O VIDEIRINHO

domingo, dezembro 12, 2010

LIMITES

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Interrogo-me com frequência e sempre a sós, para não ter testemunhas, como se pode ser conservador em Portugal. 

O que devemos conservar, para além do Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa e do Parque da Cidade no Porto? 

A tradição entre nós tem consistido, quase sempre, em perpetuar alguns costumes que só poderiam manter alguns interessados em mantê-las. 

Em certos tempos heróicos fica suficientemente claro: 
“Por Deus, pela pátria e pela república, lutaram os nossos pais”. 

É um legítimo orgulho familiar, sem dúvida, mas confessar que os seus filhos, ao cabo dos anos, continuarão lutando, também não deixa de ser uma confissão de fracasso geracional. 

Estamos sempre na mesma? 


Não coincide entre nós a idade com o tempo? 

O nosso rude adagiário assegura que, um não faz o todo. 

Se a chamada "sabedoria popular" fosse tão sábia como acreditava Edison Carneiro, ou algum dos seus descendentes intelectuais, subsistiria a ideia do progresso moral, mas os homens mudam quando muda a época, tenham a idade que tiverem, já que todos podemos esconder uma certidão que prove, que nascemos sendo muito pequenitos. 

Há pelo menos um partido político, ao qual os seus inimigos chamam de reaccionário, sem provas suficientes que seja progressista, pretende reduzir a idade penal para os menores delinquentes. 


A delinquência infantil obriga a adiantar os calendários, mas deu-se-lhes tempo a esses jovens para construírem a sua alma? 

Dito de outra forma: há uma idade para assumir responsabilidades pelas suas acções? 

Questionou-se Rilke, que estava sempre a fazer perguntas : quem poderá descrever, como é uma criança? 

Reduzir a idade penal, como alvitram alguns eruditos, para os 14 anos é um ultraje, mas encurtar os limites da sua impunidade é outra. 

Vamos ter que escolher.

03SET09
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1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

Pois, que as fábricas de conservas já se foram todas, mas o sorriso de Cavaco deve ser conservado.