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Até agora, morrer tem sido, não mover-se mais, não ter batidas do coração, nem respiração nos pulmões, ter a pupilas imóveis, o corpo esfriado e os músculos hirtos.
Os nossos avós comprovavam estas manifestações levantando do corpo um braço que sempre caía, colocando o ouvido sobre o coração que não batia, aproximando uma vela acesa das narinas que não se apagava, levantando as pálpebras até se encontrarem com uns olhos que não olhavam.
O frio e a rigidez ratificavam estes dados pouco depois.
Hoje em dia, no entanto, pode manter-se a actividade cardíaca e respiratória, mediante aparelhos apropriados, enquanto outros órgãos deixaram de funcionar.
Ainda quando o moribundo conserve algumas funções e saiba que o processo é irreversível, os especialistas em ciências neurológicas consideram uma pessoa defunta quando tenha cessado a actividade cerebral.
A morte então seria um processo progressivo e não necessariamente um evento instantâneo.
Mas, em todo o caso, esta seria unicamente a morte física, corporal, a morte do corpo e não a morte total.
Os meios de difusão deram conta, nos últimos tempos, de alguns casos de morte encefálica (cerebral) assistida com recurso técnicos na sua actividade cardíaca, respiratória e nutricional.
Nalguns deles, os familiares tiveram de recorrer finalmente à justiça para que autorizasse a retirada dessa assistência médica.
Uma nova disciplina chamada bioética tem em discussão este tema tão crucial, posto que, se o corpo continua vivo com esses recursos, não está ainda morto e por consequência, a interrupção dos aparelhos empregues, pode ser considerada um homicídio, ainda que alguns prefiram chamar-lhe ‘eutanásia’, ou ‘morte digna’.
Nalgumas publicações diz-se que o conceito de morte digna é diferente no mundo saxão e no mundo ‘lusofalante’.
Em linhas muito gerais, (em ambas as áreas, há opiniões pessoais, filosóficas, religiosas diferentes), no mundo saxão a dita eutanásia pode cumprir-se por acção (retirar a assistência, por exemplo), ou por omissão (não alimentar o moribundo, digamos).
Esta simplificação é errada e injusta dado que se todos os seres humanos são seres humanos neste planeta, não se vê razão nenhuma para que a morte digna seja diferente entre um inglês e um chinês.
Se a há, há-a para todos por igual.
Continua…
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2 comentários:
É, e isso tudo, levando-se em consideração que, para quem tem um bom plano de saúde que cubra todos os custos hospitalares, é frequente querer prolongar a vida dos pacientes que já estão mais pra lá do que pra cá. Já para aqueles pobres indivíduos que não tem recursos, o sistema de saúde é tão ruim, que vezes por outra o paciente morre por uma simples infecção de garganta, e nos casos graves de necessidade de internação, muitas vezes morrem esperando nos corredores dos hospitais em cima de uma maca.
Tudo é uma lei de mercado... dinheiro, lucro, enfim, aqui no Brasil é lamentável o quesito saúde pública.
Um abraço.
lita duarte
É isso, quem tem dinheiro... morre de acordo com o que deseja...
O pobre... morre simplesmente!
Um abração
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