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Reconheci o actor.
A actriz também.
Apanharam o meu táxi numa dessas tantas ruas “anónimas”, indicaram-me um destino que a ninguém importa e começaram a falar daquilo que qualquer casal fala, de temas quotidianos e outras banalidades.
O caso é que ao olhá-los pelo espelho comecei a pensar no estranho que teria de ser essa precisa mistura entre o sentimental e a sua profissão compartilhada.
Recordei que ambos tinham actuado juntos, como um casal de ficção, num qualquer filme.
Imaginei a raridade que é, ser interprete de um papel de um casal, com a própria esposa, ensaiar juntos um amor de guião diferente do real ou inclusivamente beijarem-se e acariciarem-se metidos ambos na pele do outro.
E aprender a sentir como sentiria o personagem que interpretas e beijar com os seus lábios e anular os teus.
E arriscar dissimular e sobrepor um sentimento ficticio depois do golpe da claquete.
Imagina que o actor se mete tanto no guião que acaba por se enamorar ainda mais da personagem que ela interpreta e é mesmo ela.
Imagina que ao acabar a rodagem, regressam juntos a casa e ele não pode evitar continuar a pensar nessa outra ela do filme.
Imagina que acabam, como em cada noite, fazendo amor, mas agora ele não pode evitar sentir-se culpado, infiel a ela mas não ao seu corpo.
Imagina que sensação dual tão atroz.
Nota:
Absorto como estava nestes pensamentos, perdi completamente a atenção do carro que me precedia e quando travou, dei-lhe um ligeiro toque por detrás.
Com o impacto, a actriz bateu contra as costas do banco da frente, só isso.
Nada de grave.
Forneci os meus dados ao outro condutor e desculpei-me perante os dois, confessando os meus motivos.
Que me distraí pensando em tudo isto e que tinha um blog onde misturo a fantasia com o devaneio, a aberração com a ficção e a realidade e esta realidade poderia ser um bom post.
Tirada DAQUI
Hei-de reconhecer que me surpreendeu a reacção de ambos.
Talvez, movidos mais pela curiosidade que pelo incidente, mostraram-se dispostos a participar no jogo e prometeram entrar no blog; lê-lo e deixar um comentário.
Agradeço-lhes do coração.
Do coração real.
Depois de ter "passado pelas brasas" acordei...
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2 comentários:
Estou a comentar mas não fui eu.
Táxi Pluvioso
Parece-me que acordei mesmo.
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