O VIDEIRINHO

quinta-feira, novembro 17, 2011

"PERIGO DE MORTE DOS TALHERES"

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Creio que não surpreenderia ninguém se dissesse que os japoneses são um povo sábio. 

Talvez surpreendesse mais gente se o dissesse desnudo, assim... continuarei a tirar a roupa. 

Um momento..., enganchou-se-me uma perna das calças. 

Os japoneses são um povo sábio. 
(Exclamações de assombro entre o público. Oh! Ah! Disse-o desnudo. Vestido não teria tanta graça. Etc….) 

Recentemente visitei o Japão para levar a esse grande país uma grande oferta 

Pensei que a minha viagem ia acabar com séculos de angústia e longas refeições, além das lutas intermináveis com os últimos bagos de arroz que resistem a ser agarrados e, que no final, se deixam no fundo da tigela por preguiça e depois de inauditos esforços, lágrimas e dores nos dedos das mãos. 

De facto, calcula-se que os restaurantes chineses e japoneses atirem para o lixo em cada ano, arroz suficiente para alimentar vários países africanos e a "família" pelintra, digo, política de Cavaco Silva, nomeadamente Dias Loureiro, que bem necessitado anda que lhe dêem o arroz. 

Então pois, coloquei-me no famoso cruzamento de Shibuya, alcei o garfo, disse algo parecido como: 
“japoneses, trago-vos um gar…” e fui atropelado por um autocarro. 


Muitos jornalistas visitaram-me no hospital e foi aí que pude demonstrar-lhes a vantagem que tem o garfo sobre os dois pauzinhos e a quantidade de ataques de raiva que cada um pode aforrar graças ao seu uso. 

Acreditei que tinha a audiência completamente a meu favor, mas um jornalista, já quase ancião – teria num mínimo 39 anos – mostrava o seu desagrado com caretas de desagrado (a redundância é propositada, como outras mais por aí) e atirando-me alguns amendoins com uma certa raiva (para além do desagrado). 

Interroguei-o sobre as razões da sua animosidade e explicou-me que “o garfo" é perigoso.
Qualquer um pode estar a comer e tirar um olho ao parceiro do lado, sem querer". 

E para exemplificar a sua advertência, inadvertidamente espetou-me um garfo num olho. 

– Tem razão, confessei logo que consegui parar de gritar. 
Os garfos são perigosos, mas os pauzinhos, também. 

E para melhor exemplificar a minha afirmação, cravei, sem querer, um pauzinho no outro olho. 

Juntos chegámos à conclusão de que comer, em geral, acarreta muitos riscos e isso sem valorar o que se pode supor ao utilizar uma faca. 

 

As facas são ARMAS e é surpreendente que não haja mais mortes nos restaurantes. 

Ah!, e com as colheres, qualquer um também pode sacar um olho acidentalmente. 

Quis exemplificar esta última advertência para não restarem dúvidas, mas já não tinha mais olhos… 

Globalmente, este jornalista japonês e eu combinámos escrever um livro sobre a necessidade de comer só sandes e sopa, esta directamente da malga para salvar a vida. 

Intitula-se: 
“PERIGO DE MORTE DOS TALHERES”. 

Que casualidade, ou coincidência coincidente, tal como este post. 

Dito isto, custou-me regressar a Portugal porque cada vez que saía à rua, quando tentava atravessar era atropelado e tinha que regressar à clínica. 

Puseram-me dois olhos de vidro, mas não vejo nada bem com eles. 

Creio que estão avariados. 

Vou ver se na Multiópticas arranjo alguns baratinhos.
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2 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Por acaso acho que os talheres deveriam ser de madeira. É que, no fundo, são armas brancas, o que constitui crime.

Fá menor disse...

Bem, depois disto, nem com garfos nem com pauzinhos... contentemo-nos com sopinha à tigela pois. Assim como assim, o orçamento também não dá para mais...