O VIDEIRINHO

quarta-feira, dezembro 06, 2006

MATEMÁTICA LÍRICA


Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.

Olhou-a com o seu olhar inumerável
E viu-a, do Vértice à Base ...

Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóidal,
Corpo ortogonal, seios esferóides.

Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.

Até que se encontraram
No Infinito.

"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.

"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas podes-me chamar Hipotenusa."

E ao falarem descobriram que eram
- O que, em aritmética, corresponde
A almas irmãs: – Primos entre si.

E assim amaram-se
Ao quadrado da velocidade da luz.

Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas senoidais.

Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas e os exegetas do Universo Finito.

Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.

Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissectriz.

E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade Integral e Diferencial.
Casaram-se e tiveram uma secante e três Cones muito engraçadinhos.

E foram felizes
Até áquele dia
Em que tudo, afinal,
Continuou monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum ...

Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.

Era o Triângulo,
Por todos chamado, amoroso.
Desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade.
E tudo o que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer
Sociedade.

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