a sua voz nos diz coisas para além das coisas que diz. 

Movemo-nos mas a sua imagem mantém-se intacta nos nossos ouvidos. 

E essa imagem inventada, vale mais que mil vozes, pelas ondas das ondas, amém… 

O estranho chega quando a dona dessa voz cujo rosto não conhecemos entra, por acaso, no nosso táxi. 

Então não associamos a sua presença, mas quando ela fala, e nos indica o destino, sabemos imediatamente que é ela. 

Não pode ser outra. 

Não há duas vozes iguais, muito menos igual a essa. 

E pensamos: dos alto-falantes do táxi no banco traseiro. 

Do abstracto ao concreto. 

E com isto hesitamos se observar o seu rosto através do retrovisor e quebrar assim o feitiço da sua fantasia.


Duvidamos, mas não conseguimos evitar lançar o olhar.

É um “choque” conhecer o rosto real do “nosso” rosto imaginado. 

Mais ainda comparar ambos os rostos e não encontrar apenas diferenças. 

O mesmo olhar, o mesmo nariz, os mesmos lábios. 

Agora soa, da sua mesma rádio do meu mesmo táxi, um tema de Zeca Afonso e ela começa a cantá-lo em silêncio, movendo os lábios surdos enquanto olha, divertida, a rua através do vidro. 

Também não podemos evitar pôr-lhe voz a esses lábios, imaginar a sua voz agora que conhecemos o seu verdadeiro rosto. 

Invertemos o processo, redefinimos a sua recordação sonora e interrogamo-nos: que voz condizer-se-ia com esse rosto? 

Doce, sem qualquer dúvida. 

Com infinitos matizes. 

De lábios grossos, voz acolchoada. 

A sua boca é a caixa de ressonância da alma. 

Chegados ao destino. 

Ela paga-nos e não o contrário (os benefícios do táxi). 

Mas antes de sair não conseguimos evitar dizer-lhe: 

- Obrigada, @FilomenaCrespo. 

Sem esperarmos, ela responde: 

- Obrigado tu, @joansitorres. 

E foi-se. 

Sem dúvida ela também sabe que existo, costuma ler-me.
(Sorte a minha!). 

E quem me diz que não houve uma ocasião em que não terá imaginado o meu rosto, como eu com a sua voz e comparasse naquele trajecto os meus traços imaginários com os reais. 

Ou talvez não. 

Bendita imaginação, em qualquer caso. 

Bendito acaso. 
27ABR2011
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quarta-feira, outubro 26, 2011

- Optimista, é aquele que acredita poder resolver um engarrafamento de trânsito, tocando veementemente a buzina !

AMOR COM PIXEIS

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Pediu-me para recolher a jovem do chat, no meu táxi, para levá-la a jantar. 

Era o seu primeiro encontro em pessoa sem um monitor diante. 

Conheceram-se num fórum de debate da internet a propósito do desemprego; as opiniões que ele difundia chamaram a atenção dela e vice-versa.

Daí passaram ás mensagens privadas e destas ao interesse mutuo pela vida do outro. 

Depois de vários dias de confissões, trocaram fotos: surgiu o enamoramento. 

– Sim, atraiu-me as suas ideias e o que diz e também me atraiu fisicamente, nada pode falhar, disse-me. 

Chegámos ao ponto de encontro e ali estava ela. 


Ambos se reconheceram imediatamente. 

O jovem abriu-lhe a porta, fez-lhe um sinal e a jovem entrou no táxi. 

Já dentro, deram os primeiros beijos analógicos, pele contra pele, ainda que evitando os olhares. 

Os olhares ao vivo têm um maior impacto. 

Ninguém teme nada na internet, e no entanto… 

Reiniciámos a marcha e os dois começaram a falar como vítimas de uma timidez que ninguém esperaria. 

Mastigavam, talvez, a decepção.

A química presencial não coincidia com aqueles outros palpitares em banda larga. 

Cara a cara não há píxeis. 

Não há café do próprio lar frente ao teclado. 


O tempo decorre a uma velocidade diferente. 

É difícil o controlar dos tempos em pessoa (os silêncios, num chat, não são silêncios: podemos dar falsas desculpas). 

As fotos ou mil conversas não são tudo; o tacto, o olfacto; compartir o mesmo frio e o mesmo calor; encontrar-se no contexto exacto fora da habitação de cada um. 

Essa imagem mental agora resolvida, um algo oculto nessas fotos (talvez os novos volumes das suas duas dimensões). 

O campo gravitacional dos dois corpos. 

Códigos mal desencriptados. 

Conversação frustrada. 

Aí está a prova.
22FEV2011
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terça-feira, outubro 25, 2011

- Violência política é quando o político até a gramática assassina !

TÊM ALGUMA IDEIA???

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Tirei esta foto a partir do meu táxi, numa postura, eram cerca de 16:10h duma tarde algures. 

Tirei algumas mais, mas fiquei com esta. 

Vi sair esta 'melra' de um edifício de escritórios e diversas repartições, falou ao telemóvel durante quase oito minutos enquanto caminhava alguns metros no passeio e na rua e depois, voltou a entrar no mesmo edifício. 

Foi isto que me chamou a atenção, para além do aspecto físico, da roupa branca que envergava (casaco branco tipo Saint-Laurent com ombros estruturados, silhueta bem demarcada devido ao cinto, gola enorme tipo vintage com decote em “V”, bolsos chapados exteriormente e posicionados à altura da anca, comprimento pelo meio da perna, abaixo do joelho, bolsa vermelha Victoria Beckham). 

Penso que ninguém se enfarpela desta maneira, pega na carteira, sai por uns momentos até à rua para atender ou fazer uma chamada. 

Também nem sequer acendeu um cigarro durante aquele intervalo de tempo (o qual poderia justificar a sua saída e o voltar). 

Por outro lado, a conversação que manteve durante esses largos minutos não parecia importante, mas mais do tipo relaxada. 

Sorria enquanto falava e quando desligou não modificou o gesto. 

Não foi, portanto, o conteúdo daquela conversação o motivo da sua volta ao escritório ou repartição. 

Tão-pouco o motivo foi o típico esquecimento de última hora (o microondas ligado, o papagaio sem comida…). 

Durante os vinte e cinco minutos seguintes que me mantive na postura, a 'dita cuja' não voltou a sair. 

Resolver um simples esquecimento não dura tanto. 

Também convém ter em conta a hora da sua chamada: 16:10 ás 16:18. 

Os horários de um trabalhador de um escritório ou duma repartição costumam ser ‘redondos’ (horas certas, meias horas e um pouco mais improvável, quartos de hora). 

Por outro lado, a sua indumentária tão-pouco era própria da clássica manga-de-alpaca. 

Tinha mais porte de ‘chefa’: ar sem preocupações, sapato abotinado tipo Chanel, cabelo pintado e bem cuidado, verniz a condizer, relógio que me pareceu ser D&G… 

Talvez o que não se enquadrasse, para mim, fosse o comprimento exagerado das calças, pelo menos aparentemente. 

Nota desesperada: 
Se juntarmos todas as peças do puzzle que acabei de lançar, a sua atitude carece de lógica. 

Ou, sei lá, talvez a tenha. 

Certamente que sim. 

Há sempre um porquê detrás de tudo. 

Ajudem-me por favor. 

Têm alguma ideia? 

Estou a ficar louco.
21FEV2011
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