.
A passageira "caçou-me" ajustando o espelho retrovisor à altura do seu decote.
– Gosta das minhas mamas? Disse-me.
– Refere-se ao seu decote? Disse, tratando de dissimular o meu enrubescimento.
– Refiro-me ás minhas mamas.
Estava a olhar para elas.
Disse-me com um certo ar divertido.
– O decote.
– As mamas, retrucou ela, sorrindo.
– O de-co-te.
Não é a mesma coisa… insisti.
– Ah, não.
Explique.
– O decote apenas oferece os dados necessários para conhecer como seriam essas mesmas mamas ao natural (desnudas).
Através do decote apenas podemos fazer uma ideia aproximada, nunca real, do tamanho das mesmas, ou da sua textura.
Ou a distância de separação entre elas (o comumente chamado “rego”), ou a curva côncava, recta ou convexa que descreve a sua zona frontal superior (para que todos percebam, assim como que um toldo mais ou menos tenso), ou da flacidez da sua base (poderiam sustentar uma esferográfica em posição horizontal, sem cair).
O resto é pura engenharia: sutiãs que realçam, sutiãs que moldam, sutiãs que agrandam, sutiãs que comprimem…
Um decote tão-pouco diz nada, por exemplo, a morfologia dos mamilos: se a auréola é grande ou pequena, ou a sua diferença cromática ou inclusive táctil no que respeita ao resto do conjunto mamário (se a auréola é mais ou menos escura que a da pele, se granulada ou acetinada).
O volume ou 'corpulência' do mamilo propriamente dito (incluso há-os retrácteis), ou a sua maior ou menor capacidade para erguer-se (intumescer-se erecto) segundo as circunstâncias, disse.
– E como acredita que são as minhas?
– Silicone?
Aventurei-me a dizer.
– Sim.
Ficam-me bem?
– À primeira vista, como eu disse antes, sim.
– E o que me diz do resto do meu corpo?
– A que se refere?
– Acha que tenho um corpo bonito?
– Sim.
– Sensual?
– Sim.
– Sexualmente apetecível?
– Sim.
– E se eu lhe disser que sou transexual?
– Não acreditava.
TRANSEXUAL - Ariadna Thalia Arantes
A passageira saca da bolsa, uma carteira e estendeu-me um Cartão de cidadão.
Por cima da sua foto (com efeito era ela), um apelido e mais acima o nome: Victor… e no lado esquerdo, ao centro, um sexo: a sigla “M” de masculino.
– O meu nome era Victor. mas agora chamo-me Valquíria.
Continua a achar-me “sexualmente apetecível?
– Não sei.
– À primeira vista, eu ainda sou a mesma, não é?
– Não sei…
- Pense bem.
(vou duchar-me com água fresquinha… e dormir.
BOA NOITE!!!)
.




Sem comentários:
Enviar um comentário