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Quando terminei de contar ao meu médico sobre as pontadas no peito, fez algumas anotações e depois sacou uma embalagem de compressa ou ligadura duma gaveta do seu consultório.
Isto (*) cura todo o tipo de feridas, disse-me enquanto depositava a estranha embalagem na palma da minha mão.
Regressei a minha casa, apressado para comprová-lo e comecei a seguir as indicações de uso que também me tinha dado: enrolei a ligadura à altura do peito, cobrindo bem a zona do peito e coração e depois deixei que a compressa começasse a “trabalhar”.
Chegada a noite, deitei-me para dormir e no dia seguinte já notava umas leves melhoras.
Há muitos meses que não despertava com um sorriso.
A ligadura estava a fazer efeito e não só comecei a sentir que se começavam a curar as feridas recentes, como também as do passado.
Hoje, depois de vários dias de tratamento, a pontada aguda daquele velho amor não correspondido, finalmente desapareceu.
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Uma jovem cientista australiana, Louise Van der Werff, da Universidade de Monash, trabalha numa “ligadura ou compressa inteligente” para o tratamento de lesões crónicas, com base num material que pode mudar de cor segundo o estado das lesões.
Quem tem uma infecção ou inflamação é provável que aumente a temperatura.
Mas se houver uma descida é possível que exista outro tipo de problemas, como por exemplo no abastecimento de sangue ao tecido da ferida, segundo disse.
Espera-se que esta curiosa invenção melhore a qualidade de vida dos doentes, sobretudo mais idosos, diabéticos ou pessoas obesas, com feridas crónicas, como úlceras.
Para produzir este produto, a cientista australiana procura incorporar na fibra do material uma molécula que mude de cor, entre o vermelho, verde ou azul.
Espera produzir num futuro próximo um protótipo em que as modificações cromáticas estejam calibradas em resposta a um determinado nível de temperatura.
A venda deste produto “camaleão” pode reduzir em 500 milhões de dólares australianos (± 366 milhões de euros) o custo do tratamento de feridas crónicas na Austrália porque facilita o diagnóstico do estado das lesões.
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1 comentário:
Puxa! isto agora é tudo inteligente. Espero ainda estar vivo quando inventarem o ser humano inteligente.
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