O VIDEIRINHO

terça-feira, dezembro 16, 2008

UM PAR de BOTAS para BUSH


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Jornalista iraquiano Muntazer al-Zeidi

“Toma o teu beijo de despedida da parte do povo iraquiano, pedaço de cão”.

Será uma das frases e porque também ficou gravada, imagens, do ano e possivelmente dos mandatos de Bush à frente da Casa Branca.


O jornalista iraquiano Muntazer al-Zeidi decidiu desfazer-se dos seus sapatos e lançá-los ao presidente dos EUA, que mostrou bons reflexos.


Mas por detrás desta intenção de agressão, esconde-se “o pior gesto de desprezo”, que um iraquiano pode fazer.


“Se o jornalista pudesse atirar a cadeira ou um objecto mais contundente, não o teria feito.


Porque para um iraquiano, lançar a alguém um sapato, é o gesto de maior desprezo para um ser abjecto”, segundo li hoje uma explicação dada por Akram Jawad, professor de árabe numa universidade espanhola.


Segundo ele, no seu país, “até os miúdos sabem que bater com sapatos ou sandálias, é o máximo acto visceral que se pode fazer a alguém”.


“A tradição popular diz que não há melhor forma de acabar com os escorpiões que dar-lhes com a sola do sapato”, acrescentou.


Por isso é impensável ver uma mãe de chinelo ou sapato em punho, para castigar ou repreender um miúdo, um gesto muito vulgar no Ocidente.

Akram Jawad, recordou também as imagens de vários iraquianos, de sapato ou sapatilha na mão, golpeando os restos da estátua do ditador Saddam Hussein, que acabava por ser derrubada pelos americanos que tinham entrado em Bagdade.


Agora virou-se o feitiço contra o feiticeiro, ou melhor dizendo, lançar um sapato, não só é depreciativo num momento de agressão, como também, o sapato em todo o mundo árabe, representa a impureza.


O gesto típico “dos barões”, de porem as “patas” na mesa, como aquela foto de dois asnos, desculpem, de Aznar e Bush, nunca seria possível num país árabe, segundo acrescenta, Akram Jawad, porque mostrar as solas do calçado, é uma ofensa para o resto das pessoas.


O gesto de desprezo não se limitou ao lançamento dos sapatos, (nº 44, segundo o próprio Bush).


Antes dos serviços de segurança lhe caírem em cima de Muntazer al-Zeidi, este ainda pode “dedicar” um “pedaço de cão” ao presidente dos EUA.


A identificação com este animal é, para o mundo muçulmano, “dos piores insultos com que se podem mimosear os inimigos”.

A sua origem, parece estar na tradição que conta que um cão emporcalhou, (urinando), as vestes do profeta Maomé.


Não é habitual que os muçulmanos tenham um sua casa um cão como animal de estimação.


Diz-se que nos lares onde existe um cão, não entram os anjos.


Este animal é o segundo na escala de rejeição, depois do porco, para os seguidores do Corão.


Além do mais, diz, Akram Jawad, os cães nestes países, tão-pouco são utilizados na caça, sendo substituídos nestas tarefas por falcões.


Paradoxalmente, os “galgos do Golfo Pérsico”, são os mais cotados a nível mundial …


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2 comentários:

Angela Ladeiro disse...

E eu que gosto tanto de sapateado!!!

xistosa, josé torres disse...

Angela Ladeiro

O que se aprende sem querer.
Ia agradecer o comentário e estava a comentar com a minha mulher, (a redundância é propositada), quando ela me disse que o sapateado não era espanhol, como eu pensava.
Afinal tem pais Irlandeses.

Em tempos, tive uns sapatos, (se os procurar, tenho-os em casa), já não recordo o nome que lhe davam, para sapateado.
Ainda aprendi "a fazer barulho" ... mas depois passou-me a vontade.