.
Creio que não surpreenderia ninguém se dissesse que os japoneses são um povo sábio.
Talvez surpreendesse mais gente se o dissesse desnudo, assim... continuarei a tirar a roupa.
Um momento..., enganchou-se-me uma perna das calças.
Os japoneses são um povo sábio.
(Exclamações de assombro entre o público. Oh! Ah! Disse-o desnudo. Vestido não teria tanta graça. Etc….)
Recentemente visitei o Japão para levar a esse grande país uma grande oferta
Pensei que a minha viagem ia acabar com séculos de angústia e longas refeições, além das lutas intermináveis com os últimos bagos de arroz que resistem a ser agarrados e, que no final, se deixam no fundo da tigela por preguiça e depois de inauditos esforços, lágrimas e dores nos dedos das mãos.
De facto, calcula-se que os restaurantes chineses e japoneses atirem para o lixo em cada ano, arroz suficiente para alimentar vários países africanos e a "família" pelintra, digo, política de Cavaco Silva, nomeadamente Dias Loureiro, que bem necessitado anda que lhe dêem o arroz.
Então pois, coloquei-me no famoso cruzamento de Shibuya, alcei o garfo, disse algo parecido como:
“japoneses, trago-vos um gar…” e fui atropelado por um autocarro.
Muitos jornalistas visitaram-me no hospital e foi aí que pude demonstrar-lhes a vantagem que tem o garfo sobre os dois pauzinhos e a quantidade de ataques de raiva que cada um pode aforrar graças ao seu uso.
Acreditei que tinha a audiência completamente a meu favor, mas um jornalista, já quase ancião – teria num mínimo 39 anos – mostrava o seu desagrado com caretas de desagrado (a redundância é propositada, como outras mais por aí) e atirando-me alguns amendoins com uma certa raiva (para além do desagrado).
Interroguei-o sobre as razões da sua animosidade e explicou-me que “o garfo" é perigoso.
Qualquer um pode estar a comer e tirar um olho ao parceiro do lado, sem querer".
E para exemplificar a sua advertência, inadvertidamente espetou-me um garfo num olho.
– Tem razão, confessei logo que consegui parar de gritar.
Os garfos são perigosos, mas os pauzinhos, também.
E para melhor exemplificar a minha afirmação, cravei, sem querer, um pauzinho no outro olho.
Juntos chegámos à conclusão de que comer, em geral, acarreta muitos riscos e isso sem valorar o que se pode supor ao utilizar uma faca.
As facas são ARMAS e é surpreendente que não haja mais mortes nos restaurantes.
Ah!, e com as colheres, qualquer um também pode sacar um olho acidentalmente.
Quis exemplificar esta última advertência para não restarem dúvidas, mas já não tinha mais olhos…
Globalmente, este jornalista japonês e eu combinámos escrever um livro sobre a necessidade de comer só sandes e sopa, esta directamente da malga para salvar a vida.
Intitula-se:
“PERIGO DE MORTE DOS TALHERES”.
Que casualidade, ou coincidência coincidente, tal como este post.
Dito isto, custou-me regressar a Portugal porque cada vez que saía à rua, quando tentava atravessar era atropelado e tinha que regressar à clínica.
Puseram-me dois olhos de vidro, mas não vejo nada bem com eles.
Creio que estão avariados.
Vou ver se na Multiópticas arranjo alguns baratinhos.
.



2 comentários:
Por acaso acho que os talheres deveriam ser de madeira. É que, no fundo, são armas brancas, o que constitui crime.
Bem, depois disto, nem com garfos nem com pauzinhos... contentemo-nos com sopinha à tigela pois. Assim como assim, o orçamento também não dá para mais...
Enviar um comentário