O VIDEIRINHO

quarta-feira, agosto 13, 2014


- Na mesa tal como nos lençóis, há o que se deixa comer e o que deseja ser comido !

VELHICE JOVEM

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E que dizer dos homens (bem adultos) que observam com “olhos de não querer”, como que com culpa, essas jovens de dezoito ou vinte anos que passeiam (ALARDEIAM) os seus encantos pela rua, procurando admirar de relance e sem o poder evitar, sob pena de serem titulados de velhos gaiteiros verdes ou pior ainda, de patetismo irreversível. 

É um combate interno nesses olhares que lançam: “Santo Deus, poderia ser minha filha”, ainda que seja um consolo saber que não é ilegal desejá-las: são maiores de idade, em última análise. 

Sentados na esplanada, evitam lançar-me comentários e fazer-me participar: 
“Olha que pedaço de mulher ali, à tua direita”, como fazem com outras mulheres de idade mais de acordo com a deles. 

 
 
Dá-lhes uma certa vergonha admitir a sua pulsão sexual pelas mais jovens. 

E é curioso que, ainda que o homem em questão envelheça e a sua mulher também, portanto, envelhecem simultaneamente, continue mantendo intactas as suas preferências ancoradas a um passado exacto: quando eles eram igualmente jovens e era o próprio relacionar com essas jovens garotas. 

Não serão todos, supostamente e tão-pouco os critico; mas há-de ser egoísta nestes casos constatar que os seus corpos languidescem enquanto continuam a desejar essas peles lisas e brilhantes e esses peitos firmes ainda que ainda sem experiência (pensam eles). 

Não valoram, portanto, a experiência. 

Ou preferem o novo á experiência. 


No entanto, especialistas dizem que o maior potencial sexual das mulheres é entre os trinta e cinco e os quarenta e cinco anos, (chamo-lhe eu: “a idade da loba!”) e dada a escolha, chega a um ponto em que a experiência é mais valorizada que mesmo o próprio corpo. 

A sensibilidade que adquirem as peles, por exemplo. 

A magnitude dos orgasmos. 

Conhecerem-se intensamente, saber o que cada um gosta e potenciá-lo. 

Questão de prioridades. 

O que me dizes???
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sábado, junho 07, 2014

- É muito triste ser rico e bonito e o despertador acabar com este sonho !

ASPIRÂNCIA

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Marcelo, vendedor de aspiradores industriais veio até ao Porto em trabalho e passou a noite num hotel do centro. 

Pela manhã, de volta para o aeroporto, contou-me a incrível história que acabava de lhe acontecer: 

"Depois de todo um dia de encontros com clientes, decidiu ir até ao quarto, não sem antes beber um aperitivo no bar do hotel". 

Depois de entrar, fixou-se num congresso que justamente nesse instante começava num salão contiguo, com as portas ainda abertas e um ostentoso catering em ambos os lados da sala. 

Num pequeno cartaz da entrada podia ler-se: “Simpósio de cirurgia plástica”. 

Impressionado com a qualidade do catering, decidiu aproximar-se um pouco mais. 

Todos os lugares estavam ocupados, excepto um, de modo que, sem pensar duas vezes, entrou com a intenção de comer e beber de borla. 

Mas não tinha reparado que, no assento, estava uma creditação e, como já era tarde para recuar (toda a fila teve que se levantar para o deixar passar), não lhe restou outra alternativa que pegar na creditação do assento, colocá-la na lapela e fazer-se passar por um tal “Marc Anderson. Cirurgião Plástico”. 

 

 

Marcelo aguentou estoicamente a tagarelice (para ele) da conferência, aplaudiu o palestrante e depois, durante o catering, acercou-se dele uma loira impressionante que entabulou conversação (enquanto ele continuava a fingir ser “Marc Anderson. Cirurgião Plástico”): a mulher desejava aumentar os peitos e queria pedir-lhe um conselho. 

Marcelo eclipsado pela “modelo” e já com uns aperitivos e meia dúzia de cervejas emborcadas, no final da festa propôs à mulher subir ao seu quarto com a intenção de apalpar melhor o contorno e a forma dos seus peitos “e assim fazer um orçamento mais aproximado”. 

Ela, surpreendentemente, acedeu. 

E entre meios de peritagem acabaram na cama, fazendo amor, o que provou ser extremamente estranho, considerando a diferença abissal entre os dois (ele era gordo, baixo, careca). 

 

Depois de umas quecas, trocaram números de telefone e telemóveis (porque não, pensou Marcelo) e a mulher foi-se embora. 

A verdade é que na manhã seguinte, Marcelo recebeu um Whatsapp da referida loiraça. 

A mensagem dizia: 

“Marcelo, sei que és casado e não me seria difícil localizar a tua mulher. 

Proponho-te um acordo: se me ofereceres o aumento do peito, não direi absolutamente nada do que se passou ontem à noite”. 

Ao que Marcelo respondeu: 

“Tentas chantagear-me? Vai em frente. Conta-lhe tudo.” 

Marcelo mostrou-me as mensagens no seu telemóvel, bem como a foto de perfil do Whatsapp dela (efectivamente, era uma mulher impressionante). Então, meio a sério, meio a brincar, disse-me: 

- Agora sei porque me dedico a vender aspiradores. Sempre aspirei a viver outras vidas.

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sexta-feira, junho 06, 2014

- O protesto civil há-de chegar até onde seja necessário para repelir os crimes desta governança !

SABICHOSOS (Parte II)

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… CONTINUAÇÃO


Neste negócio de fariscar pelos livros, para os autênticos sábios, é curiosa a persistente relação que os autores encontraram entre a sabedoria e a mulher. 

São ostensivamente misóginos, inimigos do género feminino. 

Zombam das mulheres e descarregam os seus fracassos amorosos; não há sábio a quem uma mulher não engane; se uma mulher é sábia, não a deixes entrar em tua casa; a mulher que sabe é tão estúpida como o homem que  maquilha a cara; uma mulher literata é um erro da natureza; o ouro prova-se com o fogo, a mulher com a sua ignorância. 

Até aqui nada se avançou; não é possível saber quantos sábios podem existir, mas a mulher não pode ser. 


Entre os antigos gregos, circulava pela boca do povo o nome de sete sábios, cada um baseado numa cidade diferente, conhecidos por criar uma série de aforismos ou frases memoráveis ​​que foram consideradas um verdadeiro guia para a vida. 

De Sólon, mencionava-se: 
“nada com excesso, tudo com medida” e os outros tinham os seus próprios ditos ou sentenças. 

Analisadas as suas biografias, seis deles foram políticos e só este Sólon, filósofo e matemático (Sólon de Atenas). 

Hoje em dia, pelo contrário, não se conhece nenhum político sábio nem letrado ou erudito. 

Afirmam terem lido, mas não podemos acreditar. 


É curioso, mas a qualificação de sábio não se aplica a nenhum poeta, músico, historiador, dramaturgo, teólogo, mas circulam rumores que existe uma tendência favorável para aplicá-lo aos jogadores de futebol (sábios do pé) e aos corredores automobilísticos (sábios da roda).

Se eu tivesse autoridade para fazê-lo, proporia uma nova denominação a um tal Helbert Hubbard, (ou Elbert Hubbard), pela sua frase: 
“Todo o homem está condenado a ser louco cinco minutos ao dia; a sabedoria consiste em não exceder esse limite”. 

E por que não a minha própria candidatura... eu que criei a frase:
“Sábio é o que se conforma com não sê-lo”. 

Só conheço um; mas esse, como prima pela humildade, só sei dele quando me olho ao espelho.
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quinta-feira, junho 05, 2014

- Os povos que esquecem a sua história, estão condenados a repetí-la.
Os que a recordam... 
Também !


SABICHOSOS (Parte I)

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Quantos foram ou são os sábios? 

Depende do que cada um entenda por sábio. 

Se tomamos a palavra no significado original dos gregos, nenhum, já que os homens não podem chegar a ser sábios, senão somente “amantes da sabedoria”. 

Sócrates (não o ‘sábio contemporâneo’ que todos conhecemos, rsss,rsss, mas o do séc. V a.C.), dizia que só é sábio o que sabe que não sabe nada: “Só sei que nada sei”. 

Segundo o poeta, escritor e humanista espanhol, Fray Luís de León, tem havido poucos, conforme diz num conhecido verso: 
“os poucos sábios que no mundo o terão sido” (ODA I - Vida retirada). 


Para os primitivos japoneses, muito anteriores, sábios eram os homens que tinham aprendido os ensinamentos dos três místicos “macacos”, não ouvir, não ver e não falar. 

Vendo-os juntos, um tapando a vista, outro os ouvidos e o terceiro a boca, compreende-se de imediato que já, nesses vetustos tempos, se regiam pelo princípio incrédulo de que a sabedoria era perigosa e que era muito mais segura a ignorância. 

Um certo miúdo meu conhecido, tão-pouco sabe quantos há no mundo, mas de uma coisa tem a certeza, o seu pai é um deles. 

E expressa-o desta maneira: 
“O meu ‘velho’ sim, é um sábio, vive os dias bêbado e não se preocupa com nada”. 


Para Enrique Santos Discépolo (conhecido como Discepolín) o filósofo dos tangos argentinos, é impossível sabê-lo, porque nada nem ninguém é melhor, tudo é igual “até mesmo um burro / que um grande professor “ e vivemos espezinhados, todos no mesmo lodo. 
(Cambalache). 

Um antigo provérbio israelita afirma que, sábio é quem “escuta uma palavra e entende duas”. 

Há ‘milhentas’ opiniões sobre sábios em todas as culturas, mas de nenhuma delas se pode inferir quem o foi ou é, nem quantos houve ou há no mundo. 

 
Ninguém se daria ao trabalho de rastreá-los nem de verificá-los. 


Shakespeare disse que são uns quantos mais do que os parasitas; Montaigne opina que sábio é aquele homem que vê mais do que deveria ver, mas menos do que pode; o francês Philippe Quinault sustém com prudência que sábio é quem não é mais do que o necessário. 

CONTINUA…
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quarta-feira, junho 04, 2014


- A felicidade é uma decisão !

DE CHOFRE!!!

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Foi ele que deitou a mão ao fecho e abriu a porta do meu táxi. 

Mas só ela entrou. 

- Não entras? Perguntou-lhe. 

- Não. Não posso. 

- Porquê? Retorquiu ela. 

- Marta... já não te amo. 

- Como? 

- Tenho estado a pensar e… é isso. 
Que já não te amo. 

Não houve mais palavras. 

Talvez ele procurasse alguma reacção nela, mas ao não a encontrar fechou a porta e foi-se... caminhando rua abaixo. 

Ela e eu permanecemos em silêncio. 

Ainda não me tinha indicado o destino previsto quando entrou no meu táxi, justamente antes daquele “já não te amo”. 

Optei por não dizer nem fazer nada. 

Não iniciei a marcha nem accionei o taxímetro. 

É melhor não tocar nos sonâmbulos. 

Entendi perfeitamente o seu bloqueio. 
 
 
 
Não conheço frase mais inesperada: “já não te amo”. 

Ninguém espera escutá-la nunca, nem muito menos mastigá-la, assumi-la. 

Soa como uma guilhotina a cair: “já não te amo” sssstchh. 

E a alma mutilada rodando, sem sangue. 

Não há sangue porque te deixa seco. 

Tão-pouco existe um plano B. 

Não é um desvio brusco do guião, senão outro filme.

Quem achas ser o protagonista, nunca morre na cena do táxi, mas no final, pouco antes do preto do final e os títulos dos créditos do filme. 

Necessitamos de diálogos que expliquem as roturas, não um título e um bater estrondoso de portas. 


Necessitamos mastigar a tragédia para não nos engasgarmo-nos com ela. 

É insuportável a incerteza do já não te quero. 

Já?, agora?, a partir deste preciso momento em adiante? 

Existe esse preciso momento? 

Onde está a linha da fronteira? 

No puxador da porta do táxi? 

Nota: 
O que aconteceu depois, quando finalmente conseguiu sair do seu bloqueio, guardo-o para uma próxima oportunidade. 
É demasiado denso, intenso e... até a paisagem se incendiou.
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terça-feira, junho 03, 2014

CAVACO cidadão de Boliqueime



- Gosto mais de ti quando te sonho… então faço de ti o que quero !

VIAJANTES APÓLIDAS

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Caminhas só pelas ruas de uma cidade que não conheces, que não é a tua e no entanto não encontras nenhuma diferença: sentes os mesmos edifícios, as mesmas luzes, os mesmos táxis. 

Os transeuntes também têm unhas, cotovelos e joelhos e até ossos por dentro. 

E movem-se. 

Respiram. 

Alguns beijam-se. 

Ou bebem água, ou cerveja, ou café nas esplanadas. 

Ou falam ainda que tu não entendas patavina do que dizem. 

Continuas a caminhar rua abaixo, como a água e os teus passos levam-te até uma praça com um monumento de aspecto antigo. 

Aproximas-te e olha-lo só porque os demais também o olham.

 
 
Todos tiram fotos menos tu.  

Todos querem recordar menos tu. 

Todos confiam no bem que envelhecerá o seu presente. 

Valentes ou ingénuos todos. 

Menos tu.  

Diversos guias turísticos explicam aos seus respectivos grupos os porquês do monumento.

Um deles leva um distintivo do teu mesmo país. 

Acercas-te e saúdas, mas ninguém te parece conhecer.

Nem sequer a guia. 

Para que servem então as bandeiras? 

E ainda que falem no teu mesmo idioma não entendes nada. 

Fazem parte do teu país, mas não são o teu mundo. 

Então aí te dás conta do lugar que ocupas. 

Turista sem pátria.
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sábado, maio 31, 2014


- Hoje deparamo-nos com o facto espantoso de que a fama carece absolutamente de base e está baseada na infâmia !

MUNDIAL

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Apesar dos folhetos na minha mesa e das mesas na minha cabeça, noto que breve começará o Mundial de futebol, com tudo o que isso tem de regresso à adolescência de há uns minutos, (com recordações tão bem gravadas que assustam), a imagens icónicas (as que perduraram e as que virão nestes dias e não esqueceremos), a decepções sempre próprias e êxitos sempres alheios, ambos exagerados. 

A áridos momentos de aborrecimento e a poesia inesperada e fugaz, versos de um drible impossível ou de um golo que ninguém viu, salvo a ilusão partida em tantos pedaços como papelitos que povoam alguns estádios. 

Regressa o Mundial, com o que tem de volta ás apostas que quiçá possam falir (como quando digo agora que, para mim os favoritos são Brasil, Portugal e Espanha). 

 

 O primeiro jogo é com a Alemanha

A jogadores que elevam os seus olhos e dedos ao céu quando metem ou falham um golo. 

A um público rendido que crava os seus olhos e os seus dedos nesses jogadores, vestidos de deuses em calções curtos, vociferando sermões com os pés ante uma audiência multimilionária que crê, durante um mês, que a sua nação não sofre com as suas crises sangrantes, senão que voa ou se afunda, dependendo de onde acabe uma bola sem pátria. 

Começa o Mundial com tudo o que tem de emoção. 

Emoção irracional, claro: a única credível. 

A única perigosa. 

Há outros jogos possíveis. 

Sabem-no os grandes filósofos e as noites de sexta-feira.

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sexta-feira, maio 30, 2014


- Nem todos os homens bonitos têm namoradas... Muitos deles têm namorados !

BOCA A BOCA

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Recordas-te como foi o teu primeiro beijo? 
Recordas o último? 
Sem dúvida que o primeiro foi tímido, desajeitado, tirando para o foleiro. 
Procuraste beijar como nos filmes, mas não esperavas que aquele contacto fosse fofo (acolchoado) e tivesse sabor. 
Não é fácil imaginar os sentidos do gosto e do tacto de outra boca novata sem mais referências que as do cinema e, é claro, dos teus sonhos. 
Depois, com o segundo e terceiro e quarto beijo, foste aperfeiçoando a técnica, quebrando pouco a pouco a barreira das línguas e recreando um leque de beijos cada vês mais amplo. 
Passaram pela tua boca várias “garinas”  (namoradas, amantes…) e então, compreendeste que nenhuma beijava da mesma maneira, nem utilizava a língua com a mesma técnica. 

 
  (“A ETERNA PRIMAVERA”, 1888, uma das cenas de “O BEIJO” idealizadas par  Auguste Rodin)

Algumas abriam e fechavam a boca como peixes fora de água ou bonecos ventríloquos. 
Outras retesavam a língua; ou moviam-na em círculos monocórdicos, quase industriais; outras retesavam os lábios ou, inclusivamente, sugavam, como quem come um iogurte sem colher e sem mãos. 
A ti agradava-te mais de as confundires. 
Procuravas beijos criativos, interactivos, ou pelo menos que nenhum fosse igual ao anterior. 
Aos lábios carnosos davas-lhe o protagonismo suave que mereciam. 
Aos lábios finos, a textura de meigos mordiscos com os teus lábios. 
Chegaste inclusive a refinar o teu modo de controlar os tempos e portanto, de variar a intensidade, o calor e o desejo. 

 
 'O Beijo' Constantin Brancusi - 1876-1957

Depois chegaram relações mais longas e então compreendeste que os beijos também podem acabar por morrer de sucesso e fortalecem-se, ou diluem-se em meras formalidades e aí, pode suceder que recordes ‘outras bocas’ e acabes por ir à procura de ‘outras bocas’. 
Quando os beijos secam, o amor escaqueira-se e já não há saliva capaz de reavivar o que quer que tenha existido no início. 
Não há reanimação possível. 

 
 ‘O BEIJO’ de STENIEN

Não há boca a boca. 
Com isto estou a tentar dizer-te que hoje me foi dada a oportunidade de comparar aquele primeiro beijo com o último (desta manhã) e entre ambos notei um abismo irreconciliável: definitivamente, sou outro homem. 
Cansei-me de inovar com outras bocas e agora aspiro fixar a minha língua num só par de lábios. 
Os lábios mais perfeitos que, certamente, jamais beijei. 
Talvez seja por isso que me detenho e abandono os beijos furtivos…
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quinta-feira, maio 29, 2014


- Se alguém te dá que pensar, nem o penses !

DE SUPETÃO

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Brinquemos a que hoje se acaba o mundo. 

Imagina que de repente cai uma imensa bola de fogo e pilha-te a limpar os azulejos da cozinha, a ti na sala da fotocopiadora sentado sobre ela tentando fotocopiar o “dito cujo”, a ti na fila do Centro de Emprego, a ti dormitando no Centro de Saúde depois de umas horas à espera do "snr. doutor", a ti seduzindo a professora do teu filho, a ti a comprares dois quilos de tangerinas, a ti a rezares o rosário, a ti a leres "As Cinquenta Sombras de Grey”, a ti na cadeira do dentista, a ti a pintares as unhas dos pés, a ti lendo este blog, ou a mim ao volante do meu táxi a falar de Passos Coelho com o passageiro. 

Imagina que de repente PLOP! Desaba-te o mundo… 

 

Imagina que primeiro aparece um imenso clarão e logo aí damos conta de que os Maias tinham razão. 

E a partir daí, um intervalo de apenas cinco segundos antes do GAME OVER. 

Cinco segundos de reacções absurdas e irracionais, de inverosímeis actos reflexos. 

Imagina que de repente sabes que te restam cinco segundos de vida. 

Tu que limpas azulejos dar-te-ia para repassar no último e deixá-lo perfeito. 

O das fotocópias partiria o vidro da máquina e enterraria os cacos no "dito cujo". 

O da fila do Centro de Emprego abraçaria a loiraça que bambaleava, provocantementeo, o traseiro na fila. 

O do Centro de Saúde agarrar-se-ia à enfermeira noviça. 

O que seduz a professora, beijá-la-ia (sem língua). 

O que compra tangerinas voltaria a guardar o porta-moedas. 

A que reza o o rosário soltaria um “f*da-se!”. 

 

A d’As Cinquenta Sombras de Grey iria imediatamente à última página do livro e leria o final. 

A da cadeira do dentista taparia o buraco do dente com a língua. 

A que pintava as unhas dos pés cairia de cu a assoprá-las com toda a vontade. 

Tu que lês o meu blog pulsarias F5 para ver se alguém comentou no último momento. 

E eu, no meu táxi, sei lá, pararia o taxímetro, ou daria um punhão no meu passageiro. 

A primeira murraça da minha vida. 

Ou talvez pensasse nos anos que me faltam para pagar a hipoteca da casa, ou espatifaria o táxi de propósito para ser o primeiro, ou desligaria o rádio, ou deitaria a cabeça de fora à janela, ou cantaria, ou pensaria em nada, só em desfrutar o momento. 
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quarta-feira, maio 28, 2014


- Todos os homens têm uma mulher no pensamento; os casados, além disso, têm outra em casa !