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Tinha uma obsessão com os objectos velhos.
Por mais que reflectisse e compreendesse a inutilidade de conservá-los e atesourá-los no sotão, não se conseguia desprender deles.
Durante toda a sua vida guardou trastes, inutilidades, cacos, objectos obsoletos e ultrapassados e todo o tipo de porcarias avariadas, inúteis e que não servem mesmo para nada, até que um certo dia – culpa das incomodativas leis da física – ficou sem espaço.
Subiu ao sótão para guardar um trambolho inservível (sem qualquer préstimo) e viu-se quase obrigado a seleccionar alguns objectos para se desfazer deles.
Enquanto procurava entre os mais andrajosos, encontrou um baú cúbico de madeira, que nem se recordava de tê-lo possuído.
Os lados do baú mediam cerca de um metro por um metro mas ao abrir a tampa, o conteúdo parecia infinitamente mais amplo e estranhamente profundo.
Nesse instante veio-lhe à cabeça o seu tetravô que, de jovem, exercia de mago.
Nunca mais teve problemas de espaço.
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1 comentário:
Ai, ai, é o meu caso. Quando me olho no espelho digo sempre que velho traste.
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