O VIDEIRINHO

sexta-feira, dezembro 12, 2008

OBSESSÕES

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A virgindade, o seu significado e as suas implicações, tiveram um forte impacto no sobreviver das sociedades.

Na realidade, foi um grande peso com que tiveram de acarretar as mulheres ao longo dos séculos.

A virgindade, como imperativo, ocasionou muito sofrimento no mundo, durante demasiado tempo e é um claro exemplo da desigualdade entre sexos.

Não existe uma exigência equivalente para o homem na história.

Recentemente li que as cirurgias de reconstituição do hímen, (himenoplastias), estão a aumentar e muito, em França.

Isto chama-nos a atenção para que, hoje em dia, com o avanço do pensamento humano em todos os sentidos, se pretenda voltar a reivindicar a virgindade.

Em termos gerais, a ideia que a mulher há-de chegar virgem ao matrimónio, tem fortíssimas bases religiosas.

Por um lado, no cristianismo existe o dogma, (essa coisa terrível, verdadeira ou mentirosa, segundo cada um), de que Maria concebeu um filho, Jesus, mantendo a virgindade em todos os momentos, “por obra e graça do espírito santo”.

É um dogma e temos que aceitá-lo (???) sem qualquer questionamento.

E tudo isto, antes da existência dos métodos de reprodução assistida, tais como a inseminação artificial e outras, que tornariam possível que Maria engravidasse sem necessidade de ter relações sexuais.

Noutras religiões, como por exemplo no Islão, concede-se uma importância igualmente exagerada à virgindade da mulher.

Como consequência proíbe-se estritamente manter relações antes do matrimónio.

O seu incumprimento pode ocasionar a morte, para escândalo de muitas mentes ocidentais.

Há pouco, um juiz francês determinava que a falta da virgindade não incide no casamento e não é motivo de divórcio, para o caso dum casal muçulmano em que o marido o reclamava.

No hinduísmo existe um rígido sistema de castas.

Nesta religião, além de ser proibido a união de pessoas provenientes de castas distintas, uma mulher que não chegue virgem ao casamento pode ver-se excluída da sociedade automaticamente, ficando numa espécie de limbo social.



Na etnia cigana existe um ritual durante a boda em que o homem constata a virgindade da mulher, introduzindo-lhe um lenço na vagina, o qual tem que sair manchado de sangue para prosseguir com a cerimónia nupcial.


Em qualquer dos exemplos citados, pode-se produzir um grande sofrimento na mulher, como resultado da ideia de que é necessária a virgindade antes do matrimónio.


Esta dita dor, também pode recair indirectamente nos parentes chegados à mulher não virgem.


Em termos mais concretos, a ideia da virgindade, como disse, provoca grande confusão, sentimentos de culpa e tem dado lugar a situações em que a mulher fica estigmatizada, maltratada, subjugada, excluída ...


Segundo a francesa, Sihem Habchi, Presidente do Movimento Feminista francês, que tem como lema, “nem putas, nem submissas”, em declarações à BBC Mundo, sobre as cirurgias para reconstrução do hímen, disse:


“Essa classe de cirurgias responde e corresponde a um sistema de pressão machista que procura controlar a mulher.


Não se pode falar disso como um acto de cirurgia estética para o bem-estar feminino, porque é negar a realidade social de milhões de mulheres, actualmente na Europa ...


Essa realidade inclui mulheres ameaçadas e torturadas porque não são virgens.


Há uma obsessão pela virgindade”.


Do meu ponto de vista e afortunadamente o de muitíssimas outras pessoas, é absolutamente intolerável a exigência da virgindade feminina.


A honradez não se encontra no meio das pernas.


Mas parece-me que as mulheres não podem ceder e baixar “a guarda”, tantos anos de luta por direitos a que tinham direito e todavia estamos a falar da virgindade.


Que triste!





Para tua introspecção:


Que importância concedes à virgindade, como condição para o casamento?


Qual a tua opinião sobre estas cirurgias reconstrutivas do hímen?


Podes pensar em alguma exigência para o homem?


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4 comentários:

Daniel Costa disse...

Caro José Torres

Erradamente, hoje assumo, a virgindade para mim foi ponto de honra. Outros tempos, outros pensamentos!... Adiante, porque hoje penso, com a revolução sexual, evita-se muito dar dor, muito sofrimento. Era isso que estava em jogo, essencialmente.
Um abraço,
Daniel

xistosa, josé torres disse...

Há 40 anos os pensamentos eram mais curtos.
Hoje temos mais visibilidade ...
Temos que reconhecer que a emancipação da mulher, não foi um acto de justiça, foi a coisa natural do ser humano.

Estou sem os meus "amigos" que normalmente não percebem o que quero.

Por isso estou a meio gás ...

Talvez amanhá um fique a funcionar.

Táxi Pluvioso disse...

Agora a virgindade é de bom tom no homem.

xistosa, josé torres disse...

Táxi Pluvioso

Só hoje é que vi o comentário.
Não os recebo no e-mail, nem sei como isso se faz ...
Por isso alguns fogem, como os peixes mais pequenos nas redes ...

Se é moda agora já é tarde para mim ...
Mas não queria voltar ao tempo da inocência.
Parece-me que caminhamos para o mesmo.

Então quem viola, não de tocar ou premir as cordas, de enfiar, como a linha na agulha, as boazonas que se iniciam logo no início???