O VIDEIRINHO

quinta-feira, abril 28, 2011

CHALACEAR

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Com tão só acercar-se, inspirava uma gargalhada. 

Não era a fisionomia do seu corpo, não eram as peculiaridades da sua cara, o seu nariz alongado ou os seus pómulos pronunciados. 

Quiçá o par de lunetas. 

Também não era o seu estranho corte de cabelo o que invocava ao riso. 

Digno de investigação, os médicos, entre risadas contidas e lágrimas de gargalhadas, devem ter chegado a uma conclusão. 

Parecia ser uma questão natural. 

O seu corpo emanava uma substância contagiosa similar ao gás hilariante (ou gás do riso), que inevitavelmente induzia qualquer um que se aproximasse uns metros. 

Poderia muito bem ter ficado conhecido na comunidade “científica” como o “homem hilariante”, aquele de quem todos riam ou melhor dito, com quem todos riam. 

Basta imaginar-se o homem hilariante viajando num transporte colectivo, subindo num elevador, submetendo-se a um exame oral, fazendo uma entrevista de trabalho ou galanteando uma mulher, para darmo-nos conta do complexo que foi a sua vida. 



Pensando, pensando, de repente lembrei-me do insigne escritor humorístico que eu poderia ter sido. 

Vejo-me e revejo-me como director duma revista para gargalhear. 

(Duvidam? Vejam a “besta” branca que chegou a presidente dos EUA e até escreveu um livro). 

Bem, mas auto-elogiando-me (quem me poderá valer, ou fazê-lo por mim?), fico sentado na minha secretária desesperado, tudo o que escrevo dá para rir, o pessoal ri-se sem reparos de tudo o que escrevo… nunca serei um grande escritor, daqueles de renome, um escritor famoso… os escritores desta categoria escrevem sempre coisas que dão muita pena, coisas muito tristes, grandes tragédias. 

Estou persuadido de que para escrever bem há que sofrer muito. 



Não sei quem disse que, escrever é chorar; que escrevo assim porque a minha vida é uma festa contínua, que os meus amigos são uns farristas, que o meu mundo é um mundo sem problemas, por isso, sentei-me num montão de agulhas que me picam o cu, mas é inútil esta angústia, este sofrimento é excessivo e não me deixa pensar. 

Iniciei uma série de experiências qual delas a mais terrífica, como colocar palitos entre as unhas, machucar os tomat..., digo, testículos com pinças, dessas grandes que até lhe chamam pinças de crocodilo, atei uma corda ao pescoço com um peso de trinta quilos que quase me asfixiava, assisti a diversos funerais para motivar-me ante os familiares entristecidos, provei centos de métodos de tortura tentando inspirar-me sem nenhum resultado para escrever um livro dramático, pois se o fizesse todo o pessoal rir-se-ia. 


Acredito que para ser um bom escritor há que ter nascido sendo-o já; assim continuarei contando as tolices que me ocorram, ainda que, o pessoal se mije ou não a rir, porque, além do mais, se não o faço, não vou poder nem comer; nunca entendi muito bem, mas alguém me devia pagar para escrever cenas cómico-burlescas, imbecilidades …  

Alguém sabe quanto ganham os políticos???

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2 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

O que me dava vontade de rir era o monóculo do Spínola.

xistosa, josé torres disse...

Táxi Pluvioso

Não foi ele que escreveu "Portugal e o futuro".
Se bem que foi o futuro já passado há muito...
Como ele conseguia meter aquela coisa no olho... e segurá-la. É obra! (ou era obra!)