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Olhos cerrados, boca entreaberta, pertinho da minha.
Os meus lábios quase roçando os seus lábios.
Noto o seu hálito.
Está adormecida.
Afasto com cuidado o lençol.
Pouco a pouco.
Emergem os seus ombros, a leve curva dos seus seios.
Aproximo o meu olho direito do piercing do seu mamilo direito.
É um aro ou argola com uma pequena bola metálica (já tinha reparado nele ontem à noite).
Vejo-me reflectido na bola.
O meu nariz vê-se grande na bola e o meu pómulo pequeno e distorcido, como muito longe.
Toco sem querer o seu mamilo direito com a ponta do nariz.
O meu nariz ou o seu mamilo é suave.
Ou ambos.
Nunca o saberei.
Afasto mais o lençol e detenho-me nas complexas pregas do seu umbigo.
Deus estava doente.
Deito a língua de fora.
Sabe a sal.
A cicatriz de seu cordão umbilical esconde o afluir de todos os mares.
Duas ilhas nas suas ancas, um vale seco e um sumidouro.
E do outro lado dos contornos das suas ancas, o nada.
Ou a cama.
É o mesmo.
Agora faço deslizar o lençol com os dentes.
Pouco a pouco, compõe-se a figura do seu sexo no eixo das suas pernas.
Aproximo-me por cima.
Cheira a electricidade estática.
A perigo.
Um pote de mel vazio.
A isóbara.
Chupo o dedo e introduzo-o no seu sexo com cuidado.
Percorro as suas paredes com a polpa dos dedos.
Braille húmido.
Sou um cego a ler a Bíblia.
Afasto-me.
Volto a deitar-me a seu lado.
Não sei o seu nome.
Apenas nos conhecemos ontem.
No meu táxi.
As circunstâncias não importam.
O seu nome não importa.
Agora dorme.
Profundamente.
É tudo.
28FEV2011
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2 comentários:
Estou a ver que a malta dos táxis safa-se bem. É pena não serem taxistas (no feminino), como sou pobre, e não tenho dinheiro para transporte próprio, ando sempre de táxi, e não seria mau ter as motoristas a levar os clientes para a pensão, clientes do táxi, claro.
Táxi Pluvioso
Será que se safam?
... e para a pensão, claro!
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