O VIDEIRINHO

terça-feira, novembro 15, 2011

REALIDADE REAL

 .

 

Reconheci o actor. 

A actriz também. 

Apanharam o meu táxi numa dessas tantas ruas “anónimas”, indicaram-me um destino que a ninguém importa e começaram a falar daquilo que qualquer casal fala, de temas quotidianos e outras banalidades. 

O caso é que ao olhá-los pelo espelho comecei a pensar no estranho que teria de ser essa precisa mistura entre o sentimental e a sua profissão compartilhada. 

Recordei que ambos tinham actuado juntos, como um casal de ficção, num qualquer filme. 

Imaginei a raridade que é, ser interprete de um papel de um casal, com a própria esposa, ensaiar juntos um amor de guião diferente do real ou inclusivamente beijarem-se e acariciarem-se metidos ambos na pele do outro. 

Claquete

E aprender a sentir como sentiria o personagem que interpretas e beijar com os seus lábios e anular os teus. 

E arriscar dissimular e sobrepor um sentimento ficticio depois do golpe da claquete. 

Imagina que o actor se mete tanto no guião que acaba por se enamorar ainda mais da personagem que ela interpreta e é mesmo ela. 

Imagina que ao acabar a rodagem, regressam juntos a casa e ele não pode evitar continuar a pensar nessa outra ela do filme. 

Imagina que acabam, como em cada noite, fazendo amor, mas agora ele não pode evitar sentir-se culpado, infiel a ela mas não ao seu corpo. 

Imagina que sensação dual tão atroz. 

 

Nota: 
Absorto como estava nestes pensamentos, perdi completamente a atenção do carro que me precedia e quando travou, dei-lhe um ligeiro toque por detrás. 

Com o impacto, a actriz bateu contra as costas do banco da frente, só isso. 

Nada de grave. 

Forneci os meus dados ao outro condutor e desculpei-me perante os dois, confessando os meus motivos. 

Que me distraí pensando em tudo isto e que tinha um blog onde misturo a fantasia com o devaneio, a aberração com a ficção e a realidade e esta realidade poderia ser um bom post. 

Tirada DAQUI

Hei-de reconhecer que me surpreendeu a reacção de ambos. 

Talvez, movidos mais pela curiosidade que pelo incidente, mostraram-se dispostos a participar no jogo e prometeram entrar no blog; lê-lo e deixar um comentário. 

Agradeço-lhes do coração. 

Do coração real. 

Depois de ter "passado pelas brasas" acordei...
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2 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Estou a comentar mas não fui eu.

xistosa, josé torres disse...

Táxi Pluvioso

Parece-me que acordei mesmo.