

Caminhava por uma alameda dum hospital psiquiátrico, quando deparo com um jovem, sentado num banco, lendo um livro de filosofia.
Pela sua postura e aspecto saudável, havia algo que não combinava muito bem com os outros doentes.
Curioso como sou, sentei-me ao seu lado.
Não me contive e perguntei-lhe:
- Desculpe! O que está a fazer aqui?
Olhou-me surpreendido, mas reparando que eu não era nenhum dos médicos, respondeu-me:
- É muito simples.
O meu pai, um brilhante economista, queria que eu fosse como ele.
O meu tio, administrador de diversas empresas, queria que lhe seguisse o exemplo.
A minha mãe, só via em mim a adorada imagem do seu pai.
A minha irmã citava, constantemente, ao meu cunhado, que eu era um homem de êxito.
O meu irmão, que era o meu treinador de atletismo, queria que fosse um atleta da sua estirpe.
Na escola, os meus professores, enalteciam-me e colocavam-me nos píncaros; o explicador de inglês e o músico que me dava umas lições de piano, estavam convencidos e seguros que eu era um exemplo para todos .
Ninguém olhava para mim como um simples mortal, como se deve olhar para um homem, mas sim como para um espelho.
Assim, decidi internar-me neste hospital psiquiátrico.
Pelo menos aqui posso ser eu mesmo!
3 comentários:
O mal educativo e idealista de muitas famílias!!!!!!!!!
Dar-lhes oportunidade de serem ao que quiserem, continua a ser difícil para a maior parte dos pais.
Tudo fazer para responder às expectativas dos que sonham com o nosso futuro é empenhar a nossa vontade e autonomia!
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