O VIDEIRINHO

domingo, agosto 29, 2010

FEIOS, PORCOS e MAUS (Parte II)

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… Continuação




Pegaram nos 5 euros e começaram a rir-se, fazendo menção, por gestos, de a quererem guardar no bolso, não sei se "estáis" a topar, como foi, eheheh …

O “espertalhão”, voltou a colocá-los na mesa, mas, de forma casual, numa "desafortunada manobra", fez com que uma lista, de ementa, caísse sobre ela, ocultando-a da vista.

Novamente muitos risos alarves.

Desta vez os olhares cúmplices selaram o pacto e, quando o empregado se acercou da mesa para limpá-la e recolher a loiça do grupo anterior, uma sólida mão manteve a lista da ementa colada à mesa, abrigando a preciosa e valiosíssima … nota de 5 euros.

Não é preciso dizer que ao espertalhão e ao seu grupo de abutres lhes saiu o tiro pela culatra.

Saiu-lhes o abcesso mais chato e desgraçado com que poderiam contar:

EU!!!


Não sei se o que mais me chateou foi por os tipos serem uns mãos-leves vestidos de Armani, ou por ser uma parca quantia, os 5 miseráveis euros.

Por que é que se há-de ser desprezível e ascorosamente avarento para pôr-se a surripiar notas e moedas das mesas dos cafés, a quem trabalha?

Resumindo, poder-me-ia estender com adjectivos qualificativos mais algum tempo, mas creio que deixei vincada a minha postura.

Passado um tempo prudente e vendo que a disposição dos indivíduos não se tinha modificado uma vírgula, a minha parceira fez sinal ao empregado para que nos trouxesse a conta.

Abanando numa mão a nota com que pensava pagar, conseguiu que o célere empregado parasse a sua agitada marcha e nos brindasse 5 segundos de atenção.

E chibei.

Assim, no mais puro estilo “queixinhas”, chibei e fiquei explodindo de prazer.



O homem agradeceu-nos e sem dizer uma palavra, aproximou-se da mesa dos ministros da economia, colocou a lista de pé e levou a nota.

Puxa, que jogada, pá!

O que ele poderia ter feito com 5 euraços, aparte de ficar como um cabrão na cafetaria …

O tipo que estava à minha frente olhou-me sibilinamente e cravou-me um olhar que me augurava arder num dos 9 círculos do inferno.

Eu, ali, com a minha camisa de feira e as minhas calças gastas, sustive o olhar de “senhor de Park Avenue”, triunfal, desafiante, com essa tranquilidade que me outorga saber que tenho mais razão do que deus.



A minha amiga, que é uma pessoa de arrebatadora vivacidade, digamos assim, para não dizer que é pólvora comprimida, tomou consciência de que com a tensão que existia no ambiente, que era de cortar à faca, virou-se rapidamente, preparando-se para uma luta, se surgisse a oportunidade.

Não fez falta, o tipo olhou-me outra vez mais, não sei se por me odiar ou porque queria uma foto assinada, recuou no seu empenho para tentar ver através de mim e voltou a falar com a sua carteira ministerial.

E assim, amigos, estão as coisas, 5 sujos e míseros euros.

Já nem no gato podes confiar.

Não é boa época para fazer bons negócios.

E maus, pelos vistos, também não.

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2 comentários:

Fa menor disse...

Boa!
Era um negócio e pêras! quero dizer,não foi nem de pêras nem de notas.

(anda muito ladrão por aí com cara de gente-bem)

xistosa - (josé torres) disse...

Fa menor

Como dizia Jean Costeau:
Uma garrafa de vinho meio vazia também está meio cheia; mas uma meia mentira nunca será uma meia verdade.

ou

S. Tomás de Aquino:
A verdade e a falsidade de uma opinião depende de, se a coisa é ou não é.

Acho que é assim que dizem, que foi assim que eles disseram. (rsss, rsss, rsss)
E sobre a ladroagem que anda por aí com aparência enganosa ... estamos conversados. ANDAM MESMO!!!!

Uma boa semana.