O VIDEIRINHO

sábado, novembro 12, 2011

CANÇÕES DE NANAR


 .


Agora com Natália tudo é sexo, ansiedade e desejos. 

Já não falamos, pelo menos como antes. 

Só “quecas”, abraçamo-nos e choramos à vez (sempre chora o abraçado, nunca, ou quase, o abraçador). 

Durante o ‘acto’, Natália mostra-se com uma desinibição assustadora. 

Procura-me buracos impróprios numa lesbiana militante como ela. 

Talvez procure aquilo que sabe que eu não quero precisamente por isso: quanto menos prazer tenha eu, mais desfruta ela. 

Agora por exemplo, não me deixa tocar-lhe nos seios com o desejo que merecem. 


Só me permite sugar os mamilos, como uma mãe amamentando o seu rebento. 

Cada vez que o faço, embala-me entre os seus braços enquanto me canta canções de nanar em alemão. 

Proibido “trepar” se tenho a barba grande (não se concentra). 

Proibido fazer amor olhos nos olhos (sempre de costas). 

Proibido deixar cair cinza das beatas nas suas nádegas. 

Proibido chorar durante a penetração. 

Proibido ejacular na sua pele, só dentro dela. 

Isto sim: sem preservativo (diz que toma a pílula). 

Depois do orgasmo (ela avisa-me sempre: três, dois, um, meee...erda!” como se não quisesse ou procurasse retardá-lo ou evitá-lo), voltamos as costas. 


Depois um de nós volta-se e abraça o outro. 

Esse outro chora. 

Quando sou eu o abraçado, costumo fingir que choro no princípio, mas acabo sempre por chorar de verdade. 

Não há motivos. 

Só choro pelo simples prazer de aliviar tensões acumuladas. 

Não mais de dez lágrimas depois, parto em direcção a minha casa e masturbo-me pensando neste último preciso encontro. 

Não ao sexo em si, mas sim no abraço posterior ou nesse momento que me dá o peito e me canta canções de embalar em alemão. 

E o orgasmo manual sempre é melhor do que o que tive com ela. 

Ou pelo menos mais livre. 

Ou mais sincero.
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2 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Ó diabo canções em alemão.

xistosa, josé torres disse...

Táxi Pluvioso

... com acompanhamento francês.